Notas do Autor - Capítulo 5


E aí pessoal?! Demorou mais chegou! E antes do natal! Meu presente para vocês!Papai Killer entregando alegria!

Ou não, já que o Red só se lasca! Durante uma das nossas conversas no discord (Se você não está no nosso grupo, junte-se agora!) estavam falando dos desastre de cada uma das histórias da aliança e eu comentei como Kanto seria alegre, até que alguém (Se não me engano foi o Dento, me corrijam se não foi) comentou "Kanto é alegre? O Red tomou uma surra na primeira batalha dele!" E aqui estamos nós, a primeira paisagem agressiva da jornada o garoto já consegue ser envenenado e quase ficar lá mesmo, se não fosse pela nossa ninja favorita!

Estou eu aqui, roubando personagens da segunda geração, porem nativos de Kanto, para fechar o clássico formato de trio de protagonistas de Kanto!

Eu quero contar um pouco sobre a escrita desse capítulo, já que eu demorei para escrever. Eu queria principalmente introduzir a Janine e que o Red capturasse a Weedle. Ao mesmo tempo, eu tinha  na minha mente uma cena muito clara do Bellsprout metendo porrada numa Beedrill para pegar o veneno dela. Eu queria fazer a Janine coletando venenos. Após algumas conversas com o Dento, decidi usar o maior clichê do animê e trazer um ataque de Beedrills, mas não sem modificar. Então eu tive que fazer o Red se lascar de novo mais um pouco né? hehe

O Dento me sugeriu fazer a Yellow brilhar no capitulo junto com a Janine, espero que tenha conseguido fazer essas duas musas alcançarem as estrelas! Sem duvidas foi um dos capitulos que eu mais me diverti escrevendo (Eu sei que só foram 5 até agora), mas a Janine já conquistou o meu coração!

Espero ver vocês aqui em Kanto aqui sempre! E um feliz Natal para todos vocês! Que Delibirds e Jynx tragam muitas felicidades!

Smell ya latter!

Capítulo 5

Menina Veneno


A Rota 2 era curta, mas não impediu Red de tentar capturar alguns Pidgeys com ajuda de Rattata, ainda que suas tentativas tenham sido em vão. Uma pena, já que ele esperava adicionar o mesmo poder que vira no Pokémon de Gary ao seu time, além de aumentar os dados em sua Pokédex. Enquanto eles avançavam no caminho em direção à floresta, Yellow brincava com a Pichu em seus braços.



À medida que eles se aproximavam da Floresta de Viridian, percebiam que as copas das arvores ficavam mais densas e mais próximas entre si, como se quisessem abraçar os viajantes que passassem por ali com seus galhos e raízes. A dupla percebeu uma pequena construção no limite entre a floresta e o campo aberto da Rota 2. Era a última parada para os viajantes mudarem de ideia ou encherem as mochilas. Yellow pediu para encher seu cantil com água e Red aproveitou para comprar um sanduiche natural na cantina local antes de adentrarem a floresta.



E então eles finalmente entraram na floresta e não foram necessários muitos passos para perceber que a luz do sol era roubada pelas folhas mais altas das árvores, deixando o ambiente numa penumbra densa. Os olhos da dupla levaram alguns segundos para se acostumar com o ambiente e então Red ficou maravilhado: era uma explosão de vida. Nas frestas entre as folhas era possível observar os Pidgey empoleirados nos galhos mais altos das árvores, descansando, brincando ou procurando presas no solo, enquanto no chão, vários tipos de larvas rastejavam em busca de alimento ou a caminho de seus lares. Oddish pulavam e brincavam ao redor das raízes das árvores como se fizessem uma dança reverenciando a natureza que os envolvia.



— Isso é lindo. — comentou Yellow.
— Sim, e tem tantos Pokémon para pegar! — exclamou Red sacando a PokéBola de Pikachu e liberando o roedor.

Aquele foi o primeiro encontro entre Pikachu e Pichu. O pequeno ficou empolgado de ver sua forma evoluída e pulou do colo de sua mestra para admirar o companheiro de espécie. Pikachu fez pose e eles começaram a brincar, até que um Oddish se aproximou e Red se preparou para a batalha junto com seu parceiro Pokémon. Pichu ficou ao lado de sua treinadora para observar e imitou de longe os movimentos de sua versão crescida para tentar aprender como fazia. Yellow sorriu e decidiu assistir o companheiro.

— Cuidado, Red! — pediu Yellow, mas as palavras soaram como um baque no garoto. Ele não estava confiante como no início de sua jornada, afinal havia perdido para Gary dois dias atrás. Essa não era mais a hora de hesitar, mas de ir com tudo.

Red ordenou o ThunderShock e Pikachu obedeceu prontamente, mas o oponente mal sentiu o dano. Outros Oddish selvagens, companheiros daquele que Red enfrentava, perceberam o que estava acontecendo e fugiram procurando um esconderijo, onde alguns se camuflaram na grama alta, já que no topo de suas cabeças havia folhas que se pareciam bastante com a vegetação rasteira da floresta.

O Oddish atacado ficou para enfrentar o forasteiro.

De algum ponto entre sua folhagem, um feixe de energia verde foi disparado em direção ao roedor amarelo que ficou envolvido em uma aura de mesma cor. Pikachu começou a sentir uma fraqueza estranha tomar conta do seu corpo, mas Oddish logo saltitou de alegria, sentindo que o pouco dano que tinha recebido com o choque já havia sido curado. Red sacou a PokéDex de seu bolso e checou que aquele movimento era conhecido como Absorb.

Pikachu e Red se entreolharam tentando entender o que estava acontecendo, e esse foi o tempo para que Oddish então corresse para longe, fugindo e escapando do campo de visão do treinador e seu parceiro. Red até correu tentando procurá-lo entre a vegetação, porem seu esforço foi em vão.

Mas ele ainda não podia desistir. Decidiu lançar Rattata para fora da PokéBola e juntos enfrentaram algumas crianças de Viridian que iam para a Floresta caçar insetos como Caterpie e Weedle. A cada batalha vencida, Red recuperava um pouco de sua confiança, apesar dos oponentes serem apenas treinadores iniciantes com pequenas lagartas e nenhuma delas chegarem aos pés do Gary no quesito habilidade. Pichu assistia a todas as lutas completamente animada ao lado de Yellow, esporadicamente lançando arcos voltaicos de suas bochechas sem querer e se espantando com tal acontecimento em todas às vezes, o que fazia sua treinadora rir.

Demorou algumas horas até que a caminhada levasse a dupla até as partes mais densas da floresta. Agora os galhos médios das árvores eram conectados por fios seda que se interligavam e se emaranhavam formando uma complexa estrutura que sustentava vários Weedle e Kakuna metros acima do chão. Nenhum outro Pokémon, nem mesmo um Pidgey, ousava se aproximar da ninhada daqueles insetos. No solo, alguns até chegavam perto, mas ao olharem para o alto e perceberem onde estavam, recuavam para onde vieram.

Red e Yellow ficaram maravilhados com a engenhosidade da construção das plataformas de seda sobre as árvores. Observaram as pequenas lagartas amareladas brincando entre si, algumas até iam para alguns galhos para descansar e se cobriam em seda se preparando para evoluir em Kakuna.

Uma das Weedles veio até a borda da teia observar os visitantes. Red se animou e sacou sua Pokédex que analisou a criatura, identificando-o como “Pokémon inseto peludo: Weedle”, uma lagarta peçonhenta, portanto, capaz de injetar suas toxinas em suas presas ou malfeitores através do ferrão no topo de sua cabeça.



O garoto decidiu por liberar Mankey de sua PokéBola. O Pokémon Macaco já estava sem sair de sua esfera há alguns dias e o espaço da floresta talvez fosse livre o bastante para ele. O brilho da esfera iluminou os arredores por alguns segundos e então o Pokémon se deu conta de sua liberdade e soltou um berro. As Weedle se assustaram e se arrastaram para as bordas das raízes rumo às árvores buscando esconderijo. Mankey se virou procurando Red em ao cruzarem olhares, o pequeno macaco se jogou na direção do rosto do treinador.

