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Os Contos das 7 Cores - 1

O Conto da Cor Cinza



> Sete dias antes do ataque ao Museu de Pewter.
> Um dia antes do acidente em Cinnabar.

A equipe já estava há uma semana no Monte Lua, entre as rotas 3 e 4 da região de Kanto. Um pequeno time de pesquisadores e mineradores havia partido para a cidade com a intenção de procurar por antigos fósseis e Pedras da Lua que, inclusive, davam o nome à montanha. Esses minérios receberam esse nome há muito tempo devido à característica de brilhar durante a noite, refletindo a luz da lua, e chamando atenção no breu. As evidências cientificas atuais apontam que as tais Pedras da Lua não são minerais formados na Terra, mas sim rochas que caíram do espaço, o que fazia o nome se encaixar mais ainda.

O Monte Lua era a fonte mais abundante destas pedras em Kanto e ficava por conta de uma parceria público-privada da cidade Pewter minerá-las. Elas eram tanto utilizadas para pesquisa quanto para comércio: Além de ser um item de colecionador, a Pedra da Lua tinha um alto valor para treinadores, afinal alguns Pokémon só podiam evoluir absorvendo a energia irradiada por ela.

Um dos passatempos favoritos de Brock era cavar em busca de fósseis. Ele fazia questão de fazer com que todos os paleontólogos do museu de Pewter soubessem desse seu passatempo, e fazia questão de que todos soubessem que podiam convidá-lo quando tivesse alguma excursão em que ele pudesse participar em alguma localidade próxima à Pewter — normalmente o Monte Lua. Mas dessa vez, procurar restos biológicos preservados de forma mineralizada não era o principal objetivo de sua ida com o grupo. Era a segunda lua cheia do ano e aquele era um evento importante naqueles arredores, já que ela iluminava a noite mais que o normal. O Monte Lua era o lar da maior Pedra da Lua conhecida pela humanidade, sua mineração foi proibida pelos antigos líderes de ginásio de Pewter e Brock mantinha a ordem.

Tal pedra iluminava o topo do Monte Lua como uma segunda lua no céu das rotas 3 e 4 nas noites de lua cheia, e alguns casais iam até o Centro Pokémon da Rota 3 para ter um jantar romântico à luz de duas luas. O líder de ginásio já tinha visto esse fenômeno antes, mas não era isso que ele buscava dessa vez. Ele tinha ouvido falar que na segunda lua cheia de cada ano, alguns Pokémon se agrupavam ao redor desta grande pedra e então faziam uma espécie de ritual, numa dança hipnótica que poucos olhos humanos puderam presenciar. Era isso que ele buscava nessa excursão, este comportamento misterioso.

Brock e seu Geodude já haviam encontrado e recolhido algumas carapaças que provavelmente pertenceram a Kabutos eras atrás que seriam enviados para o Centro Paleontológico de Cinnabar quando retornassem para Pewter, além de ser usados para estudos no museu. Agora teria um par: Um Kabuto e um Omanyte para serem expostos.

Ele andou por horas pelos tuneis do Monte Lua, escalando e descendo paredes. Geodude o ajudava em todas as situações, desde um impulso para alcançar a borda mais alta de uma parede até a dar nós nas Cordas de Escape* que eram usadas para se descer, tudo de forma sincronizada. Brock não parava de conversar com seu Pokémon, como se a criatura pudesse falar seu idioma, e como se o treinador fosse capaz de entender a linguagem do monstrinho.

Finalmente, os dois encontraram um grande grupo de Clefairy se deslocando pelos túneis, saltitando alegremente para cada vez mais adentro do interior da montanha. Os Pokémon rosados eram velozes, e as paredes que para o humano eram obstáculos eram facilmente saltados pelas fadas como se elas fossem papéis levados ao vento. Eles continuaram seguindo aqueles Pokémon por vários metros túnel adentro. Após algum tempo, começaram surgir por ali alguns poucos Nidorinos e Nidorinas. Alguns olhavam para Brock, mas nenhum dava muita atenção, apenas continuando a se proteger do mundo exterior.

Demorou algum tempo até que eles chegassem ao topo da montanha. Um arco de pedra delimitava a saída do túnel para um local aberto no topo do monte à céu aberto. Brock estava maravilhado. Nunca estivera ali antes, podia ver toda a cidade de Pewter de onde estava. Todas as luzes acesas com a noite que já tomava conta do céu, feito milhares de estrelas brilhando no chão. Conseguiu achar as luzes acesas de sua casa, próxima ao ginásio da cidade, e era impossível não ver as colunas de luz que iluminavam o Museu. Ele ficou ali por alguns instantes com seu Geodude admirando a sua cidade, até ser empurrado pela multidão de Pokémon que já se aglomerava no túnel atrás dele.

Ele deu alguns passos para frente e deixou que as criaturas passassem, virando para a esquerda, observando para onde eles estavam indo. Foi aí que ele viu, em êxtase, a famosa Pedra da Lua, a maior de todas. Ele ouvira relatos, mas ver pessoalmente era diferente. Era um absurdo haver uma Pedra da Lua daquele tamanho, de altura, ela deveria ter pelo menos três vezes a altura de um ser humano adulto, e de largura e comprimento ela devia ter uns cinco ou seis metros, ele não sabia. Sua boca estava entreaberta sem ele perceber devido tamanha surpresa e admiração.

A Pedra já brilhava um pouco. As Clefairy pulavam e dançavam ao seu redor, cantando uma música em ritmo hipnótico. Nidorinos e Nidorinas rugiam para a pedra, como uma espécie de chamado. Brock conferiu o relógio, e faltavam alguns minutos para a meia-noite. Ele decidiu se sentar no chão e esperar enquanto assistia ao espetáculo não ensaiado apresentado pelos Pokémon selvagem. Geodude se deixou descansar em seu colo, e ali eles ficaram.

Quando a lua cheia alcançou seu zênite no céu noturno, a Pedra da Lua gigante alcançou seu brilho máximo. A canção dos Pokémon chegou ao seu máximo volume, mas não incomodava Brock, pelo contrário: Ele achava lindo. Um a um, os Pokémon começaram a brilhar em um tom prateado, como a própria Pedra da Lua, e a mudar sua forma física. O humano estava cada vez mais impressionado.

Estruturas que se assemelhavam a asas agora apareciam nas costas das Clefairy onde antes parecia apenas um laço. Suas orelhas e sua cauda cresceram. Agora elas haviam se tornado Clefable.

Os Nidorinos e Nidorinas que ali estavam também ficaram maiores, permanecendo agora sobre duas patas. Seus músculos ficaram definidos e o couro de sua pele agora estava mais grosso e resistente, sem falar dos espinhos em suas costas, que agora pareciam mais ameaçadores. Agora Brock estava na presença de Nidoking e Nidoqueen.

Todos os Pokémon recém-evoluídos começaram a cantar e a dançar, se cumprimentando e festejando. Aquele era um momento de alegria. Uma Clefable se aproximou de Brock e o puxou pelo braço, fazendo-o cair na dança com seu Geodude também. E eles dançaram ali por algumas horas, até não aguentarem mais.

Aquele era um dos dias mais felizes da vida de Brock. Uma memória que ele guardaria com carinho.

***

Uma Clefairy então se aproximou dele. Ele já estava deitado observando a lua e as estrelas ao seu redor. Ela parecia examiná-lo.

Ele se sentou e a cumprimentou. Mas depois reparou no fato de ela não ter evoluído junto com as outras. Seus olhos pareciam olhar no fundo da alma do humano. Suas pupilas se tornaram brancas e ela tocou em seu peito.

O topo do Monte Lua sumiu instantaneamente. Brock se viu no campo de treinamento ao lado do ginásio de Pewter. Ele estava confuso. Olhou para o horizonte e viu o Museu explodindo e caindo aos pedaços. Ele olhou para baixo para pegar sua PokéBola e piscou. Quando abriu os olhos, percebeu que já estava dentro do Museu de Pewter, mas tudo ao redor estava destruído. Como ele havia chegado tão rápido?

