A festa de aniversário do Diglett

Quem está no nosso grupo do Discord (para entrar, veja na barra do menu principal) já sabe que hoje é/foi meu aniversário. Parabéns para mim. Obrigado. :)


Eu estava planejando fazer um capitulo como o Especial de Kalos para postar hoje, afinal, aquele capítulo foi tão tocante e bonito. Eu cheguei a falar com o Dento e o Haos sobre isso. Mas como sempre, como bom baiano eu deixei para ultima hora.

Tão de ultima hora que esse post nem vai passar por revisão, como todos os outros posts costumam passar, até as "Notas do autor".

Na verdade, eu queria conversar com os meus personagens durante o capítulo, e talvez mostrar um pouco para vocês como eu lido com eles dentro da minha cabeça, que é meio que a casinha deles. Mas o Red não ficou numa boa situação durante o ultimo capítulo. Vocês já sabem que ele tem um pouco de mim, mas eu não estou no clima depressivo que ele está agora e eu não queria quebrar a sensação dele para trazê-lo ao meu aniversário.

E teve um pouco de bloqueio criativo também, vocês já sabem que eu sou um dos (ou talvez O) autores da aliança com o ritmo mais lento, afinal, em 8 meses de blog, só temos 6 capítulos. Mas espero que eu esteja pagando com a qualidade.

Bem, eu fiz esse post mais para falar do meu aniversário. Que é hoje. Quem leu a pagina "O Autor" também já estava sabendo, e eu estou só esperando a Pokémon Company me presentear com o anuncio na 8ª Geração daqui a 2 dias! Melhor presente, né?!

E vocês, leitores, podem me presentear com suas maravilhosas criticas sobre o que estão achando sobre a história, tanto pelos comentários, como pelo e-mail killerofmurder@gmail.com okay?

Para finalizar a Festinha Pocket (monster) Edition, eu queria agradecer a algumas pessoas das interwebs da vida que vieram nessa festinha e me deram ótimos presentes.

Primeiramente ao Dentoso. Esse cara que enche o meu saco no Discord, mas sem ele nada disso seria possível. Ele que me reanimou a escrever, me mostrou que a aliança e esse universo ainda existia e que o Killer ainda estava vivo dentro de mim. Se eu sou o pai de AeK, o Dento é o padrinho.

Ao Canotas Ominosito também. Desde que eu me entendo por Killer of Muder (ou Thunder-Killer como podem me achar nos comentários de AeS, ou um dos nomes desses que me dei ao longo do tempo e que hoje não ouso abandonar mais na interwebs), lia a mais tosca das minhas fanfictions e me dava dicas de como melhorar, e ainda me reconheceu quando eu ressurgir, e participou da avaliação do beta de AeK para minha entrada na Aliança.

Ao Shadowlino, que talvez me mate por citá-lo, mas que além de me avaliar quando mandei o beta de AeK para a Aliança, foi um dos primeiros a me receber e até hoje é um dos meus maiores apoios, morais e criativos.

À galera de todo dia, que tá sempre no discord para o que der e vier, e sempre me apoiam. A lista realmente ficaria MUITO longa se eu citasse todo mundo aqui, então esse ano vou citar apenas duas pessoas. Mas você, que acessa o discord todo dia, e temos uma piada interna juntos, saiba que você também é especial para mim e você ajudou a me moldar desde que voltei para esse mundinho da Aliança.

Quem eu vou citar aqui é o Diego Chinatsu. Eramos amigos desde antes de eu conhecer a Aliança. Ele era meu Saiko, e eu ainda desapeguei de chamar ele desse nome. Quando eu sumi da Rede Pokémundial de Computares eu ainda tinha ele nas Redes Sociais comuns, mas eu via ele mundando, e eu também ia mudando, do meu jeito. As vezes eu pensava em falar com ele, mas ele parecia muito diferente do Chinatsu/Saiko que eu conhecera. Passava alguns aniversários dele e o medo de falar e ele não lembrar de mim continuava. Até que quando eu postei em Kanto ele comentou, e ele lembrava. Eu chamei ele para o discord e ele ainda tinha a essência do Saiko que eu conhecia. Ainda somos grandes amigos. E ele ainda é um grande apoio, apesar de ser um maldito sadboy.