Yellow gritou com o susto. Red já esperava a rebeldia do seu próprio Pokémon e se abaixou, mas Mankey também tinha ótimos reflexos e se segurou no tronco de uma árvore que estava atrás do garoto. A Weedle que tinha vindo até a borda da construção de seda ainda permanecia lá, imóvel, observando a batalha entre Pokémon e humano enquanto suas irmãs fugiam. Ela parecia confiante no zumbido que ela ouvia mas aquelas criaturas lá em baixo não tinham ouvidos capazes de captar.

Mankey escalou o resto do tronco até um galho e pulou para se agarrar num fio de seda. A lagarta que os observava finalmente se moveu para se afastar do macaco. O impulso que o primata fizera foi o suficiente para partir o fio e estragar a trajetória que ela houvera planejado, fazendo que rodasse no ar e indo de encontro ao chão. Red correu e se jogou no chão para tentar pegar socorrer seu Pokémon, mas não foi rápido o suficiente, e o corpo de Mankey chocou-se de cara, tendo a queda sido amortecida apenas pela grama que ali crescia.

O Weedle rapidamente tentou consertar o estrago feito no ninho de seda usando sua tecnica String Shot. Pichu, confusa com a situação, rapidamente escalou o corpo de Yellow até o topo da cabeça de sua treinadora e lançou um ThunderShock até a Weedle que estava lá em cima. O choque elétrico não foi perfeito como o de Pikachu, sendo disparado com varias voltas e mal direcionado, mas no final, atingiu o alvo desejado com potencia suficiente para que o inseto se contorcesse de dor e caísse do alto, de onde se mantinha segura.

Mas a pequena Weedle não viu problema algum. O zumbido estava mais alto, anunciando que seus irmãos e irmãs estavam chegando. Sua rainha iria obliterar aqueles humanos, com toda a certeza.

O corpo de Weedle não encontrou o chão. Seu ferrão fincou em algo fofo e Red soltou um grito agudo ao sentir a carne de sua pele ser perfurada.

— AAAAAAAI!!!!

O corpo do inseto se balançava preso ao tríceps do garoto humano, ligado por um ferrão.

Weedle ouvia o zumbido cada vez mais alto.

Yellow correu para perto de Red, preocupada. O garoto se levantou e com o braço livre tirou uma PokéBola de sua mochila e encostou no corpo do Pokémon em seu braço, que foi sugado para a esfera. Três vibrações e a esfera parou demonstrando a captura bem sucedida. Um filete se sangue começou a escorrer pelo braço de Red e Yellow correu para pegar uma bandagem na mochila do garoto para cobrir a pequena ferida, apesar das reclamações em forma de dor que Red sentia.

— Está melhor agora? — perguntou ela, olhando preocupada para ele.
—Tô sim — respondeu o garoto. — Valeu, Yellow.

Mankey se levantou atordoado olhando para Red e subitamente mudou seu olhar para o modo fúria, mas não teve tempo de atacar. Da copa das árvores, um enxame de Pokémon amarelos surgiu. Seus olhos vermelhos indicavam ataque, mas não ameaçavam tanto quanto os ferrões em seus braços e no final de seu corpo, onde deveria ser a cauda. A batida de suas asas criava um zumbido que irritava os ouvidos dos presentes naquele local. Weedles começaram a voltar para os ninhos de seda sobre as árvores. Red sacou mais uma vez a Pokédex, mas antes de abrir o equipamento para iniciar a análise das criaturas ao seu redor, uma delas atacou com o ferrão de seu braço.



— Corre! — gritou Yellow.

Red retornou o Mankey para a PokéBola e então saiu em disparada junto com Yellow. Ainda na cabeça de sua treinadora, a Pichu vez ou outra disparava uma carga de eletricidade contra as abelhas, mas sua falta de treinamento fazia que errasse mais que metade das vezes em que tentava, mas quando acertava comemorava como se fosse a vitória suprema sobre o enxame.

Mas Red sentiu uma pontada no lado direito do seu corpo e ficou difícil correr por alguns segundos. Ele pisou em falso e daria de cara no chão se sua companheira não tivesse o ajudado a manter o equilíbrio. Ela perguntou se ele estava bem e a resposta foi positiva. Continuaram a fuga por alguns minutos até despistarem os insetos.

Ou pelo menos eles achavam que o tinham feito.

Red estava suando frio e se sentia muito cansado. Cada passo que dava parecia ficar mais difícil de ser dado. O garoto então resolveu sentar-se na grama e se apoiar em uma árvore. Despiu a jaqueta para tentar se sentir melhor e então Yellow viu em seu braço a bandagem embebedada com sangue vermelho-escuro. Se aproximou e retirou-a com cuidado e viu que, ao redor da ferida que Weedle fizera, um coágulo negro com pus amarelado havia se formado. As veias ao redor da lesão estavam visíveis e pareciam pulsar. Red respirou lenta e pesadamente.

— Red, eu acho que você não está bem... Eu acho que foi aquela picada de Weedle!
— Não... — respondeu baixo e respirou fundo antes de falar algo novamente para recuperar o fôlego — A gente pode... Resolver isso em Pewter... Vamos...

O menino tentou se levantar, mas o seu braço falhou contra o chão e a loira o segurou para que não tombasse contra a terra. Ele gemeu de dor contra a inevitável forma que ela segurou seu braço e o pôs novamente sentado.

— Acho que não vamos conseguir desse jeito, Red. Precisamos fazer algo, imediatamente...

Algo incompreensível foi dito como resposta, o que a deixou ainda mais preocupada. A garota decidiu olhar na mochila de Red e liberou Pikachu e Rattata para tomarem conta do seu treinador enquanto ela decidira procurar algo que pudesse ajudar nas entranhas verdes da floresta.

***

Dessa vez, acompanhada apenas de sua Pichu, Yellow tomou a precaução de se atentar aos Pokémon ao seu redor, sempre procurando por sinais das abelhas amarelas que anteriormente a caçara e andava apenas em uma direção para saber voltar até seu parceiro de viagem. Pichu que estava deitada sobre sua cabeça tentava captar sons com suas grandes orelhas ou sinais elétricos estranhos com sua pequena cauda.

Já estava distante da entrada construída próxima a Viridian e faltava muito para chegar à saída próxima a Pewter e por isso não se encontrava com nenhuma outra pessoa que pudesse ajudar, além de ela mesma não ter conhecimento algum sobre medicamentos. Apertou o passo na esperança de algo milagroso acontecer.

Sons chamaram sua atenção. Pichu guinchou esperançosa. Correndo, Yellow deparou-se com uma garota e seu Pokémon batalhando contra um Pokémon selvagem.

A garota parecia mais velha que Yellow e era um pouco mais alta. Trajava um macacão sem mangas preto como a noite com uma faixa rosa na cintura combinando com seu cachecol de mesma cor. Em seus pulsos e tornozelos, usava pulseiras e tornozeleiras roxas de algodão para evitar que o suor escorresse para suas mãos e pés. Seus sapatos pareciam meias de tão flexíveis e confortáveis que eram, mas se enganava quem achava que seus pés estavam expostos. Seu cabelo curto estava penteado para trás e preso num elástico formando um grande coque espetado na parte de trás de sua cabeça. Em suas costas, uma mochila que se assemelhava a uma sacola de cor preta com um símbolo desconhecido por Yellow: .



A desconhecida dava ordens para um Pokémon que que se mantinha parado no ar batendo suas asas e se assemelhava a um morcego de coloração azul. Não aparentava ter olhos em sua face. Em sua boca os caninos chamavam a atenção. O morcego encarava uma criatura quadrúpede de coloração verde. Em suas costas, um bulbo de um vegetal estava presente, mas não parecia que estava sendo carregado, fazia parte do Pokémon em si. Seus olhos eram vermelhos e olhavam atentamente para o oponente a frente.