Brock olhou pra frente e viu algumas pessoas vestidas de preto e viu seus outros Geodude lutando. Pelo canto do olho ele viu um homem gritando e um Mankey urrando enquanto surrava um Raticate. Ele piscou para tentar processar a informação. Sentiu uma pressão no peito e abriu os olhos. Estava de volta ao Monte Lua.

A Clefairy havia tirado a mão de seu peito e estava correndo para o túnel. Ele correu para tentar acompanha-la, mas tudo que viu quando chegou no túnel foi uma luz amorfa sumindo entre vários dos túneis anexos.

***

Pela manhã ele já estava praticamente sozinho no cume do Monte. Ele ainda estava intrigado lembrando da Clefairy estranha da noite anterior. Se aproximou da grande Pedra da Lua e retirou uma pequena lasca. Logo tratou de achar o caminho de volta até as outras pessoas da expedição. Mais tarde naquele dia eles voltariam à Pewter.

***

— Então você presenciou o ritual de evolução do Monte Lua. — comentou o Professor Carvalho através de uma vídeo-chamada.
— Sim! Foi uma experiencia única e muito interessante! — respondeu Brock.

Ele tinha acabado de chegar em sua casa em Pewter. Ligar para o Professor Carvalho foi a segunda coisa que ele fez, após dar um beijo e um abraço em cada um de seus irmãos mais novos.

— Mas algo ainda me intriga, Professor — continuou o líder. — Durante o ritual, eu vi uma Clefairy que não havia evoluído e ela me fez ver... Coisas estranhas...
— Bem, eu não me espantaria com a segunda parte, o Metronome é capaz de desenvolver qualquer poder. Mas uma Clefairy que não evolui com a Pedra da Lua? Isso eu nunca vi...
— É... Eu até peguei uma pequena amostra da Pedra. O senhor quer que eu a envie até Pallet?
— Não. Conheço alguém melhor para você enviar.

***

> Quatro dias antes do ataque ao Museu de Pewter.
> Dois dias depois do acidente em Cinnabar.

— Então uma Clefairy não evoluiu perto disso aqui? Que estranho — comentou o homem em frente a uma tela.
— Foi o que eu soube pelo Brock, o líder de ginásio de Pewter — respondeu o Professor Carvalho, cujo rosto aparecia no outro lado da tela. — Achei que um especialista em Evolução Pokémon como você pudesse ter alguma resposta, Elm.
— Bom, eu fiz alguns testes na Pedra, e ela parece normal, minha melhor hipótese é de a tal Clefairy é que era diferente. O vulcão de Cinnabar explodiu essa semana, depois de séculos inativo. Coisas estranhas estão acontecendo, Carvalho.
— O mundo está mudando, meu caro aluno... Temos que estar prontos. Eu mesmo pedi para meu neto e um amigo dele coletarem dados para a enciclopédia que estou produzindo. Você podia pedir a ajuda da sua sobrinha quando ela estiver mais velha.
— É... Com uns 20 anos talvez...
— Você é superprotetor com ela, Elm! Haha! — riu Carvalho.
— Haha, talvez, mas eu amo aquela garota, quero ter certeza que o mundo não vai machucá-la.
— E quem somos nós para garantir isso, Elm?
— Quem somos nós...? Pois é. Bem. Vou encerrar o expediente por hoje. Foi bom falar com o senhor, meu querido professor! Até a próxima!
— Até a próxima, Elm!

O cientista desligou a chamada em seu computador e se pôs a sair do laboratório, desligou as luzes e foi para sua casa. Não demorou muito até que as luzes fossem acendidas novamente, desta vez por duas crianças.

— Eu disse que se a gente esperasse a gente conseguia! — falava com firmeza uma garotinha de cabelos castanhos presos em maria-chiquinhas e uma boina vermelha. Trajava uma camisa azul e um macaquinho branco
— Mas a gente esperou muito, sua trouxa! — respondeu um garoto de cabelos pretos e rebeldes que eram controlados por um boné dourado. Usava uma camiseta e uma bermuda vermelhas e um casaco preto com detalhes brancos. — Isso foi algo tão de gente trouxa que a partir de agora quando alguém for trouxa eu vou dizer que essa pessoa Lyrou.
— Para de ser babaca, Ethan. A gente tá aqui pra ver os Pokémon que o titio Elm tem. Me ajuda a procurar.
— Você Lyra tanto que precisa de minha ajuda pra procurar os Pokémon do tio que é seu.
— Ethan! Você quer ver os Pokémon ou não, seu bestão?!
— Tá bom, tá bom...

As duas crianças então começam a procurar em cada canto do laboratório por PokéBolas escondidas. Eles abriam gavetas, armários, puxavam livros das prateleiras para olhar por trás, mas não encontraram nada.

— Pô, Lyra, esse laboratório aqui é tão grande que seu tio trás até pedra pra cá. — comentou Ethan pegando o pedaço da Pedra da Lua e mostrando para a colega. — Será que ele tá Lyrando?
— Meu tio nunca faz nada estupido, Ethan. Nem eu. Olha só!

Lyra tirava de cima de um armário uma maleta de metal entreaberta, parecia pesada, mas ela usava toda sua força para colocar calmamente no chão e abrir. No interior da maleta, duas PokéBolas repousavam em duas almofadas pretas.

— Pokémon! — gritou Ethan empolgado, que pegou as duas esferas e arremessou para cima. As duas emitiram uma alva luz que deram forma a dois Pokémon: O primeiro tinha o corpo formado por duas bolas repleta de pelagem azul, uma esfera formava sua cabeça e a outra, fazia parte de sua cauda. Ele parecia assustado e estava prestes a chorar só de ver aquelas duas crianças o encarando. O outro Pokémon também era coberto por um pelo azul, mas parecia achar tudo engraçado. Tinha uma grande cabeça com uma larga protuberância em sua testa e dois braços que, como orelhas, ficavam ao lado de sua cabeça. Tinha o corpo maior que sua cabeça e uma pequena cauda preta com uma marca branca que se assemelhava a um olho.

Lyra correu para o que parecia prestes a chorar e o abraçou com calma.

— Ô bebê... Não chora... Tá tudo bem...

O pequeno pareceu se acalmar um pouco e se encolheu nos braços da garota. Já Ethan, pareceu simpatizar com o segundo Pokémon.

— Eu gostei desse. Ele tá rindo de tudo!

O menino se aproximou e deu um tapinha em sua cabeça, mas assim que piscou, todo seu corpo foi empurrado para trás com violência.

— Mas o quê?! Ora, seu...

O menino correu para agarrar o Pokémon, mas novamente foi empurrado para com o dobro do impulso que havia aplicado em sua corrida, e caiu de bunda no chão.

— Eu não gostei desse não! Nunca que eu vou ter um Pokémon desse, nem evoluído!
— Eu quero ficar com esse aqui. É muito fofo! — comentou Lyra.
— Se você vai levar alguma coisa daqui, então eu vou levar a pedra maneira — comentou Ethan guardando a pedra que havia achado mais cedo no bolso.

E então um estrondo. A porta se abriu e o Professor Elm entrou no local, assustando as duas crianças.

— Lyra! Você de novo entrando aqui sem mim e com meninos estranhos?! Pra fora! Vamos, vamos!
— Mas titio, eu quero ficar com esse Pokémon!
— Você não tem idade para ter um Pokémon garota, PARA FORA! — gritou o pesquisador.

As crianças não quiseram ficar para ver o que aconteceria depois e saíram correndo do laboratório. Elm encarou a bagunça e ficou cabisbaixo.

— Agora eu vou ter que arrumar tudo isso... — ele se aproximou de sua bancada e procurou em vão o item mais importante que havia adquirido recentemente. — Ah não... Eles perderam a Pedra da Lua...

***

> Dia do ataque ao Museu de Pewter.
> Seis dias depois do acidente em Cinnabar.