Também preciso citar a Shiii, que recentemente deixou de ser apenas uma leitora para assumir o cargo de escritora em Ransei. É importante falar dela porque eu já dei tanta mancada com essa moça, e ela me perdoou todas as vezes. Se ela não fosse um tanto quanto... ouriçada como dizem pelas minhas terras, ela deveria ser santificada por perdoar um Dugtrio assassino como eu, afinal, uma Shiny Reshiram facilmente me tostaria vivo. Shiii, mais uma vez, perdão pelos vacilos, tamo junto pro que der e vier.

Pessoal, mais uma vez, perdão pela demora dos capítulos, eu juro que quando a inspiração bate, o capítulo voa e vem! Beijos para vocês e o próximo capítulo vai ser muito bom!

Aproveitem fevereiro e o carnaval! Não façam nada que o Killer não fariam! E Smell you later!

Fanarts do Diego Chinatsu

É COM MUITA FELICIDADE QUE EU DIGO PARA VOCÊS: Kanto recebe suas primeiras Fanarts! Sim! FanartS! Nosso querido leitor e participante do grupo do Discord (Participe você também através da barra do menu principal!) preparou 3 incríveis ilustrações do Capítulo 6 de Aventuras em Kanto! Se ainda não leu o capítulo prestigiado, cuidado com os Spoilers!

Janine e Yellow (e Red) se preparando para dormir, vestindo seus incríveis pijamas pensados por mim, e agora com modelos finalmente desenhados pelo Diego (Saiko) Chinatsu. Só falta alguém para costurar e começarmos a vender. (Pokémon Company, vocês estão perdendo estilistas aqui)

Brock domando seu recém-adquirido Onix, fazendo par com o seu irmão, o domador de Tauros, no Capítulo 49 de Aventuras em Johto. Adorei o detalhe da plateia observando de longe, no solo.

E para finalizar com chave de ouro (ou algum outro tipo de pedra): Uma foto de família após derrotar o garoto Red. Adorei os detalhes das bandagens estarem presentes, afinal, ele domou o Onix alguns minutos antes. O Geodude ainda está super animado pela batalha, e o Forrestinho está super feliz pela vitória do irmãozão! Esse desenho ficou show e tudo que eu imagino que a relação desses dois era nessa época! As camisetas também são as mesmas que eu fiz para eles no capítulo!!!

Tá aí para vocês os incríveis desenhos do Diego Chinatsu. Eu particularmente fiquei apaixonado. Cada vez que eu abria a pasta para dar uma olhadinha, eu ficava alguns minutos apreciando cada um deles, espero que vocês curtam tanto quanto eu! Para quem quiser dar uma olhada no trabalho do nosso primeiro desenhista a passar por Kanto, ele recentemente abriu uma conta no Instagram e vocês podem conferir alguns desenhos por lá.

Smell ya later, guys!

Área do Leitor


Nesse pedacinho de Kanto, o leitor pode ter seu trabalho exposto e divulgado!

Se você tem alguma fanart sobre Aventuras em Kanto ou sobre Pokémon em geral, envie seu trabalho para killerofmurder@gmail.com com o assunto "Área do Leitor" ou entre em contato pelo servidor da Aliança pela plataforma do Discord na barra lateral do blog.

Cuidado com trabalhos explícitos. Recebemos visitas de todas as idades.

Abaixo você pode conferir os trabalhos que já recebemos:

Notas do Autor - Capítulo 6


E aí pessoal?! Como sempre, Kanto demorando para chegar. Desculpem a incompetência...