— Anzu, use Supersonic! — ordenou a garota para seu Pokémon morcego.
— Com licença... — pediu Yellow, surpreendendo tanto a garota quanto os Pokémon que estavam em combate, interrompendo a luta — Eu preciso de ajuda!
— Ajuda? — repetiu a estranha virando o rosto para observar quem se aproximava — Hein? Não dá para esperar um minutinho? Eu meio que estou ocupada tentando pegar aquele Bulbasaur.
— Desculpe... Mas estou com pressa, meu... — a loira hesitou sobre como chamar Red. Apesar dele ter sido muito gentil com ele e ter prometido que a protegeria durante sua internação, ela mal o conhecia, não dava para o chamar de amigo, ainda. — ...Companheiro de viagem está passando mal. Acho que ele foi envenenado.
— Envenenado? — refletiu a outra. — Acho que posso te ajudar, afinal eu sou... — a garota com um salto mortal girou no ar ao redor do próprio eixo e pousou de pé numa posição heroica, encarando Yellow face a face. Pichu aplaudiu os movimentos surpreendentes da garota o que a deixou ainda mais satisfeita e envaidecida — Janine, a grande ninja venenosa! Conhecedora de todos os venenos existentes, treinada pelos grandes mestres de Kanto e Johto! Sei envenenar e curar, me ocultar nas sombras e ma...

Enquanto a garota se apresentava fazendo várias poses para demonstrar seus dotes, seu Pokémon se aproximou e fez algum ruído baixo próximo ao seu ouvido. A ninja olhou para trás e percebeu que o Pokémon que desejava capturar havia fugido.

— Mas... AONDE ELE FOI?! — gritou a ninja Janine agitada. — Ah não... — então retornou a atenção mais uma vez para Yellow — Tudo bem... Agora tenho tempo de te ajudar, diga aí o que você precisa que a mestra aqui te ajuda.

Janine envolveu a loira pelo ombro com um de seus braços, o que fez a mais nova se contrair um pouco sem saber como reagir, mas ela repetiu seu mantra mentalmente que não podia deixar Red sem ajuda e então explicou o que aconteceu com o garoto. Comentou do acidente com a Weedle na região mais densa na floresta e por mais incrível que parecesse, a ninja conhecia aquele Pokémon e conhecia as abelhas que os atacara: Beedrill. A mais velha pediu para ver Red e então foi guiada até o garoto.

Então Yellow guiou Janine pelo caminho de volta até o menino, que agora estava deitado sobre a grama. Rattata tentava confortá-lo enquanto Pikachu ficava atento para combater qualquer um que tentasse atacar seu treinador ou roubar seus pertences. Red havia piorado enquanto sua companheira estava procurando ajuda, agora estava inconsciente e completamente pálido, tremendo como se estivesse sentindo o frio congelante dos ventos do norte das terras longínquas de Sinnoh, mesmo que a floresta apresentasse um clima ameno naquele horário. Janine encostou a mão no pescoço do enfermo e percebeu que ele não devia estar tão quente. Observou o braço do garoto e percebeu que a ferida não tinha começado a cicatrizar ainda, o que era um mau sinal. Janine que antes estava neutra e despreocupada mudou completamente sua expressão.

— Isso não é nada bom. Humanos não foram feitos para serem intoxicados pelos Pokémon.
— O que podemos fazer então?

Janine tirou um saco de dormir da mochila de Red e o ajeitou sobre o chão. Com ajuda de Yellow, cuidadosamente colocou o garoto sobre aquele colchão. Ela então começou a coordenar comandos para Yellow, pedindo para que a loira segurasse o braço garoto envenenado “com toda a força, para não se mexer”.  Retirou uma garrafa de Fresh Water de sua própria sacola e se prontificou a lavar o ferimento. Mesmo inconsciente, Red involuntariamente puxou o braço para longe da água assim que a primeira gota entrou pelo ferimento e tocou sua carne desprotegida. Yellow, que não esperava a reação, deixou o braço escapulir de suas mãos por alguns segundos até segurá-lo novamente.

Com calma e habilidade, Janine limpou a ferida no braço do recém-conhecido. A loira não conseguia olhar diretamente para a carne viva do companheiro quando a outra jorrava água diretamente dentro do ferimento, pois sentia como se a lesão fosse nela própria. Logo o ferimento estava devidamente limpo e o sangue escuro coagulado não estava mais lá, com as veias antes visíveis sem pulsar mais sangue para fora do corpo enfermo.

O sol já havia se posto. A ninja pediu que Yellow tivesse paciência e esperasse até o dia seguinte para que concluíssem o tratamento, já que durante a noite sua Zubat era a única que teria perfeita visão.

Yellow e Janine não tinham sacos de dormir ou colchonetes. A ninja devido ao seu estilo de vida, subiu até o galho mais baixo da árvore que anteriormente Red se apoiara e se sentou ali, fazendo alguns movimentos com suas pernas e se sentiu presa o suficiente no galho e dormiu ali, não sem antes pedir que sua Zubat permanecesse acordada e alerta para ataques de outros caçadores noturnos.

Red e Yellow não imaginaram que acampariam na floresta, então não se preocuparam em comprar um saco de dormir para ela em Viridian. Ela dormira no chão de cimento da cidade anteriormente, mas sua mente estava confusa então não foi tão desconfortável, mas a grama incomodava agora que estava deitada completamente sobre ela, espetando sua pele aqui e ali. Desejava deitar no saco de dormir com Red, queria que ele estivesse bem para que ela pudesse pedir isso a ele, mas era muito egoísmo fazer esse pedido com ele naquele estado. Apenas retirou sua bata para tentar fazer de colchão e foi o máximo que conseguiu. Dormiu à relva depois que cansou de resistir aos incômodos da floresta.

***

A manhã chegou antes mesmo que o sol terminasse de nascer. Janine desceu da árvore ao mesmo tempo que grupos de Oddish saiam de suas tocas para iniciar a rotina diária. Aqueles Pokémon queriam aproveitar todos os raios de sol que pudessem e Janine queria correr contra o tempo para produzir o antidoto para o garoto que acabara de conhecer. Acordou Yellow e explicou a situação.

Ele precisava de algo que agisse rápido. Para isso ela precisava de algo mais potente que o veneno da Weedle, então ela precisaria coletar veneno de Beedrill. As duas precisavam voltar ao território das abelhas para essa missão, ao mesmo tempo em que deveriam evitar os ferrões para não acabar na mesma situação do garoto.

Yellow engoliu em seco. Ela não tinha nenhuma habilidade para treinar Pokémon como Red ou dar cambalhotas como Janine, mas ela devia isso ao garoto e concordou. Como no dia anterior, Rattata e Pikachu ficaram de guarda protegendo seu treinador enquanto as garotas partiram em direção à mata fechada.

Havia uma dica: Yellow se lembrava que a área do acidente era mais densa, portanto elas seguiram buscando o caminho que as levassem rumo a esse destino. Não demorou muito para que a loira reconhecesse os fios de seda aparecendo sobre as árvores e avisasse Janine. Pichu guinchou de felicidade e a ninja deu um pulo para trás de susto. Aquela era uma missão furtiva, então pediu educadamente para que a parceira retornasse o pequeno para a PokéBola antes de prosseguir pela trilha.

Ela pensou em liberar sua Zubat. Seu voo era silencioso, e ela podia detectar presenças sem precisar enxergar utilizando ondas ultra-sônicas, mas achou que podia estar exigindo demais da pobre criatura que ficou acordada durante a noite e que agora deveria estar dormindo. Seu outro Pokémon não era usado para rastrear, mas para combate direto, então ela preferiu não utilizá-lo agora. Ela faria o seu melhor por si mesma.

Perguntou para Yellow se conseguia ver o ninho de teias sendo formado aos poucos sobre o topo das árvores. Elas estavam se aproximando da colméia principal. A loira assentiu em afirmativo com a cabeça e então com dois saltos Janine alcançou o fio de seda e comandou que Yellow a acompanhasse pelo solo enquanto ela seguia pelo fio de seda como fosse sólido. Não parecia ser tão frágil, apesar de Mankey ter quebrado um ao tentar se pendurar. Vez ou outra Janine parecia se desequilibrar, mas dando um salto mortal para frente ela conseguia firmar seu equilíbrio novamente sobre o fio de seda como se estivesse resetando o atributo. Pelo chão, Yellow corria tentando não fazer barulho acompanhando a líder da missão.