No dia anterior, ele tinha derrotado um desafiante. Talvez tivesse pegado pesado demais, mas o novato não sabia nem que um ThunderShock não tinha efeito contra um Onix. Um de seus papeis como Líder de Ginásio era ensinar valiosas lições aos desafiantes. E ele tinha dado a oportunidade da desistência, mas o garoto preferiu o orgulho. Esperava que um dia o rapaz entendesse a diferença entre o orgulho e medir suas próprias capacidades. Esperava que aquele jovem treinador não desistisse e que pudesse vê-lo novamente. Mas ele não podia ficar parado.

Brock estava treinando em seu campo ao lado do ginásio de Pewter quando ouviu o primeiro estrondo. Ao correr para o lado de fora e dobrar a esquina, notou a primeira coluna de fumaça subir do Museu de Pewter.

— Maldita Clefairy...


*Cordas de Escape se refere ao item Escape Rope.

Notas do Autor - Capítulo 7


E aí pessoal?! 8 MESES! 8 MESES SEM CAPÍTULO SENHOR KILLER?! Beirando os 9!

EITA CRISES! MAS VOLTEI! EU DISSE QUE IA TERMINAR KANTO, NÃO DISSE! Pode demorar, mas vou terminar! Peço perdão pela demora!

Confesso que há muito tempo eu estava escrevendo esse capítulo e o inicio dele não estava me agradando... Algo não parecia certo, mas algumas pessoas (Valeu Dento e Star) disseram para continuar e eu continuei, e acho que o conjunto da obra, valeu a pena. Obrigado pessoal.

Queria agradecer também ao Diego Chinatsu (Saiko) pela arte da pintura rupestre do Mew, que foi feita sob encomenda para esse capítulo. Cliquem aí no link e sigam ele no instagram de desenhos para dar um apoio.

Começamos com o Red preso no loop pela sua derrota e eu quis descrever uma pequena crise de ansiedade. Nas versões anteriores ele teria uma crise maior aqui, mas eu acabei cortando até ele "só" socar a parede.

Vou interromper o assunto aqui para falar que: Galera, se você tá lendo isso e você se identifica de alguma forma com esse tipo de ação ou pensamento do Red, você não precisa achar que tem que resolver isso sozinho como ele, tá? Procure seus amigos e ajuda profissional. Não fomos feitos para resolver nada sozinhos. Se precisar de alguém para desabafar, clica ali no nosso discord que tenho certeza que vai achar alguém receptivo a te ouvir.

Voltando ao assunto do capitulo, estive conversando com o Dento sobre a diversidade de cultura no mundo Pokémon ser tão vasta quanto no nosso, e desse jeito, as religiões também. As pessoas lá podem explicar o mesmo fenômeno das mais variadas formas, e nesse capítulo vocês puderam ver a Janine explicando os tipos dos Pokémon através de uma forma equivalente do Taoismo. Espero que vocês achem interessante essa forma de diversidade cultural no mundo que estamos criando.

E aqui temos o primeiro encontro com a escusa Equipe Rocket. Acho que não spoiler nenhum falar aqui que sim, eram eles. Apesar de que nos jogos demora mais um pouco para encontrá-los, eu dei uma apressada por aqui nas terrinhas de Kanto.

Invasão ao Museu de Pewter, e uma pequena luta contra o trio principal. Temos um show da Janine, a Yellow tentando se esforçar com sua Pichu, e o Red sendo posto a prova mais uma vez, e agora a Weedle evoluiu para proteger seu treinador! Nos planos originais, o Rattata evoluiria aqui pra se desculpar por perder no ginásio, mas eu achei que seria muito rápido para um Rattata evoluir. A Weedle faz bem mais sentido. É um Pokémon que evolui rápido, e na mente dela, ela ainda não fez nada para se desculpar pelo envenenamento.

E o Red agora viu que o Brock é superior né? A Janine disse que ele vai precisar usar o Mankey, então ele tem que aprender a usar o Mankey, e aqui temos Mankey sendo usado, não sem dar uma porradinha no Red! AUSHAUHSAUSHAUSH.

Antes de terminar o cap, Brock chama o Red para uma revanche. Ele viu que o Red soube se portar naquela situação. É o minimo de evolução que ele precisa para enfrentar o cara que esmagou seu Pikachu no capítulo anterior. Afinal, ele tava lutando contra TERRORISTAS.

E assim, começamos a espalhar a destruição por Kanto, como muitos me cobraram. Terminando o capítulo com o museu destruído.

E por falar em museu destruído, eu já pensava em fazer essa invasão desde que escrevi o plot todo de AeK, mas alguns meses depois que entrei para a Aliança, e mais de um ano atrás, no dia 02/09/2018 foi quando aconteceu o incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. O museu é a instituição cientifica mais antiga do Brasil, e contava com coleções de botânica, paleontologia, arqueologia e artes, geologia e astronomia (até onde eu sei, talvez até mais).

O fóssil mais antigo do Brasil estava no museu na noite do incêndio, e inclusive era um fossil que pode mudar a forma que vemos a chegada dos humanos na América do Sul. Pelo que eu ando acompanhando, 80% do material do fóssil foi recuperado, mas nada será com foi.

As perdas para a ciência não podem ser calculadas. Pesquisas estavam sendo desenvolvidas lá. Como eu quis mostrar neste capitulo, Museus não são apenas lugares de exposição. São locais onde pesquisas e descobertas são feitas. Os objetos ali são estudados e analisados todos os dias. Pesquisadores fazem novas perguntas. Como eu disse no primeiro capítulo através do Professor Carvalho: Ainda faltam muitas coisas para serem descobertas. Não podemos nos dar ao luxo de perder uma parte importante do nosso passado.

O Museu Nacional não foi a primeira vez que perda de material aconteceu no Brasil, e aparentemente não será a ultima. Por isso eu venho aqui tentar falar um pouco sobre isso. Desculpem se está um pouco chato, aushaushaushaushaush.

Mas você já foi a um museu local nos últimos tempos? Procurou alguma exposição do seu interesse?
Nem sempre museus são locais chatos onde você só olha objetos e sai andando. Procurem locais com guias, onde eles possam te explicar a história por trás de cada objeto. Ou se você não gosta de velharia, que tal um museu espacial, um observatório, ou até mesmo um museu de tecnólogia? Tem para todos os gostos? Eu mesmo já fui para um museu que foi o primeiro hospital da minha cidade, e falava muito sobre como era a saúde publica e privada da época em que foi criado até os dias de hoje.

Para encerrar o assunto, vou deixar aqui alguns videos de referencia sobre assunto que talvez (com certeza) falem do tema melhor do que eu.

O Passado perdido do Museu Nacional - Nerdologia

O nosso Museu Nacional - Nerdologia

Este lugar é uma máquina do tempo incrível - Atila Iamarino

Até o próximo capitulo pessoal!
Smell ya latter!

Capítulo 7


Rendam-se agora, ou preparem-se para a encrenca!


Ele sabia que em algum momento deixou de ter forças para chorar, mas não enxugou os olhos. Suas mãos estavam sujas de poeira das rochas quebradas.

Ele sabia que em algum momento as meninas que o acompanhavam na viagem o levaram até o Centro Pokémon e o colocaram sentado em um dos puffs vermelhos na recepção enquanto Rattata e Pikachu passavam por tratamento para recuperar a saúde no interior da ala médica, mas ele não se lembrava de ter chegado até ali.

A cena de sua derrota se repetia em sua mente enquanto ele encarava o assoalho da sala.

O Onix se deixando cair sobre Pikachu.
O aviso de Brock para ele desistir.
Ele não ouvira.

Decidira acreditar no poder da amizade que não resolveu nada. Tinha alguma coisa errada acontecendo e ele não conseguia descobrir o quê.