Se começamos o capítulo 5 com uma dupla, agora temos um trio, finalmente fechamos a formação lendária! E eu simplesmente AMEI escrever eles interagindo no Centro Pokémon, além de criar roupitchas para a Janine como no trecho abaixo:

"Janine tirou de sua mochila um short preto e uma regata lilás com a estampa de um Koffing azulado onde estava escrito “SMOKE BOMB” e entregou para sua companheira pela fresta da porta." AeK 6
Acima temos um Koffing Shiny, a inspiração para a camiseta da Janine, que é lilás, porque seria o gás que o Koffing estaria expelindo. Alguém sacou essa referencia?

Em seguida temos um personagem novo que eu amei escrever: Brock! O primeiro GYM Leader a dar as caras aqui na fanfiction. Eu adorei como ele acabou ficando. Eu precisava que ele tivesse uma personalidade rígida como uma rocha (Trocadilho time) para causar alguns impactos no Red.

E como eu trouxe uma das Estrelas de Aventuras em Johto, o garoto Forrest que já demonstrou ser um domador de Pokémon, eu não podia deixar o seu irmão mais velho de fora dessa tradição, não é mesmo? Espero que o Dento tenha ficado feliz com a participação do garoto no capítulo e que tenha adicionado para o personagem dele.

Por enquanto é isso.

Smell ya latter!

Capítulo 6

No meio do caminho, havia um Onix


Janine não parava de tagarelar a respeito de terem de chegar à próxima cidade antes do anoitecer. Talvez por isso o sol tenha demorado um pouco àquele dia para se pôr para assisti-los sair da floresta e cruzar a fronteira entre o norte da Rota 2 e a cidade de Pewter.

Apesar de ser maior que Pallet, Viridian ainda era uma cidade do interior, considerada pequena para os padrões de Kanto. Não que Pewter fosse uma megalópole, mas já era considerada uma “cidade grande”, apesar de ainda não ser comparada à sua capital, Saffron. Conforme avançavam pelas ruas da cidade, o trio era recebido por brilhantes estrelas que anunciavam a chegada da noite, com luzes de certos comércios locais cujo atendimento certamente continuaria por mais algumas horas se acendendo aos poucos. Ao longe, um espetáculo luminoso chamou a atenção dos jovens viajantes. Colunas de fótons subiram aos céus iluminando uma enorme estrutura de granito na cidade. Esculpido em alto relevo, via-se escrito “Mouseio de Pewter”1. Aquela grande construção tomava grande parte do espaço urbano da cidade e parecia ser um grande orgulho local.

— Olha, o museu! Será que está aberto agora? — comentou Janine apontando para o ponto turístico ao longe com empolgação.
— Hoje não, Janine — respondeu Red, com o exato oposto da empolgação da companheira. — Acabamos de sair da floresta e já é noite. Que tal irmos para o Centro Pokémon e dormirmos um pouco?

A ninja retorceu o nariz como sinal de desgosto, mas Yellow argumentou a favor de Red, lembrando que ele acabara de se recuperar de um envenenamento. Janine pareceu se dar por vencida e, ainda que a contragosto, concordou.

— Mas lembrem-se de que eu sou a mais velha aqui, vocês me devem obediência! Amanhã eu farei nosso tour pela cidade, vocês vão se divertir horrores andando comigo, guris!

Red abriu um sorriso amarelo e seguiu as placas rumo ao Centro Pokémon. Yellow ouvia atenta e ansiosamente os planos dos passeios que fariam no dia seguinte, que envolviam tomar sorvete, comer pizza, visitar o museu e conhecer a loja de ervas local.

Logos eles chegaram ao Centro Pokémon e pediram um quarto para três. Mas um problema antigo se repetia: Yellow não possuía a licença de treinador, e dessa vez o regulamento tinha sido modificado, agora apenas treinadores com tal documento poderiam ser abrigados. Red logo associou que a mudança provavelmente ocorreu por conta de sua pequena intervenção no Centro Pokémon de Viridian para que tratassem a amiga.