Logo chegaram ao ninho das Weedle, com as lagartas e os casulos imóveis. Nenhuma Beedrill estava à vista.

— Falhamos... — comentou Yellow, começando a deixar o desespero tomar conta de sua mente.
— Mantenha a calma. — ordenou Janine. Ela saltou sobre os insetos e pousou no centro do ninho de seda. Dessa vez, ao invés de usar a leveza de antes, usou todo o peso de seu corpo para partir os fios de seda, derrubando as conexões centrais. As Weedles logo trataram de tentar se segurar e começaram a correr na direção da árvore mais próxima. Os Kakuna mais firmes se chocaram fortemente contra os galhos e troncos de árvore espalhados por todos os lugares enquanto outros que não estavam tão seguros caíam diretamente contra o chão e gemeram. Janine caiu no chão de pé com um olhar alerta para a floresta.
— O que foi...? — indagou Yellow, espantada.
— Pichu! Agora!

A loira pegou a PokéBola em seu cinto e libertou seu Pokémon. Não sabia direito o que fazer, então imitou Red e pediu um ThunderShock. Pichu já tinha aprendido da última vez que alvos móveis são mais difíceis de acertar então mirou nos casulos que estavam no chão. Após cada eletrocutada, os casulos vibravam cada vez mais. Yellow sorriu imaginando que era sinal do dano que estavam sofrendo de Pichu, mas Janine sabia que era o sinal de socorro que eles estavam emitindo, e a resposta já devia estar chegando. Anzu poderia captar a resposta se estivesse com elas, mas dessa vez tinha que deixar sua companheira descansar e se concentrar sozinha.

Em pouco tempo, Yellow se assustou e pulou para trás ao ver as abelhas surgindo das árvores, furiosas e prontas para atacar como no dia anterior. Elas eram mais do que Janine esperava. A ninja sacou duas PokéBolas de dentro do macacão e liberou Anzu e outro Pokémon. O segundo parecia desengonçado, pois seu corpo consistia num caule fino e flexível. Seus pés eram raízes e seus braços aparentemente eram duas folhas grandes anexadas ao seu corpo. Sua cabeça era uma planta amarela que se assemelhava a um sino, com lábios róseos na boca e dois olhos pretos. Era um Pokémon conhecido por Bellsprout e que era bastante subestimado por diversos treinadores.



Yellow pediu para que Pichu mirasse os ataques nas Beedrills e assim foi feito, enquanto Bellsprout e Zubat eram muito ágeis e partiram para o ataque físico. Durante a confusão, Janine perdeu seu Bellsprout de vista, mas comandava a morcego com maestria, que desviava com manobras aéreas dos ferrões e mordidas das abelhas. Pichu permanecia próxima dos humanos lançando cargas elétricas e dando cobertura para os companheiros.

As abelhas continuavam a atacar repetidamente e vez ou outra acertavam Anzu. Janine estava preocupada com Bellsprout e queria correr para o meio da confusão, mas estava impossível com o paredão de ferrões que se formara em sua frente. Zubat era a única coisa que protegia as humanas ali, além de Pichu. Ela deveria confiar que seu outro Pokémon estava bem.

Com um Supersonic, a morcego e sua treinadora perceberam que podiam causar discórdia no enxame inimigo, e essa passou a ser a estratégia principal. Agora, além dos danos das mordidas da Zubat e de serem fritadas pela eletricidade da Pichu, vez ou outra uma Beedrill era atingida e ferida por uma companheira do próprio grupo. As que ainda estavam sóbrias começaram a recolher os Kakuna que estavam caídos no chão ou presos nas árvores e voaram dali. Outras demoraram que o número dos membros de seu exército estava diminuindo.

Os ataques de Pichu e da Zubat continuaram. O Pokémon de Yellow vez ou outra balançava sua cauda para os inimigos que, assustados, se distraiam e pareciam ficar mais afetados pela mordida de Anzu. Apesar disso, Janine tentava esconder a preocupação de que elas precisavam pegar uma daquelas Beedrill para coletar o veneno antes que todas se esvaíssem. Calmamente ela pôs a mão na mochila e achou um tubo de ensaio de vidro com uma tampa. Seria o recipiente perfeito para guardar o veneno e ele deveria estar em mãos para não haver falhas.

Uma das abelhas então se aproximou mirando seu ferrão dianteiro na Zubat. Janine saltou em um galho e se impulsionou na direção do Pokémon estendendo a mão direita que estava vazia, pronta para derrubá-lo no chão.

— Eu sou Janine, a ninja venenosa, a melhor no que eu faço! E por isso vou te pegar! — gritou a garota se apresentando para a vítima.

A Beedrill percebeu a ninja se aproximar e voou para longe, se escondendo entre a copa das árvores. Janine caiu com o peitoral na direção do chão, mas conseguiu girar e cair de costas no último segundo.

— Você está bem? — perguntou Yellow, preocupada.
— Sim... Desde crianças os ninjas são ensinados a cair — respondeu enquanto se levantava sem reclamar de nenhuma dor. — Agora temos que nos preocupar em pegar uma dessas Beedrill.

A cada segundo que passava, menos abelhas ficavam no local, seja fugindo sozinhas ou levando os casulos. As garotas perceberam que todas já haviam retirado os Kakuna e Weedle em perigo dali e recuaram, percebendo que aquela era uma derrota para ambos os lados.

Yellow ao perceber que todas as Beedrills fugiram olhou para Janine em um misto de tristeza e desespero.

— Eu... Me... É que... Desculpa... — pediu a loira. Pichu se aproximou de seus pés e fez carinho em seu tornozelo tentando acalmar a treinadora.
— Tudo bem. Eu também falhei. — respondeu a outra encarando o chão.

Um berro surgiu próximo dali e as garotas direcionaram a atenção para a origem do som. Janine reconheceu de imediato que Bellsprout estava chamando. Notaram que o Pokémon se aproximava com uma Beedrill imobilizada, enrolada por seus cipós, ainda de que vez ou outra a abelha tentava mover um ou outro membro sendo cada vez mais apertada pelas vinhas. O Pokémon de Janine bateu a abelha violentamente contra o chão e berrou novamente. Janine entendeu e abriu o tubo de ensaio posicionando-o no ferrão da cauda da Beedrill. O pequeno broto então pisou no abdome da abelha com suas raízes e começou a espremê-lo com toda a força que tinha. Gotas de coloração alvo-esverdeada começaram a pingar no tubo de vidro. Ao conseguir um volume mais que suficiente, a ninja pediu para que Bellsprout parasse. O Pokémon então jogou a abelha contra uma árvore e ela desmaiou ali mesmo.

— Obrigada “B”. — Sussurrou Janine para seu Pokémon, beijando o topo de sua cabeça.

A ninja retornou seus Pokémon para suas devidas PokéBolas e correu junto à Yellow de volta para onde as duas haviam deixado Red.

***

Para Yellow restava apenas esperar. Janine passou a tarde medindo, moendo e misturando itens e ingredientes recolhidos pela floresta até chegar à conclusão de que estava com a mistura e quantidade ideais dentro de um pequeno frasco para curar Red. Com uma seringa sugou todo o conteúdo e conectou uma agulha, introduzindo-a no braço oposto à ferida e injetando o antídoto caseiro que havia fabricado.

Antes de a noite chegar, Janine olhou e limpou novamente a lesão do garoto. Sorriu aliviada em ver que, desta vez, a cicatrização já estava se iniciando, colocando uma bandagem para evitar que os movimentos do garoto durante o sono fizessem com que a carne exposta tivesse contato com a grama.

Yellow e Janine conversaram deitadas na grama até dormir, esperando que na manhã seguinte Red estivesse melhor.