“O QUE É?”. Ele queria gritar, mas agora já não adiantava mais. Estava em um espaço público e tinha que se controlar. Ele havia vencido batalhas contra outros treinadores na floresta de Viridian que havia atravessado mais cedo naquela mesma semana, mas Gary e Brock eram invencíveis. Tentar agir junto aos seus Pokémon não estava ajudando. Talvez Gary estivesse certo, talvez ele tivesse que esforçar mais, pois nem Mankey o obedecia.

Mas ele já estava se esforçando mais, o que mais ele deveria fazer?

Ele olhou para os lados. Janine e Yellow conversavam preocupadas entre si. Ele não deveria preocupar ninguém, principalmente Yellow, já que deveria protegê-la.

Ele sabia que meninas pegariam as PokéBolas que pertenciam a ele quando estivessem prontas, então subiu para o quarto em que estavam alojados.

Encontrou o kigurumi de Janine ainda sobre o beliche e as roupas que ela havia emprestado para Yellow estavam dobradas sobre a mesa de cabeceira. Ele deixou que a mochila escorregasse de seus ombros e encarou a parede ao seu lado esquerdo. Em menos de um segundo, seu punho direito já estava em contato com o cimento e a argamassa da construção e a voz do garoto cortava o ar em um grito de agonia.

As articulações dos seus dedos reclamaram de dor e isso era bom. Agora ele podia sentir outra coisa além da confusão; a dor parecia ser um guia para a razão. Ele deu outro soco contra a parede, dessa vez ainda mais forte. Por que ele tinha que ser tão ruim que precisava se autoflagelar para poder se sentir bem? Ele tinha que manter aquela dor para ele. Não podia fazer seus Pokémon passarem por isso novamente, não uma terceira vez.

Ele deu um passo para trás e respirou fundo, levando aos seus pulmões o máximo de ar que conseguiu reunir. Com mais um passo para frente, socou outra vez a parede e gritou. Sentiu sua garganta arranhar com a velocidade do ar. As articulações dos seus dedos já estavam ruborizando com o influxo sanguíneo. A confusão estava passando. A dor era tudo que importava agora. E era melhor que a confusão, que a tristeza e que a angustia.

Ele se preparou para dar mais um soco contra a parede, mas escutou uma batida na porta. Ele saiu de sua posição e seus músculos fingiram relaxar ao mesmo tempo em que deu um suspiro longo e demorado. Novamente, ouviu-se batidas na porta e ele finalmente a abriu, dando de cara com Yellow e Janine.

— Você está bem? — questionou a loira.
— A recepcionista comentou que o garoto do quarto ao lado ligou na recepção pra reclamar que estavam batendo na parede. Achei ele meio covardezinho, confesso. Um verdadeiro ninja resolve seus próprios problemas — comentou Janine empurrando o garoto para entrar no cômodo e se dirigindo ao beliche, se jogando na cama de baixo bagunçando os lençóis que Yellow arrumara antes de sair.
— Eu tô bem sim — mentiu enquanto encarava o chão. — Eu só queria deitar um pouco.
— Eu imagino — confortou Yellow. — Quando eu e Pichu lutamos contra aqueles Beedrill na floresta nós ficamos muito cansadas, você provavelmente gastou muito mais energia que a gente nessa luta. Eu e a Janine estamos aqui para te apoiar, viu?

Yellow se aproximou do garoto e segurou sua mão. Ele contraiu os músculos por instinto, pensando em puxar e recusar o toque, mas refletiu rápido e preferiu deixar que ela o tocasse para passar a impressão de que tudo estava bem.

— Yellow, você pode levar nossos pijamas lá pra lavanderia? A gente deixou tudo aqui em cima antes de sair, eu não aguento mais esse cheiro de suor impregnado... Aproveita e checa se o Pikachu e o Rattata já estão se sentindo bem — pediu Janine, levantando o tronco e sentando no beliche.

A garota assentiu e encarou Red, que preferiu não sustentar o contato visual por muito tempo. Yellow queria ter a certeza de que Red estava bem antes de se retirar do quarto alguns segundos depois, fechando a porta. O garoto havia cuidado dela quando ela mais precisou e estava sozinha, a moça estava determinada a ajudá-lo mesmo que eles mal se conhecessem.

Janine esperou alguns segundos antes de puxar conversa. Ela já tinha percebido que Red ainda estava sujo de poeira, mas sua cama não estava, diferente das marcas de poeira na parede. A mochila largada de qualquer jeito ao lado da porta não indicava que o Red estava calmo, bem como as juntas entre seus dedos e suas mãos, que ainda estavam avermelhadas.

— Você sabe que você não vai resolver seus problemas batendo na parede, né, maninho? — comentou a ninja.

Red se assustou e levantou o rosto em uma resposta automática olhando para ela.

Como ela sabia? Não, calma. Será que ela sabia mesmo? E se ela sabia, como descobriu? Ele estava fingindo tão bem! Yellow fez parecer que estava tudo bem, por que Janine pareceu ter destrancado os confins de sua mente?

— Quê?
— Você deixou provas pelo quarto. E eu sou uma ninja — respondeu ela enfatizando a última palavra.
— Eu tô bem. Sério.
— Tudo bem, tudo bem. Independentemente de como você esteja meu garoto, eu tenho coisas para comentar. Tá louquinho, guri?! Um Thunder Shock contra um tipo Terrestre?! Eu concordo que o Brock pegou pesadão lá com a parada do Onix, mas não saber as vantagens de tipo foi mancada! Meu pai me ensinou isso desde antes de eu dar meu primeiro salto mortal.
— Falando do seu pai, o Professor Carvalho pareceu interessado ontem quando...
— Não estamos falando de mim agora, Red! — interrompeu Janine — Estamos falando que você desafiou um líder de ginásio sem ao menos saber o básico das batalhas! Olha só — a ninja se aproximou do garoto e começou a gesticular com as mãos, fazendo movimentos circulares — Desde que o mundo é mundo e Arceus criou tudo que existe, os Pokémon tem uns tipos, tá ligado?
— Já ouvi falar.
— Então, esses “tipos” nada mais são que as energias do Tao.
— Tao?
— É, bobão! É como aprendi quando estudei com os monges da Torre Brotinho em Johto, é como funciona a coisa toda — Janine virou-se de costas e juntou as palmas das mãos como se estivesse para iniciar um rito de oração. O tom de sua voz mudou e agora a garota falava forçando uma rouquidão para enfatizar as coisas que diria a seguir. — O Tao é a energia original de tudo e que dá origem a todas as outras. Está em todo o lugar e os Pokémon conseguem manipular e filtrar parte do Tao em partes menores para realizar seus movimentos. Os humanos é que não conseguem fazer isso, a gente categoriza essas partes e chamamos de “tipos”. Cada energia domina ou é dominada fora do Tao, o que chamamos de vantagens ou desvantagens de tipo. Seu trabalho agora é aprender sobre isso, Red.

O garoto refletiu em silêncio sobre o que a Janine o ensinara por alguns segundos até a encarar novamente.

— Quais os tipos que eu posso usar para derrotar o Brock? —questionou.
— Essa é a pergunta certa! — elogiou a garota. — Lutador, Grama, Terrestre, Aço e Água são as melhores opções para dar dano dobrado em Pokémon do tipo Pedra, e eu estive conversando com a Yellow lá embaixo e já soube que você tem um Mankey. Você nem nos contou nada, seu danadinho!

O garoto hesitou mais uma vez ao ouvir o nome do seu Pokémon. Ele olhou para a mochila que estava ali na entrada do quarto e imaginou dentro dela a Pokébola do primata.

Sem chances de usar ele numa batalha de ginásio. Ele não o obedeceria.

Mas nem mesmo Pikachu o obedecia. Ele não usou o Thunder Shock ordenado por seu treinador durante a batalha.

— Janine, movimentos elétricos tem desvantagens contra os Pokémon Terrestres?
— Aí guri entramos em um novo departamento chamado imunidades. Geodude e Onix não tomam dano algum do Thunder Shock. Pikachu sabia disso, Brock sabia disso, eu sabia disso, e se duvidar, o pirralho cuspido e escarrado versão mais nova do Brock sabia disso, só você que não.