— Como assim a Yellow não tem uma licença?! — exclamou Janine, chamando a atenção das pessoas que estavam no hall de entrada, o que fez Yellow se encolher em seus próprios ombros.
— Quer fazer o favor de falar baixo? — pediu Red, olhando feio para a garota — Agora a gente tem que pensar onde que vamos passar a noite.
— Aqui, é claro — a ninja encarou o garoto, incrédula. — É só você ligar para quem fez a sua e pedir para fazer a dela. Quem fez a sua?
— Janine! Você é genial! — comentou o menino erguendo as sobrancelhas e abrindo um largo sorriso, como se algo que estivesse invisível em sua frente finalmente se revelasse.
— Isso eu sempre soube. — respondeu a ninja sem mudar sua expressão séria. — Mas então, você vai pedir ou não?

Red então correu para um dos telefones do Centro e ligou para o laboratório do Professor Carvalho. Por sorte ele ainda estava lá, trabalhando em algum de seus experimentos. O garoto apresentou suas companheiras de viagem e o velho cientista ficou muito feliz.

— Viajar sozinho não tem a menor graça. Com os amigos tudo fica mais divertido! — comentou.

Red então explicou a situação de Yellow, desde o encontro em Viridian até à história no Centro Pokémon. No entanto, quando Carvalho pediu os dados da garota, ela paralisou.

— Qual é o meu sobrenome...?  Eu não sei... — disse a loira, estática.

Red, Janine e até o Professor Carvalho, pela vídeo-chamada, encararam a garota, surpresos.

— Como assim você não tem sobrenome, Loira? Você tá zoando, né? Todo mundo tem! — exclamou Janine, novamente num volume de voz muito além do aceitável, com as pessoas ao redor olhando o trio, visivelmente incomodados, para vergonha de Red.
— Eu não posso fazer sua licença se você não tiver um sobrenome... Afinal, é um documento — avisou Carvalho.

Yellow ficou cabisbaixa.

— Acho que valeu a tentativa... — murmurou a garota.
— Isso não vai ficar assim. Professor, use o meu sobrenome.

Agora, Red, Yellow e o Professor Carvalho olharam surpresos para a ninja.

— HEIN?! — agora foi Red que berrou. A Enfermeira Joy olhou para o garoto, zangada.
— Se vocês não falarem mais baixo, eu vou desligar essa ligação! — reclamou ela.

Janine ignorou completamente o pedido da enfermeira.

— Professor, use o meu sobrenome.
— Mas você tem certeza? Isso seria falsidade ideológica, não? — Samuel parecia preocupado.
— Tá tudo de boa. Eu sempre quis ter uma irmã! — Janine passou o braço direito pelos ombros de Yellow e a abraçou sorrindo, deixando a garota morrendo de vergonha.

Professor Carvalho hesitou por um instante, até que aceitou, sob sigilo absoluto do trio. Ao pedir o sobrenome de Janine, o velho cientista soltou uma exclamação.

— Janine, seu pai... Seu pai é o...
— SIM! MEU PAI É UM NINJA! NIN-JA! LEGAL, NÉ? UM NINJA! EU SEI! — Janine tentou cobrir a voz do cientista na chamada com a sua própria voz, balançando os braços na frente da tela tentando tirar a atenção de Red e Yellow.

Samuel Carvalho notou o nervosismo na voz da garota e logo mudou de assunto.

— Isso, um ninja... Ouvi falar bastante dele — e desviou o foco da conversa digitando em seu computador.

Após alguns minutos, uma licença de treinador com a foto de Yellow foi impressa em uma das maquinas do Centro Pokémon. Os olhos da garota brilhavam ao ver a cartão plástico em suas mãos e agradecimentos não faltaram para o cientista. Agora ela oficialmente fazia parte do mundo de Red e poderia viajar com ele. O trio voltou até a recepção e pediram um quarto triplo, o que agora foi aceito pela Enfermeira Joy.

Eles subiram até o segundo andar e foram para o quarto. Yellow então percebeu que o quarto triplo significava que dormiriam todos juntos e dividiriam um banheiro quando se deparou com o cômodo pequeno sendo preenchido por uma cama, um beliche e uma mesinha de cabeceira, com espaço suficiente apenas para que as pessoas pudessem transitar até o banheiro de dimensões igualmente pequenas.