***

Dessa vez Janine se permitiu dormir até mais tarde e esperou até que o sol a acordasse. Ela foi a primeira dos três a acordar, apressando-se em checar o estado de saúde do garoto. Sua pele estava corada novamente, sua temperatura estava normalizada. Ele não tremia mais. Estava bem de novo. Ela havia conseguido salvar uma vida pela primeira vez. Tinha dado certo. Ela suspirou aliviada.

Então Yellow e Red despertaram. O garoto não lembrava muito bem do que acontecera depois de fugir das Beedrill, então a loira o atualizou contando da aventura que teve com a nova conhecida. Janine novamente se apresentou.

— Janine é meu nome! Ninja venenosa é meu título! Sobre venenos sei tudo o que há para saber! Salvei sua vida garoto, junto com sua amiga aqui, claro, mas meu Bellsprout fez o trabalho de capturar o inimigo e juntar o veneno, por isso que sou a melhor ninja de minha geração!

Red estranhou a forma que ela contava seus feitos e olhou para Yellow, mas a garota simplesmente sorria, admirando a ninja.

— Certo aí, grande ninja. Prazer em te conhecer e obrigado por tudo. Agora, se nos permite, eu e a Yellow vamos seguir para Pewter.
— Pewter é? Eu também estou indo pra mesma direção — Janine pensou um pouco e complementou — O que acha de irmos juntos? Parece que vocês precisam da minha ajuda no final das contas, afinal eu sou a grande Janine! — e terminou a frase dando um mortal para trás.

Red mais uma vez estranhou o comportamento da garota e imaginou se todas as pessoas da cidade grande se comportavam daquela forma, ou se era um comportamento particular apenas dos ninjas. Olhou novamente para Yellow procurando algum apoio, mas a garota continuava a sorrir encantada.

— Eu acho que seria ótimo! — comentou a loira.
— Hein? Sério? Bem... Eu realmente sou grato por ter salvado a minha vida... E no fim das contas, acho que seria muito legal ter uma pessoa que entende de ervas medicinais viajando com a gente, afinal, a gente pode ficar doente, não é mesmo? — comentou Red, tentando procurar enxergar as excentricidades daquela garota de forma positiva.
— Então vamos lá! — gritou a ninja agitada. — Pewter fica naquela direção e se nos adiantarmos, chegaremos lá antes do anoitecer! Amanhã poderemos visitar o museu! E tem um Ginásio bacana! Ah, também podemos dormir no Centro Pokémon da cidade! E por que a gente não ressuscita uns fósseis? Seria massa demais! — Janine tagarelava conforme caminhava ao lado de seus dois novos amigos.

Basta que uma vida permaneça em movimento para que encontre e influencie outra. É assim que o destino age, fazendo que três jovens que nada têm em comum se encontrem em meio a uma floresta e juntos partam rumo à cidade cinzenta de Pewter.




 

Recorrentes





Neto do grande Professor Carvalho, Gary Carvalho nasceu e cresceu na pacata cidade do interior de Pallet sob tutela de seu avô, quem o ensinou tudo o que sabe.

Além de se dedicar em casa nos ensinamentos de seu avô, sempre fui muito esforçado na escola. Gostava de tirar boas notas e mostrar para seus colegas a sua pontuação, além de fazer questão de contar sobre sua relação com o renomado pesquisador e professor Carvalho da cidade de Pallet, a qual tinha muito orgulho.

Seu modo de agir acabou fazendo que surgisse uma inimizade entre ele e Red. Os dois garotos acabavam discutindo sempre que se encontravam desde que se lembravam.

Atualmente, recebeu uma missão de seu avô para completar os registros na Pokédex, então partiu em viagem por Kanto buscando honrar o nome de seu avô, além de ser um ótimo treinador para desafiar a Elite dos 4 e provar o seu valor.

Time:





Professor Carvalho é um cientista mundialmente reconhecido pelas suas pesquisas sobre Pokémon. É um amante e entusiasta da ciência, sempre pronto para tirar qualquer duvida que esteja ao seu alcance.

Seu sonho é montar uma enciclopédia Pokémon e começou a dar forma a ela através da Pokédex, mas se considera velho e fraco para preenchê-la. Viu em seu neto, Gary, e em um garoto da vizinhança, Red, a juventude e o entusiasmo necessário para viajar o mundo e descobrir que é necessário para esse trabalho e encarregou os dois garotos e cumprir essa missão.

Atualmente vive na pacata cidade de Pallet, onde montou seu laboratório e alguns estudantes decidiram o seguir em busca de aprendizado e conhecimento.


Notas do Autor - Capítulo 4


E aí pessoal?! Quem diria que Kanto teria 2 capítulos em menos de 3 meses?!

E dessa vez um capitulo mais quieto, sem correria, mas nem por isso sem grandes acontecimentos, afinal vocês e o Red conheceram a primeira pessoa que irá acompanhá-lo em sua jornada! E ela ainda conseguiu fazer sua primeira captura! Um pequeno Pichu para acompanhar o Pikachuzão em suas peripécias!

Já tinha uma galera largando os predicts que a garota desmaiada era a Yellow, mas eu não lembro de ninguém acertar o Pokémon que estava com ela. Parabéns a todos que acertaram sobre a presença dela na história, mas espero que vocês curtam bastante ela, por que minha intenção foi fazer que ela estivesse aqui para trazer algo a mais.

Uma das coisas que eu mais gostei de escrever, e foi uma das últimas ideias que eu tive para acrescentar no capitulo foi o pesadelo dela. Não sei o que vocês acharam, mas eu realmente gostei muito, e tentei descrever do melhor jeito possível que minhas habilidades me permitem. Essa ideia surgiu quando eu estava indo dormir, alguns dias antes de terminar o capitulo, e eu estava pensando em como eu podia fazer com que ela ainda lembrasse do nome dela, e simplesmente me surgiu essa ideia e não consegui dormir na hora porque fiquei empolgadão e tive que anotar no bloco de notas do celular.

Além da Yellow finalmente deixando de ser uma mendinga nas ruas de Viridian, tem o Red, tendo um pequeno complexo né? Ele perdeu para o Gary e está se sentindo culpado, apesar de, na teoria, não ter culpa nenhuma. Ele pediu perdão para o Pikachu e o Rattata e agora só resta ver como dar esse passo vai fazer ele evoluir como treinador.

Agora é rumar para a floresta de Viridian. Smell ya latter, folks!

Capítulo 4

A Garota Solitária


Red estava com pressa. Não demorou muito até que chegasse a Viridian novamente, seguindo para o Centro Pokémon para ajudar seus companheiros e procurar abrigo, já que estava quase anoitecendo. Foi seu primeiro dia de jornada, e apesar de ter conseguido dois novos Pokémon, tinha sofrido uma humilhação na rota 22. Ele estava perdido em seu caminho, filosoficamente falando.

Correndo pelas esquinas da cidade, o garoto parou abruptamente ao notar um corpo caído à sua frente. Aproximou-se cautelosamente e observou que era uma garota de cabelos loiros que vestia roupas maltrapilhas e que tinha aproximadamente a mesma idade dele. Parecia ter se arrastado por alguns metros e desmaiado ali. Ao lado da garota, um pequeno Pokémon roedor de pelos amarelos a olhava preocupado, guinchava e tentava erguer a garota de todas as formas, porém sem sucesso. As pontas de suas orelhas, seu pescoço e a cauda eram pretas e angulares. As bochechas que armazenavam energia elétrica eram rosa e ele se assemelhava bastante com o Pikachu que o garoto havia ganhado do Professor Carvalho. A PokéDex do garoto informou que o nome da criatura era “Pichu”, e ele era realmente a forma pré-evoluída de Pikachu — agora fazia sentido a semelhança.



Red se dirigiu depressa até a jovem desmaiada e tentou erguê-la do chão, mas os músculos dela não possuíam nenhum tônus, o que dificultou o trabalho porque assim fazia parecer que o corpo era mais pesado do que realmente era. Ela parecia uma boneca de pano muito pesada e o corpo do garoto também estava exausto por ter andado o dia inteiro. Pichu tentou ajudar empurrando a garota, mas seu gesto era apenas simbólico naquele momento, afinal Red estava fazendo todo o trabalho sozinho, tentando carregar a menina apoiando-a em suas costas.