Red abaixou a cabeça e encarou o chão. O próprio Brock dissera para a batalha terminar, mas ele insistira pela continuação da mesma. Ele não soube equilibrar o que se passava em sua mente, e isso foi o que lhe trouxe a derrota.

— Vamos relaxar a cabeça pelo resto do dia, pivete — disse a ninja interrompendo os pensamentos do menino. — Vamos almoçar e então iremos ao museu para ver umas coisas bem bacanudas. Amanhã você pode ter sua revanche se estiver mais calmo.

Ele acenou com a cabeça, concordando com a sugestão, e então Janine mandou que ele se lavasse, afinal, ainda estava sujo da poeira das rochas quebradas do campo de batalha.

***

Após o banho, Red levou suas roupas para lavar e foi encontrar suas parceiras na recepção. Outros treinadores no local, incluindo Janine, riam de sua camiseta com a estampa de uma paleta de cores que dizia: “Pallet – A Princesinha do Interior”.

— Até você Janine? — reclamou o garoto, visivelmente constrangido.
— Você é um caipirão de verdade, hein?! — perturbou a ninja.

Red deu um sorriso torto e se dirigiu até o balcão para pegar de volta seus Pokémon devidamente recuperados. Janine então deu a sugestão de que eles fossem almoçar em alguma lanchonete local para não ficar sempre comendo a mesma comida de Centro Pokémon e todos toparam.

Ali perto encontraram uma pequena hamburgueria onde puderam passar algum tempo conversando. Red tentava fingir uma conversa, mas na verdade ele só repassava cada detalhe da batalha do ginásio em sua mente. Janine falava empolgada sobre as maravilhas que talvez pudessem encontrar no museu.

— Finalmente vou conhecer o famoso Museu de Pewter! — gritava animada.

Após a refeição, os três se apressaram para chegar até o Museu. Achar o local não foi difícil, já que quase todas as placas na cidade apontavam para o seu principal ponto turístico. A grande estrutura de granito se erguia frente aos jovens. Ocupava muitos quarteirões e subia por muitos andares. A faixada exibia em alto relevo com orgulho o seu nome: “Mouseio de Pewter”.

Janine agarrou as mãos de seus companheiros e correu para dentro. Yellow e Red foram pegos de surpresa, mas tentaram acompanhar o ritmo que durou até um segurança do local os barrar e reclamar por estarem correndo.

Red logo tratou de se desculpar pelos três e a ninja aproveitou a situação para perguntar onde poderiam comprar os ingressos. O segurança apontou a direção da bilheteria e a garota guiou novamente os companheiros de forma animada, dessa vez se segurando para não correr.

Turistas com camisas de estampas floridas estavam na fila para conseguir seus bilhetes, mas outras pessoas fardadas entravam apresentando um distintivo e se posicionavam perto de algumas peças expostas. Outras mais velhas, com trajes formais e maletas, apresentavam os seus crachás e sumiam pelos corredores.

— Os das maletas são cientistas. Certeza — comentou Janine. — A gente não vai nem ver eles, ficaremos com os fardados que são os guias.
— Janine, eu sei como funciona um museu — reclamou Red — Eu já vi nos filmes.

Mas Yellow é quem olhava impressionada. Enquanto esperavam na fila, ela aproveitava a visão que tinha para as peças da primeira ala do museu. Um grande globo de granito estava suspenso no centro da grande sala que estava dividida da bilheteria apenas por um pequeno balcão de pedra lapidada.

O globo mostrava o planeta e seus continentes. A região de Kanto estava destacada em alto relevo, feita de um granito mais escuro. Era ali que eles estavam, naquele vasto mundo. Yellow estava deslumbrada e não percebeu que chegaram ao início da fila. Janine pediu os ingressos e pagou pelos três. Red pediu para que dessa vez ela andasse devagar.

Os três atravessaram o balcão que dividia a bilheteria do grande salão, onde os visitantes se reuniam e formavam grupos liderados por guias que seriam levados até as exposições. Atrás do globo eles enxergaram uma enorme variedade de rochas retiradas das pedreiras de Pewter. Em frente a cada uma, havia uma placa de bronze identificando-as e descrevendo o que as diferenciava umas das outras. De cada lado do salão um arco indicava a entrada para um corredor, e ao fundo, uma grande escada com acabamento em mármore levava ao segundo andar.

O trio se juntou a um grupo de turistas. Um rapaz com uma camisa polo branca com o bordado da insígnia do ginásio local em seu peito e a palavra “GUIA” estampada em suas costas estava ao lado do grupo, esperando por mais pessoas. Após mais uma família composta por um casal e duas crianças se aproximar, ele iniciou um discurso que claramente era repetido inúmeras vezes todos os dias.

— Bem-vindos ao Museu da Cidade de Pewter, o nosso orgulho municipal. Meu nome é Gabbro, e hoje eu serei o seu guia. Este museu foi construído durante a época em que a Madame Boss estava na Elite 4. Ela investiu na construção desta instituição como um meio de desenvolver a pesquisa cientifica na região e hoje somos um dos maiores centros de referência em estudos geológicos, arqueológicos e astronômicos na região de Kanto. Em nossa visita hoje, visitaremos duas exposições, a primeira sendo a exposição “Era Pré-histórica: O início de tudo”; e em seguida a exposição “Espaço: O que há acima”. Por favor, me sigam.

O guia indicou que o grupo o seguisse rumo ao corredor da esquerda e todos obedeceram. Caminharam pelo corredor até chegarem a uma sala com vários ossos antigos, montados em esqueletos humanos em posições ainda curvadas, e diversos objetos, como cuias, machados de pedra lascada e pontas de lanças, além de placas com desenhos antigos que o trio não conseguia identificar. Acima das peças, uma placa vermelha dizia “NÃO TOQUE”.

  Esses são esqueletos de seres humanos que viveram há aproximadamente trezentos milhões de anos atrás. Eles usavam ferramentas básicas criadas a partir de madeira, barro e pedra lascada. O primeiro Pokémon que se tem registros desse período é chamado de Mew, e aqui vocês podem ver uma réplica da pintura que foi feita dele pelos primeiros humanos na caverna de Cerulean. Esse Pokémon nunca foi visto pela ciência moderna, então ainda há muita discussão entre os acadêmicos se ele realmente é o antecessor de todos os Pokémon, ou apenas um mito.

Arte feita por Diego Chinatsu

O guia deixou que os visitantes apreciassem as peças da sala por alguns minutos, tirando a dúvida de cada um que o chamasse perguntando sobre algo específico. O homem parecia conhecer profundamente cada um daqueles artefatos. Após o tempo que julgou necessário, chamou para que o grupo o seguisse por outra passagem para que prosseguissem para outra sala e apreciarem outro conjunto de peças. Ele hesitou por um segundo ao perceber que um dos turistas ainda estava parado observando uma das ferramentas dos antigos humanos.

— Senhor, poderia nos acompanhar? — pediu Gabbro.
— Oh, me desculpe — comentou o turista. — É que fiquei tão fascinado por estes objetos!

O homem se aproximou do grupo, mas antes que pudessem começar a avançar, Janine retornou até a coleção e pegou uma PokéBola caída no chão, próxima ao local que o senhor estava. Retornou ao turista e entregou o objeto.
— É sua? Acho que deixou cair — disse a ninja sorrindo de forma exageradamente empolgada.
— Oh, obrigado garota. Acho que sou mesmo desastrado — disse o senhor pegando sua PokéBola de volta com um sorriso sem graça.

A visita avançou pelo andar térreo do museu onde o grupo era apresentado pelo guia a fosseis de Pokémon e de plantas que existiram há muito tempo. As salas eram separadas por temas e regiões em que os fosseis haviam sido encontrados. Em uma das salas, que representava o habitat pré-histórico da região de Kanto, eles viram um objeto chamado Fóssil Domo, que para Red mais parecia uma pedra que lembrava uma carapaça de um grande inseto.