Após algumas tentativas, conseguiu algum resultado. O peso do corpo desfalecido da garota sobre sua coluna vertebral fez com que os músculos das costas do rapaz trabalhassem mais e começassem a reclamar em forma de dor, mas ele não podia deixar ela ali desmaiada. Estava quase anoitecendo e ele pretendia passar a noite no Centro Pokémon. O hospital também poderia cuidar dela, então Red só precisava aguentar até lá, se esforçando ao máximo para conseguir carregar a garota misteriosa e dividir espaço com sua mochila nas costas. Pichu, que anteriormente tentava fazê-la acordar, agora acompanhava Red, correndo para compensar as passadas do humano com suas pequeninas patas. A feição do pequeno roedor era de preocupação com o que poderia acontecer com a garota.

Demorou alguns minutos até que chegassem ao Centro Pokémon, o suficiente para que o sol terminasse de se pôr e a noite tomasse conta do imenso céu naquele fim de verão. Red imediatamente se dirigiu até o balcão de atendimento e pediu que cuidassem da garota loira com urgência, mas ela não possuía documentação, muito menos uma licença de treinadora, por tanto não possuía direitos de ter atendimento naquelas instalações.

— O que você quer dizer com não tem direitos?! — perguntou Red incrédulo.
— Desculpe senhor, mas essas são as regras.
— Isso é um lugar de cuidar dos feridos e doentes! Ela estava desmaiada na rua! Vocês têm que ajudar ela!
— Sem a licença de treinador, o Centro Pokémon não pode agir.

Pichu guinchava indignado.

— Se fosse eu no lugar dela, vocês me aceitariam e cuidariam dos meus Pokémon? — desafiou Red aumentando o tom de sua voz mostrando sua licença na Pokédex.
— Sim senhor, nesse caso seria possível.
— Pronto! Então aceitem ela com a minha licença!

Pichu olhou para Red totalmente maravilhado. Prontamente ergueu o tom de voz e começou a protestar também, esbravejando contra a recepcionista no balcão.

— Desculpe? — a mulher parecia não ter entendido a proposta.
— Eu tenho a licença. Ela vai ser internada no meu lugar. Pode registrar aí agora. Vamos! — Red estava quase gritando com a recepcionista, que se encolhia em seus ombros.
— Não temos registros de casos assim... Por favor, poderia falar um pouco mais baixo, senhor? — A moça estava completamente vermelha, morrendo de vergonha. Com as mãos trêmulas, tentava acalmar Red.
— Ótimo! Então se não tem registros, não é proibido, comece o cadastro — respondeu falando mais alto e entregando a própria Pokédex.

A recepcionista percebeu os olhares de outros treinadores sendo atraídos para o garoto escandaloso e a garota em suas costas. Ele não estava errado: Não era proibido, mas chamar atenção assim poderia fazer com que outros pudessem ter a mesma ideia. Ela pensou rápido e decidiu cadastrar a garota com a licença dele e reportar aos superiores para que não ocorresse novamente outros casos assim no futuro.

Depois que a garota foi devidamente encaminhada para a enfermaria, Red deixou seus Pokémon no serviço de cuidado Médico-Pokémon para se recuperarem da batalha de mais cedo. Só então se preocupou em pedir um quarto para passar a noite. A recepcionista lhe entregou um cartão-chave, indicou o caminho até o quarto e informou que os Pokémon seriam devolvidos em perfeitas condições de saúde pela manhã.

O garoto se dirigiu para o cômodo ao qual foi designado, tentando relaxar um pouco da sua tensão a cada passo que dava e não se importando em demonstrar desleixo na postura a cada vez que ficava mais próximo do quarto. Preocupações tomavam conta da cabeça de Red enquanto ele alcançava a porta, mas ele não tinha o que fazer agora. Seus Pokémon estavam machucados, a culpa era dele, mas ele não podia curá-los. Ele teria que resolver isso pela manhã, não é?

Quando chegou ao quarto, passou o cartão para abrir a porta e entrou, mas antes de fechá-la, percebeu que o Pichu que permaneceu com a garota desacordada no meio da estrada e o estava o seguindo até agora estava prestes a entrar no quarto também.

— Você quer esperar ela aqui comigo?

A criatura respondeu afirmativamente com a cabeça.

— Tudo bem então, pode entrar — autorizou Red, muito cansado para discutir alguma coisa.

O quarto era pequeno, mobiliado apenas com uma cama e uma mesa de cabeceira e um espaço suficiente apenas para circular entre a cama e o banheiro. Ele foi logo tomar banho para relaxar do longo dia percorrido nas rotas ao redor, correndo e apanhando dos Pokémon.

Após sair do banheiro, deitou na cama. O pequeno Pichu subiu no colchão e se aninhou ao seu lado. Red o olhou por alguns segundos, mas nada disse devido ao cansaço. Acabou dormindo em questão de minutos.

***

O colchão da maca era macio, mas aquela posição em que a colocaram não era a mais confortável. Por incrível que pudesse parecer, o concreto em que havia deitado mais cedo estava melhor. Finalmente a garota estava despertando.

A segunda coisa que chamou sua atenção foram bipes ritmados vindos de um aparelho a sua direita, então ela decidiu abrir as pálpebras e virar o pescoço para observar o que estava emitindo o som. Era um monitor que mostrava um gráfico verde sempre repetindo o mesmo padrão em sincronia com os bipes. Ela percebeu que alguns cabos se conectavam na lateral do monitor e seguiu o caminho que eles faziam com o olhar, constatando que a outra ponta deles estava em seu tórax, cada um em um ponto diferente, presos com uma espécie de adesivo.

Ela decidiu retirá-los, mas ao levantar sua mão direita percebeu que haviam introduzido algo profundamente em sua pele, algo que se assemelhava a uma agulha feita de plástico que também estava presa por um adesivo. Por essa agulha, um liquido transparente que jazia numa bolsa presa numa estrutura metálica acima da maca era injetado para o corpo da garota vagarosamente.

Usou sua mão esquerda para tirar o acesso e utilizou do próprio adesivo para estancar o pequeno sangramento. Então começou a tirar todos os cabos que estavam presos ao seu corpo. O bipe da máquina se tornou um som constante.

Ela se levantou. Dessa vez os movimentos estavam mais fáceis, seus músculos estavam obedecendo de prontidão, mas outro problema apareceu: Uma enfermeira de cabelos rosados e um médico apareceram para verificar o motivo do bipe ter se alterado e viram a paciente em pé.

— Você acordou, que bom! — exclamou a enfermeira.
— Se lembra o que aconteceu com você?

A garota pareceu confusa. Não conhecia nenhuma daquelas pessoas e simplesmente correu entre eles, jogando-os para os lados e fugiu para o corredor. Os profissionais caíram e bateram contra os moveis e equipamentos enquanto a garota já procurava uma saída do prédio. A enfermeira ligou para a recepção do telefone ao lado da maca e avisou que a paciente estava tentando fugir.

A garota continuou correndo pelo corredor, tentando a sorte ao escolher um dos lados para seguir. Achou uma escada e desceu até o térreo, onde achou uma porta de vidro que se abriu para o lado com sua proximidade. Ao atravessá-la, a garota adentrou o saguão do Centro Pokémon, sendo encarada por várias pessoas que estavam presentes no local.

Ela chamava a atenção não só pelo fato de estar correndo e ter surgido de repente, mas também por estar trajando a camisola hospitalar alva-esverdeada típica de pacientes internados. Ela percebeu que uma porta maior de vidro levava até o ambiente externo e correu até ela, pronta para alcançar a saída das instalações médicas. Mas quando o sensor detectou sua presença e começou a abrir a porta, assim que a diferença de pressão entre os ambientes fez o vento soprar para o hall do Centro Pokémon, a cabeça da garota latejou e tudo ficou preto diante dos seus olhos.