— Uma grande colaboração está sendo feita entre cientistas daqui do Museu de Pewter, o Centro Paleontológico de Cinnabar, a Universidade Kantoniana de Celadon e o grande professor Carvalho para tentarmos recriar tanto o Pokémon que originou o Fóssil Domo, tanto o que originou o Fóssil Helix.


Os olhos de Red brilharam. Aquele era mais um sinal do reconhecimento que o mundo tinha pelo Professor Carvalho. Aquele senhor que não teve medo de dizer que a ciência não tinha todas as respostas e que por isso que ele continuava seguindo em frente, buscando-as. Ele estava envolvido com um projeto de tamanha magnitude daqueles. Era por essa e outras razões que seu nome causava tanto impacto. Era aquele homem que confiou a Red uma missão.

Eles continuaram a ver pedras retiradas das entranhas de montanhas. Algumas delas, segundo o guia, poderiam evoluir alguns Pokémon que não evoluíram naturalmente, outras valeriam uma fortuna para emoldurar o rosto de algum socialite da região.

Ao final da primeira exposição, o grupo saiu por um arco que dava de volta no hall principal do museu, exatamente oposta ao corredor em que eles entraram. Gabbro os levou em direção à escada e então de volta ao primeiro andar, onde de cara eles se depararam com uma seção mais escura, com pequenos pontos luminosos nas paredes. O cômodo simulava o espaço, e no centro, um modelo representando o sistema solar. Algumas pequenas bolas passavam rápido por uma esfera maior que deveria representar o planeta em que eles viviam. O guia explicou que aquelas eram representações de asteroides que estavam próximos do planeta.

— O próprio Monte Lua, aqui próximo a Pewter, recebeu um asteroide há algumas centenas de anos. Muitas das Pedras da Lua que são mineradas até hoje em Kanto são vindouras desse asteroide —completou.

Mais algumas salas a frente, Gabbro mostrou uma pedra completamente branca. Uma maquete de uma cidade em uma depressão rochosa estava logo atrás da pedra. A placa de bronze indicava que era uma representação de uma cidade marítima chamada Sootopolis, na região de Hoenn. A história contava que um asteroide caiu na região e na cratera causada por seu impacto, formou-se a pequena cidade no meio do mar, protegida de todos os lados pelos enormes muros brancos da pedra espacial, que agora, o trio podia ver ali. Os olhos de Yellow brilhavam. Nenhuma pedra já vista na Terra alcançavam tamanha avidez.

— Janine, olha só que linda! — comentou a loira sobre o pedaço de rocha espacial. Ela e Red olharam para trás, mas perceberam que a companheira não estava mais com eles. Ela não estava mais entre o grupo de visitantes e turistas.

No térreo, Janine havia voltado para a primeira exposição. Ela retornou cuidadosamente até a sala onde havia a réplica da pintura rupestre do Mew e, como suspeitava, ali estava uma PokéBola ao chão. Ela se aproximou e pegou a esfera, mas não teve muito tempo para analisar, pois o objeto tremeu e liberou uma forte luminosidade que logo tomou forma. Qualquer treinador iniciante ficaria confuso naquela situação, mas Janine não era iniciante, ela conhecia aquele Pokémon. Uma esfera maior, das mesmas cores da PokéBola — vermelho e branco. Seus olhos demonstravam fúria e confusão. Ela sabia a principal habilidade daquele Pokémon, ele ter sido deixado em um museu tão famoso não podia ser coincidência. Ela sacou uma outra esfera bicolor de sua mochila e lançou contra seu oponente.


Mais uma vez a sala foi tomada por uma luz branca que não demorou a tomar a forma de um pequeno broto com a cabeça em formato de sino amarelado, pequenos olhos negros e lábios bem marcados em vermelho. Folhas ocupavam o lugar dos membros superiores e no lugar dos pés, raízes rastejavam em busca de sustentação. Bellsprout encarou o oponente com ferocidade e esperou o comando de sua mestra.

— B, cuide desse aqui. Eu vou alertar os responsáveis pela segurança do museu. Volto assim que puder.

O broto acenou com a cabeça de forma afirmativa e a ninja rapidamente partiu pela saída que levava à entrada. O Pokémon esférico tentou segui-la, mas foi impedido por um cipó verde que saia por entre as folhas do Bellsprout chicoteando seu caminho.

A planta emitiu um guincho agudo para alertar o inimigo que ele não pegaria leve.

Janine chegou correndo até o hall de entrada do museu, um segurança se aproximou dela e gentilmente pediu que ela não corresse dentro daquelas instalações. Ela não hesitou em gritar.

— Bomba! Terroristas!
— Calma garota, o que...?

O segurança não pôde nem ao menos completar sua pergunta quando um som repentino de uma explosão tomou conta do ambiente. O homem falou algo em seu walkie-talkie enquanto jogava uma PokéBola que materializava um pequeno Pokémon rochoso, sem pernas e com dois braços saindo de corpo-cabeça. Geodude, como um dos que haviam derrotado Red naquela manhã.

Janine imediatamente se pôs a correr na direção da sala onde havia deixado seu Pokémon, mas outras explosões começaram a ocorrer ao redor do museu. A equipe se segurança começou a chamar seus Pokémon para fora de suas PokéBolas. Grupos de Growlithe, Machop e Geodude começaram a se formar para investigar o que estava acontecendo. Ao chegar à sala, Janine viu seu Bellsprout segurando duas serpentes purpuras com suas vinhas. O Pokémon esférico que vira anteriormente estava desacordado em um canto, próximo a uma abertura enorme que se encontrava onde anteriormente era uma sólida parede e por onde agora podia-se ver o lado externo do museu.


Dois homens completamente vestidos de preto com máscaras de gás estavam entrando pela recém-formada abertura da parede. Eles perceberam que as serpentes tentavam avançar pelo prédio, mas eram impedidas por um inimigo inesperado. Um deles jogou uma nova PokéBola para o centro do cômodo que liberou um Pokémon roxo e esférico com várias protuberâncias com orifícios em sua superfície. Perto de seu rosto, um padrão que se assemelhava a uma caveira. Janine adorava aquela espécie de Pokémon, um até mesmo estampava uma de suas camisetas. O treinador não tardou em ordenar:

— Koffing, Smokescreen!


A criatura então tremeu e se encolheu. Dos orifícios de suas protuberâncias começou a emanar um gás escuro, como fumaça de borracha sendo queimada. Janine também mandou um Pokémon. Mais um clarão surgiu, mas dessa vez foi ofuscado pela fumaça, materializando a Pokémon morcego, Zubat.

—Anzu, afaste a fumaça, por favor!

A morcego bateu suas asas de forma veloz para afastar e diluir a fumaça, mas quando Janine começou a ver através dela, os dois homens de preto já haviam sumido.

— B, nos encontramos depois. Conto com você. Anzu, vem comigo.

Janine voltou correndo para o hall de entrada sendo seguida por sua parceira Anzu e confiando no potencial de Bellsprout para lidar com os dois Ekans. Mais explosões foram ouvidas. Os pilares começaram a ceder.

Ao chegar na entrada, a garota percebeu que o grupo de visitantes do primeiro andar estava descendo as escadas, mas pedaços da estrutura caiam por todos os lugares, antecipando o que em poucos instantes se transformaria em tragédia. Mais homens de preto chegavam ao salão acompanhados com vários Rattata e Raticate.

— Fica todo mundo pianinho aí, se não o segundo andar vai desabar —ameaçou um dos invasores. Janine hesitou e virou o olhar parar a escada. Red e Yellow estavam lá entre o grupo de turistas.
— Podemos negociar uma saída segura para todos — tentou um dos seguranças do museu.
— Eu disse quieto! — gritou o invasor e seu Raticate rosnou acompanhando.

Mais explosões. A luz apagou. O ar-condicionado desligou e as luzes de emergência acenderam. Grandes pedras caíram do teto no chão do primeiro andar. Os civis correram para não serem esmagadas e acabaram se separando. A escada se partiu e o grupo de visitantes começou a cair.

— Red, Weedle! — gritou Janine.

O garoto hesitou por um momento sem entender o que a garota quis dizer. Já Yellow, abriu o zíper da mochila do companheiro e pegou suas quatro PokéBolas, entregando-as para o garoto. Ele então lança a que abriga o Pokémon inseto, chamando por sua Weedle.

Red então ordenou pelo String Shot. A pequena lagarta então começou a disparar fios de seda em várias direções tentando desacelerar a queda da grande escada de mármore. Algumas pessoas ali pulavam nos fios para ir o mais longe possível do que viria a se formar escombros. Nenhum deles, no entanto, pousou confortavelmente no chão, machucando a perna ou o tornozelo.

— Yellow?! — gritou Red preocupado.
— Guris! — gritou a ninja se aproximando — Como estão?
— Eu mandei vocês ficarem parados! — gritou outro dos homens de preto antes de um Rattata pular na direção de Janine pronto para atacar com seus dentes.

Weedle pulou do colo de Red pronta para defender o grupo da ameaça, mas Anzu foi mais rápida e veio por cima do roedor, colidindo com seu corpo contra o do inimigo e o derrubando no chão. A pequena Weedle olhou para a colega de equipe de maneira admirada.

 Yellow também retirou sua PokéBola e liberou sua Pichu para a batalha. Mais um Rattata se posicionou e ambos se atacaram simultaneamente.

Três jovens estavam lutando contra os invasores enquanto uma confusão generalizada acontecia, com civis correndo por todos os lados enquanto peças do museu eram destruídas. A polícia ordenou o ataque por parte de seus Pokémon e os invasores focaram em um contra-ataque. Estrondos eram ouvidos de outras áreas do local, mas não havia contingente suficiente para dar conta de tudo ao mesmo tempo.

Os Rattata associados aos homens de preto que enfrentavam o trio adolescente focavam em sua agilidade. Apesar de não serem páreos para Anzu nesse quesito, eles superavam facilmente Weedle e Pichu. A estratégia da lagarta era embolar as patas dos seus inimigos com fios de seda originados do seu String Shot, fazendo que eles tivessem dificuldades para se mover, dando oportunidade para que ela e sua companheira elétrica agissem antes.

Pichu fez força e conseguiu fazer o arco voltaico do ThunderShock, o guiando até um Rattata inimigo, que contraiu seus músculos devido ao impulso elétrico. Anzu esperou o momento certo de atacar, esperando a eletricidade dissipar para usar do Absorb, emitindo um feixe de luz de sua boca que sugou parte da energia do roedor.

Weedle focou no outro Rattata e avançou com seu ferrão, era o clássico Poison Sting. O oponente tentou desviar, mas enrolou seus pés nos fios de seda e tropeçou. Weedle acertou o ataque e as veias de Rattata ao redor da ferida começaram a inchar. Algo naquele ataque não foi comum. Red havia sentido aquilo em seu próprio braço.

Os roedores tentaram revidar usando golpes como Bite e Quick Attack. Anzu recebeu os golpes para proteger a Pichu. Yellow se preocupou com Anzu recebendo o dano para proteger seu Pokémon, mas a ninja a mandou relaxar. Zubat era muito bem treinada e não era qualquer golpe que a faria cair. Ordenou mais uma vez o Absorb para recuperar a energia perdida, e a loira pediu mais uma vez o ThunderShock. Red pediu uma repetição do Poison Sting, que raspou na pata dianteira direita de um dos oponentes.

Os homens que instruíam os roedores, já sem paciência, ordenaram que os próximos golpes fossem nos humanos. Red e Yellow institivamente deram um passo para trás, mas Janine se manteve no lugar. Anzu prontamente recebeu o ataque sem titubear, Pichu se assustou e admirou ao mesmo tempo com a bravura da Pokémon morcego. Janine sabia que a companheira o faria, mas estava pronta caso o ato falhasse. Seu treinamento não era em vão.

Weedle por outro lado pulou em parafuso tecendo seus fios de seda para interceptar o caminho do roedor que mirava seu mestre. Os fios de seda da lagarta envolviam a ela mesma, como se formassem um casulo. Aos poucos os fios tomavam uma nova forma e pareciam mais resistentes e muito menos maleáveis que antes. Agora Weedle havia se tornado um casulo amarelado de olhos visivelmente negros. Mantinha-se de pé com duas partes móveis de sua carapaça e fazia um zunido ameaçador para seu adversário. Red animadamente abriu sua Pokédex que identificou o Pokémon como Pokémon Casulo Kakuna, um Pokémon praticamente imóvel, mas que ainda conseguia envenenar inimigos com seu ferrão.

Kakuna pareceu se tensionar. A Pokédex apontou aquele movimento como Harden, um movimento que aumentava a defesa física do usuário. Kakuna havia usado quando evoluíra e estava repetindo para proteger seu treinador. O Rattata agora ofegava mais e parecia fraquejar em ficar em pé mesmo se apoiando em suas quatro patas. As veias próximas a picada que havia recebido da Weedle agora estavam muito inchadas e roxas. A feição do roedor era de dor e ele parecia fazer esforço para ver.

— NOSSA WEEDLE, QUE INCRÍVEL! — Gritou Red — Você evoluiu? Isso é demais!
— Parabéns Red, Weedle é um dos Pokémon mais fáceis de evoluir, mas para você acho que é uma grande conquista — parabenizou Janine.

O garoto sorriu sem graça e se voltou para a batalha.

Sem mais opções de ataque, Kakuna se manteve com o Poison Sting, mas teve que esperar o oponente se aproximar com um Bite devido à falta de mobilidade. A nova carapaça com a adição de dois Harden anteriormente usados fez com que o dano fosse amenizado.

O combo de ThunderShock seguido de vários golpes Bite de Anzu no flanco do inimigo fez o oponente guinchar de dor e desmaiar em seguida. O homem de preto que o comandava o resgatou para a PokéBola. Anzu então derrubou o Rattata restante com um Absorb e sugou as energias que sobravam do roedor que desfaleceu sem maior resistência.

Algum superior dos homens de preto quis tomar a frente e enviou seu Raticate, que rapidamente cruzou o campo de batalha improvisado cheio de escombros e prendeu Kakuna entre os dentes.

— Red, nossa conversa sobre o Tao, você pode aplicar aqui! O Mankey, use ele! — gritou a ninja ao mesmo tempo em que mais dois Rattata vieram ao encontro de Anzu para ameaçá-la.

Ela não podia estar falando sério. Usar aquele Pokémon rebelde numa situação como essa? O Mankey só traria mais confusão e caos ao que já estava acontecendo. Mas não houve muito tempo para Red pensar. Um estrondo veio da entrada do museu chamando a atenção de todos os presentes.

Uma enorme serpente pedra passou pela entrada, quase raspando o granito do arco, e encarou fixamente os invasores antes de levantar seu enorme corpo. Red então reconheceu o Onix que havia enfrentado aquela manhã, domado por Brock e o mesmo que derrotara seu Pikachu. Do topo da cabeça da enorme cobra de pedra, estava o Líder de Ginásio de Pewter, que, deixou cair cinco PokéBolas ao chão. Uma luz ofuscante tomou conta do salão por um breve momento trazendo seres de pedra. Três deles Red já conhecia a espécie: Geodude. Os outros dois eram de uma espécie maior, de uma pedra enrugada com quatro braços saindo diretamente do seu tronco, que também era onde ficava sua face. A Pokédex indicou que seu nome era Graveler, o Pokémon Rocha, a forma evoluída do Geodude. Red se sentiu um inútil imaginando que se o Brock tinha aquele poder, ele pegou leve na luta, e mesmo assim o garoto havia perdido daquela maneira.