Em um choque, suas pernas cederam. O braço que havia colocado na frente de seu rosto, pronto para quebrar o vidro se fosse necessário também perdeu a força e relaxou completamente, até que caiu na entrada do Centro Pokémon. O detector da porta automática ainda reconhecendo sua presença, mantinha a porta aberta, fazendo com que ela recebesse o frio vento noturno de Viridian em seu corpo desprotegido.

Três médicos acompanhados de um grupo de seis enfermeiros e duas Chansey se aproximaram. Juntos a posicionaram numa maca móvel e alertaram a todos no saguão que estava tudo bem, antes de levar a garota loira de volta para o quarto na enfermaria.

***

Demorou um bom tempo até que a claridade da manhã estivesse forte o suficiente para incomodar Red o bastante para que ele acordasse. Devagar, o garoto se pôs sentado na cama e bocejou, fazendo o pequeno Pokémon amarelo rolar pelo colchão, ainda em estado de sono.

Após a higienização matutina do corpo, ele acordou Pichu e juntos desceram até o refeitório. Red tentava comer um pão recheado com ovos mexidos, mas depois de uma mordida ele passou a cutucar a comida, perdido em pensamentos sobre a derrota do dia anterior. Pichu comia uns pedaços que o garoto lhe dava, até perceber que o Pokémon insistia em puxar sua camisa cada vez mais forte, apontando na direção da recepção.

— Você vai rasgar minha roupa... — disse Red sem muita animação na voz.

Pichu resmungava visivelmente mal humorado enquanto puxava ainda mais a barra da camisa do garoto.

— Você está preocupado com a sua treinadora, não é? — indagou Red enquanto fazia o pão rolar para o lado.

Pichu afirmou com a cabeça.

— Tudo bem... Vamos até a recepção pegar meus Pokémon e eu vejo se eles deixam a gente ficar com ela na enfermaria.


***

A garota não via nada, apesar dos seus olhos estarem abertos. Na verdade, ela teve dúvida se seus olhos estavam mesmo abertos, mas fechou-os com bastante força e abriu-os novamente, checando sua visão colocando suas mãos perante seu rosto, mas o ambiente era pura escuridão. Até o chão em que pisava e conseguia sentir não era visível. Apenas o breu estava presente.

— Olá? — gritou.

Mas a única resposta foi o eco da sua voz.

Do chão, uma garota igual a ela começou a tomar forma e a se levantar. Era a única coisa que ela podia ver agora, e percebeu que o ambiente não era escuro, mas sim completo vazio. O corpo de sua cópia não vestia roupas. A pele era branca e o cabelo era loiro e comprido.

Mas algo estava errado.

Olhou para o rosto de sua cópia e percebeu que não havia rosto. Não havia olhos e nem nariz, apenas a alva pele onde as estruturas deveriam estar, mas aquele ser possuía uma boca. A garota deu alguns passos para trás, receosa com a situação.

— Olá? — respondeu a cópia.
— Onde estou? — perguntou a garota, com medo, mas também com alguma esperança.

Outra cópia surgiu do chão. Essa também não tinha rosto, mas era um pouco diferente da primeira. Era menor e parecia ser uma versão mais jovem que a outra.

— Onde estou? — responderam as duas cópias em uníssono.
— O que está acontecendo? — indagou novamente a garota original, agora com o pânico começando a se instaurar. Seu coração começou a acelerar junto com sua respiração. Sentiu seus músculos latejarem com o fluxo de sangue aumentando em seus vasos. Ela estava pronta para correr dali.

Mais duas cópias tomaram forma do vazio que era o chão. Cada vez aparentando menos idade, mesmo sem ter face. A garota se afastava, mas as cópias macabras começaram a se aproximar lentamente.

— O que está acontecendo? — responderam as cópias em conjunto.

A loira tentou dar mais um passo para trás e tropeçou em seu próprio pé. Ela gritou enquanto caia e suas cópias gritaram junto com a original. Mas ela não tombou no chão. Ela flutuou no vazio.

De alguma forma estranha, ela conseguiu se apoiar no nada e se levantar novamente.

—O... O que f... foi isso? — gaguejou.

O efeito dos questionamentos se repetiu. Mais quatro cópias tomaram formas ao seu redor. Todas as cópias andavam em direção à sua fonte de origem enquanto repetiam num coro perfeito as mesmas palavras.

— O que foi isso?

A garota tentou passar entre dois dos seus reflexos, batendo em um deles com o cotovelo, mas ao invés de caírem, uma das cópias simplesmente abriu caminho para ela passar.

— Quem são vocês?! — berrou a loira em um misto de pânico e raiva. Ela não compreendia a situação.
— Quem somos nós? — responderam as cópias.

Então elas não pararam de surgir. Em todos os lugares as cópias se formavam, em diferentes idades, desde bebês até cópias que aparentavam ter a mesma idade da garota. Cada vez que um dos reflexos se formava, ele repetia a mesma pergunta.

A loira estava cercada por centenas de cópias de si mesma.

— Quem é você? — perguntavam as cópias em uníssono.

Ela abriu a boca para responder, mas nenhuma resposta brotou de sua garganta. Ela buscou em seu cérebro, mas apenas o vazio e o breu tinham espaço. A única coisa que ela conseguia resgatar em sua memória era a breve lembrança de tentar fugir daquele local anterior com o monitor dos bipes e os cabos presos em seu corpo e então de desmaiar na porta da saída.

“Quem sou eu?”. Agora sua própria mente ecoava aquele questionamento para ela mesma.

— Quem é você? — perguntaram novamente as cópias, agora com mais fervor em suas vozes.

Seu cérebro latejava. Ela tentava se lembrar do passado. Qualquer pista de seu nome, ou da pessoa que um dia fora, até mesmo de onde vinha.

 Suas pernas falharam e ela caiu de joelhos no chão.

Ela gritou. Seus reflexos gritaram junto com ela.

— QUEM SOU EU?!

As cópias, como em um exército friamente treinado, abriram espaço para uma cópia idêntica à garota passar por elas.  Diferente de todas as demais, esta tinha rosto. Era uma cópia exata da loira, que caminhou calmamente em sua direção e a abraçou. Aproximou a boca de seu ouvido e sussurrou um nome que parecia tão óbvio que, por um momento, a menina questionou-se como poderia esquecer uma coisa tão simples quanto seu próprio nome, dito em resposta por aquela cópia de forma tão terna.

— Yellow.

Todas as cópias se desfizeram em nada.

A escuridão aos poucos se tornou luz, e Yellow percebeu que estava no quarto com o mesmo monitor que emitia os bipes e sentiu os cabos novamente plugados em seu peito. O acesso à sua veia agora estava em sua mão esquerda.

Ela olhou para o quarto agora e percebeu a presença de um garoto e um Pokémon amarelo.

— Pi! — guinchou Pichu, pulando para a maca quando viu que a garota acordou.
— Finalmente você acordou — comentou Red com um sorriso. — Vou chamar os médicos.

A garota tentou novamente tirar o acesso que estava em sua mão, mas Pichu notou e guinchou alto, o que chamou a atenção de Red que prontamente correu para segurar as mãos da loira.

— O que você está fazendo?
— Eu tenho que sair daqui. Eu só... Tenho que sair daqui.
— Tenha calma — disse o garoto tentando tranquilizar Yellow. — Você estava desmaiada no meio da rua ontem vestindo uns trapos. Eu e o seu Pokémon aqui trouxemos você até o Centro Pokémon para te socorrerem.
— Meu... Pokémon?

Red não conseguiu esconder a expressão de surpresa.

— Bem, esse Pokémon estava do seu lado quando te encontrei e durante todo esse tempo esteve preocupado com você. Esse Pokémon é seu... Não?

Yellow encarou a criatura que a dava um olhar terno.

— Eu não me lembro de ter um Pokémon... Na verdade, eu não me lembro de nada além do meu nome.

Red hesitou. Nunca havia presenciado ou ouvido falar desse tipo de situação.

Alguns segundos se passaram, mas com a tensão de ficar sem assunto, aquele pequeno tempo pareceu uma eternidade para o garoto.

Em pensamentos, Red se perguntava se deveria continuar a ajudar aquela garota, afinal ela não tinha memórias, então consequentemente ela também não tinha a quem recorrer.

— Bom, é um começo. O meu nome é Red. E qual é o seu?

A loira também hesitou e encarou o garoto ao seu lado. Pichu lambeu a mão da garota carinhosamente para chamar sua atenção e sorriu. De alguma forma, ela entendeu que o monstrinho estava indicando que confiava no menino que estava ali.

— Yellow. — informou.
— Tudo bem, Yellow... Por que você não pode ficar aqui?
— Eu não sei... — respondeu a garota tentando se lembrar de algo, mas apenas o vazio preenchia sua mente. — Eu tenho um sentimento ruim sobre essa ideia.
— Um médico esteve aqui mais cedo e disse que não havia nada errado nos seus exames. Provavelmente foi pressão baixa, mas você vai precisar ficar mais um dia aqui em observação. Ninguém aqui quer te fazer mal, Yellow. — comentou Red tentando tranquilizar a garota. — E se tentarem, eu vou ficar aqui o tempo todo com você. E aposto que o pequeno aqui também.

O monstrinho levantou suas patas dianteiras e guinchou de alegria. Yellow acenou com a cabeça indicando que aceitava os termos do acordo e se deixou dormir novamente, sem pesadelos dessa vez. Pichu deitou em sua barriga para descansar também.

Red continuou sentado ao lado de Yellow, encarando o chão. Ele prometeu proteger a garota. Eles estavam em um Centro Pokémon e nada de ruim iria acontecer ali. Mas... E se acontecesse? Ele tinha perdido a batalha contra Gary no dia anterior. Ele falhou com seus Pokémon e consigo mesmo.

Ele olhou para a garota e seu Pokémon dormindo sobre a maca e saiu do quarto por um instante.

Parou no corredor, em frente à porta do quarto de Yellow e deixou Pikachu e Rattata saírem de suas respectivas PokéBolas. Hesitou ao pegar a PokéBola de Mankey, mas pensou em seu comportamento explosivo e decidiu não soltá-lo numa instituição de cuidados médicos. Ele encarou seus Pokémon e se ajoelhou para poder ficar mais próximo da altura deles.

— Me desculpem por ontem — começou o treinador.

Rattata se aproximou de Red e cheirou sua mão como um gesto de carinho enquanto Pikachu apenas continuou encarando o humano.

— Eu acho que eu não posso só explorar e descobrir as coisas do mundo lá fora e ficar jogando tudo para cima de vocês no final das contas. Desse jeito eu vou acabar não cumprindo promessas que eu fiz.

Red olhou para trás, para a porta que o separava do quarto em que se encontrava Yellow. Desse jeito, ele não poderia protegê-la, muito menos poderia completar a Pokédex. Não conseguiria nem ao menos continuar a viagem até a próxima cidade.

Ele olhou novamente para seus Pokémon

— Apesar de ter a licença — continuou — acho que ainda não sou um treinador de verdade... Eu quero mudar isso. Eu quero crescer junto com vocês nessa jornada. Vamos dividir juntos as dores das derrotas e os sorrisos das vitórias. Espero que possam me perdoar e que possamos ter um recomeço.

Pikachu estendeu a pata dianteira direita para Red, como sinal de paz e de um novo acordo tratado. Agora eles não apenas estavam juntos pelo acaso e por ordens do Professor Carvalho, mas porque queriam estar um com o outro.

Rattata pulou nos braços de Red, que o abraçou.

— Obrigado pessoal. Vocês são os melhores!

O garoto retornou ao quarto da Yellow e se sentou na cadeira ao lado da cama, onde viu o resto do dia passar até cair no sono, dormindo durante o resto da noite.

***

Com a chegada da manhã, os raios de sol iluminaram o quarto. Yellow foi a primeira a acordar e percebeu que Red estava dormindo sentado na cadeira, encostado na janela. Ela ficou surpresa ao perceber que o garoto continuou ali ao seu lado, mas ao mesmo tempo feliz por ele ter cumprido a promessa que havia feito, de ter passado a noite ao lado dela.

Ele não parecia realmente ser uma pessoa ruim.

Não demorou muito até que o garoto acordasse e a equipe médica chegasse para trazer o café da manhã da menina. A sopa que foi dada para Yellow foi prontamente recusada por ela, mas por insistência de Red, a garota cedeu, provando o prato, que imediatamente agradou seu paladar.

Após a avaliação dos sinais vitais no monitor, o médico responsável informou que nada de estranho havia sido encontrado nos exames de sangue ou na ressonância magnética que a garota havia passado. Aquele devia ter sido um caso esporádico e por isso a garota podia ser liberada.

Ela foi para o banheiro tomar uma ducha e se vestiu com os trapos que lhe pertenciam. Ao sair do banheiro, Red espantou-se em ver que a garota não possuía nenhuma roupa decente.

No começo da tarde, os dois, acompanhados de Pichu, foram até ao Mart de Viridian, onde Yellow poderia comprar roupas novas para vestir no lugar dos trapos que cobriam seu corpo, como presente de Red. Ela experimentou timidamente algumas roupas até escolher uma camisa preta de mangas longas e uma calça jeans. Acabou escolhendo também vestir uma bata amarela por cima da camisa preta que era tão longa que a barra alcançava seus joelhos. Para calçar, optou por um par de botas de cano alto que cobriam metade de suas panturrilhas. Também escolheu uma pochete marrom para guardar o que precisasse. 


Red pagou pelas roupas da garota e eles foram até uma praça próxima e sentaram-se em um banco.

— Para onde você vai agora, Yellow? — questionou Red.
— Eu não sei. Eu não me lembro de onde sou e nem para onde eu estava indo. Para onde você vai, Red?

O garoto retirou um mapa de dentro da mochila.

— Eu vou para Pewter, que fica atravessando a Floresta de Viridian. Pretendo capturar alguns Pokémon por lá.
— Você está viajando?
— Isso. Eu estou tentando capturar vários Pokémon diferentes para ajudar um pesquisador e para isso vou viajar pela região de Kanto — o garoto pensou por alguns segundos encarado a menina em sua frente. — Por que não vem comigo? Talvez você encontre o lugar ao qual pertence durante a viagem.

Yellow hesitou. Ela não conhecia Red direito, mas não conhecia ninguém mais além dele. E ele fez mais por ela naquele pequeno tempo que passaram juntos do que qualquer outro durante a vida toda.

— T... Tudo bem.
— E esse Pokémon aí? Eu nunca vi um igual a ele. Que tipo de Pokémon é esse?
— Eu já te disse que eu não me lembro dele ser meu Pokémon.
— Minha PokéDex não me deu muitas informações sobre ele... Que incrível! Eu preciso capt... — Red parou. Percebeu que Pichu estava se esfregando no braço de Yellow. Ele já tinha escolhido a própria treinadora.

O garoto sacou uma PokéBola de sua mochila e entregou para a companheira.

— Ora, ora... Então eu acho que é melhor você capturar seu primeiro Pokémon então.
— Quê?

Pichu viu a cena e pulou animado. Apertando o botão da cápsula, foi sugado por um raio de luz vermelha. A PokéBola nem tremeu e piscou imediatamente, indicando uma captura bem-sucedida.

— Parabéns, Yellow. Você conseguiu seu primeiro Pokémon! — sorriu Red. — Agora estamos prontos para encarar a Floresta de Viridian.

O garoto entregou a PokéBola para Yellow, que encarou o objeto com uma leve hesitação. Aquele Pokémon, assim como Red, havia dedicado tempo e esforço para que a garota ficasse bem. Ainda que não fizesse a mínima ideia de quem Red ou Pichu fossem, ela sabia que talvez pudesse contar com eles para poder ter alguma ideia de quem ela era.

Os dois jovens levantaram do banco e rumaram para norte, onde a floresta os aguardava. Tentando superar e preencher o vazio do passado por um lado e por outro buscando compreensão dos desafios que os aguardavam no futuro, aquele era apenas mais um instante em um pequeno ponto de poeira no universo.

Todavia, era o início de uma grande jornada para aqueles dois ilustres desconhecidos.



  

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