Red então pegou a PokéBola de Mankey de dentro de sua mochila e a jogou para o campo de batalha. O brilho ainda não havia se dissipado quando o guincho do Pokémon macaco foi ouvido pelos presentes. Todos observaram o novo lutador que logo fitou seu treinador com fúria. Se não fosse o inimigo iminente, o Pokémon provavelmente engajaria numa peleja contra seu mestre. Mas ele não era um Pokémon mimado da cidade, ele sabia quando outro Pokémon tinha intenções perversas contra ele, logo virou para Raticate e olhou profundamente em seus olhos, com toda provocação que seu olhar podia passar.

Raticate não esperava a fúria de um Pokémon assim entre os humanos. Ele abriu a guarda. Red não percebeu, mas Janine sabia que o Mankey estava usando Leer, um movimento para diminuir a defesa do oponente. O pequeno macaco-porco espertamente aproveitou a oportunidade para se aproximar do inimigo e dar um Low Kick. O rato caiu no chão e Mankey pulou em cima de seu inimigo numa sequência de Fury Swipes. Ele era o chefe, o líder de todos os Pokémon da região de Kanto, ele mostraria sua força.

Red por outro lado só olhava perdido aquela cena. Ele não comandava nenhuma das ações e encarava Brock no topo de seu Onix comandando um esquadrão de cinco Pokémon sem perder a sintonia enquanto a serpente de pedra defendia a si mesma e a seu treinador com sua cauda. Ele precisava fazer algo. Brock era o primeiro obstáculo para ele alcançar Gary. Se ele não progredisse, como ele iria avançar em sua jornada e preencher as informações na Pokédex para o Professor Carvalho em Pallet?

Ele falhou nos seus primeiros testes. Essa seria sua terceira chance. Não podia mais falhar.

Ele viu que apesar de não estar nas melhores condições, Kakuna ainda estava no campo de batalha. Raticate estava preocupado demais com um oponente mais perigoso para se importar com ela. Logo o garoto pediu que usasse o String Shot e pediu ao Mankey que utilizasse Focus Energy. Este virou para olhar o humano, mas por um instante percebeu o roedor inimigo com a mobilidade debilitada entre fios de seda, então ele sentiu a segurança para tentar focar o próximo ataque. Respirou fundo esperando o momento para atacar, e Red pediu por mais um Low Kick, mas o próprio Pokémon optou por usar mais uma sequência de Fury Swipes muito mais fortes que o normal. Raticate guinchou de dor. Enquanto Mankey gritava com glória, Red se apressou em ordenar um Poison Sting da Kakuna, que apesar em demorar para se aproximar de seu oponente, se apressou em mover seu ferrão para fora do casulo e picar o roedor que se debatia perante aos arranhões vindos do Mankey.

O garoto balbuciou confuso. Logo antes o Pokémon havia obedecido, mas agora tinha decidido agir sozinho. O Raticate conseguiu se desvencilhar do macaco que estava por cima de si e o atacou com um Super Fang. Mankey rapidamente saltou sobre o oponente e escuta o grito de Red sobre utilizar um Low Kick. Dessa vez ele acata a ordem e acerta a lombar do oponente que cai de bruços no chão.

Mais estrondos são ouvidos enquanto o primeiro andar tremia. Os homens de preto levam a mão ao ouvido e pareciam prestar atenção. De supetão, todos os bandidos começaram a recolher os seus Pokémon e a correr em direção à porta de saída.

O Onix de Brock se abaixou para tentar cercar os fugitivos, mas uma fumaça negra espessa começou surgir na sala espantando a todos.

Aqueles que como Janine possuíam algum Pokémon com asas, pediram para que tentassem dissipar a fumaça, mas foram necessários alguns minutos até que isso fosse possível, tempo suficiente para que os invasores já tivessem desaparecido.

Mankey pegou Kakuna gentilmente no chão e levou até Red. O treinador retornou o inseto para a PokéBola e encarou com receio a reação do outro Pokémon. O macaco deu um forte soco na barriga do humano que fez com que este caísse para trás sentado no chão. O garoto encarou seu Pokémon com expressão mista entre dor e confusão enquanto segurava a boca do estomago com as mãos tentando aliviar a dor. Mankey o encarava guinchando e fazendo poses de vitória. O garoto pegou a PokéBola e o retornou antes que apanhasse novamente.

Brock pediu que seu Onix abaixasse seu corpo ao nível do chão para que ele descesse. Os seguranças do museu que ainda estavam por ali vieram se reunir com ele. Red havia se encolhido, ali mesmo no chão, perante a presença de Brock.

Após terminar de parabenizar a Pichu pela performance na batalha, a loira estendeu a mão para o companheiro que estava sentado no chão. Ele usou a mão dela para alavancar sua subida e ficar de pé novamente.

Brock se dirigiu até o trio, enquanto seus Geodude e Graveler se reuniam atrás dele em feições preocupadas. Ele acenou para os três e sorriu para Red. O garoto não soube como reagir e apenas disse um tímido “Oi”.

— Houve uma grande confusão aqui, mas que bom que vocês estavam presentes. Ajudaram os turistas e ainda lutaram contra alguns dos invasores... Eu pretendo dar uma bronca em vocês por serem inconsequentes e enfrentarem bandidos perigosos, mas... Reconheço e admito que vocês têm fibra. — comentou O Líder de Ginásio dando um leve soco no peito de Red em sinal de respeito.
— É... — Começou o garoto sem jeito. — Eles começaram a bagunça, a gente tava em risco... A gente tinha que fazer alguma coisa...
— E não foi só isso! Tinha um cara se passando de turista deixando PokéBolas com Voltorbs por aí! Isso não foi por acaso! Foi premeditado, muito bem planejado! — informou Janine agitada, balançando os braços acima da cabeça.
— Eu vou me unir a Força Policial de Pewter para ajudar nas investigações e combate se necessário. Acho que qualquer pista agora é de grande ajuda.
BELL!

Todos olharam para o lado e deram de cara com o Bellsprout de Janine, que havia emitido o guincho e fora deixado na primeira sessão da exposição dos fósseis. Ele voltava mancando, mas com uma expressão vitoriosa. Arrastava com suas vinhas duas Ekans.

— Johnsonzinho do meu coração! — gritou a ninja correndo para abraçar o velho companheiro. — Você está bem e ainda manteve dois dos inimigos de refém! — ela desviou o olhar para Brock. — Isso serve de pista para você?
— Nossa, que Pokémon forte. Ele fez isso longe do seu comando? Vejo que foi muito bem treinado. Você não busca pelas insígnias?

Janine engoliu em seco e coçou a parte de trás da cabeça enquanto ria sem graça.

— Não... Não me interesso muito pela Liga Pokémon, sabe? Eu quero mesmo é investigar o que a natureza nos dá...
— Entendo. Eu mesmo não me interesso pela Liga em si, apesar de querer me manter no posto de Líder do Ginásio de Pewter — comentou o moreno enquanto passava o olhar pelo nada, com o pensamento distante. Demorou alguns segundos antes que seu raciocínio voltasse à realidade. — Bem, eu acho que eu tenho que ir agora.

Brock pediu para que Johnson “The B.” soltasse as Ekans, agora desacordadas, e ele assim o fez. O Líder então pegou as duas serpentes e as carregou em seus ombros como se elas fossem dois sacos de pluma.

— Vou levar isso até os policiais e me atualizar do caso com eles. Como disse, vou tentar ajudar no que eu puder. — Brock desviou o olhar para Red por um momento. — Você provou hoje que pode evoluir rápido, garoto. Tem potencial. Volte no meu ginásio amanhã à tarde. Podemos ter uma revanche pela insígnia.

Red não soube o que falar enquanto observava o moreno se afastar em direção à saída. Brock já estava longe quando ele finalmente conseguiu responder tão baixo para si mesmo que nem suas companheiras de viagem conseguiram ouvir.

— Estarei lá.



  

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