Red se desfez do peso da mochila e despiu a jaqueta, colocando as duas ao lado da cama e sentando sobre o colchão, esperando ver quem iria tomar banho primeiro. Janine logo pegou uma muda de roupas em sua mochila e a jogou em direção a cama superior do beliche e foi até o banheiro.

— Valeu, Yellow — comentou Red, quebrando o silêncio que tomara conta do quarto após algum tempo após Janine ir se banhar.

A loira parecia surpresa e confusa. Não esperava um agradecimento ali. Ela não sabia o motivo daquelas palavras. O garoto percebeu o olhar confuso da companheira.

— Lá na floresta. A Janine fez o antidoto, mas você que saiu sozinha procurando alguém pra me salvar. E enfrentou as Beedrill! Valeu mesmo.

A garota corou as bochechas. Encarou Red e ele estava sorrindo. Ela desviou o olhar e fitou o chão de madeira do quarto. Estava envergonhada, mas ao mesmo tempo feliz de ser reconhecida pelos seus atos.

— Você faria o mesmo por mim, Red — respondeu ela com um sorriso discreto.
— Claro! Eu falei que ia te proteger e essa promessa não ficou só em Viridian — afirmou o garoto, se levantando para abraçar Yellow. Ela recebeu o abraço e retribuiu carinhosamente, afundando o rosto em seu ombro, feliz por ele estar vivo.
— Seu cabelo tá todo zoado — riu Red no meio do abraço passando a mão na cabeça da garota, não conseguindo manter a seriedade da situação. — Ó, tem grama da floresta de Viridian aqui — comentou se afastando e mostrando umas folhas que ele tinha retirado do cabelo da garota.

Yellow começou a passar as mãos pelo cabelo tentando tirar os resquícios dos dias que dormiu ao ar livre, diretamente na grama na floresta.

— Não... é que... Eu dormi no chão esses dias... A gente não tinha onde dormir, e você... Ai Red, me ajuda aqui!

O garoto hesitou, mas então se posicionou atrás dela e fez menção para que ela se sentasse e então começou a passar a mão no longo cabelo loiro de Yellow, retirando tudo que havia restado das noites anteriores. Ele não sabia se estava fazendo certo. Em Pallet ele sabia que algumas garotas, como Daisy, eram vaidosas com seus cabelos e que por qualquer coisinha elas se irritavam, então ele mantinha cautela, mas só porque não via o rosto de Yellow que sorria com o agrado carinhoso que recebia.


A porta se abriu, e o calor invadiu o quarto devido ao vapor que saia do box do chuveiro.

— Desculpa atrapalhar o casalzinho aí, mas o banheiro tá livre e tomem logo seus banhos que eu quero dormir — ordenou Janine entrando no quarto vestindo um kigurumi temático de ninja, com bordados de um Zubat e um Bellsprout no peito.
— Casalzinho? — questionou Red para Janine enquanto Yellow já entrava no banheiro e se despia — Pera aí... Esse é seu pijama?
— Pijama! — gritou Yellow abrindo uma fresta da porta do banheiro. — Eu não tenho outra roupa para dormir!

Janine tirou de sua mochila um short preto e uma regata lilás com a estampa de um Koffing azulado onde estava escrito “SMOKE BOMB” e entregou para sua companheira pela fresta da porta.

— O que vocês fariam sem mim... — disse enquanto a loira agradecia imensamente pelas roupas emprestadas. — Lembrem de colocar as roupas para lavar, caso contrário vamos ficar de pijamas o dia todo amanhã!

***

A noite passou tranquila. Apesar de falar várias vezes como era desnecessário o uso de um colchão macio, no fundo Janine gostava da ideia de finalmente estar dormindo em um após passar dias na floresta, e se deixou dormir rapidamente. Red foi levar as roupas para a lavanderia após o banho e aproveitou para pedir uma checagem para os médicos contando do acidente com o Weedle selvagem, mas os exames não detectaram nada errado e as enfermeiras comentaram que os primeiros socorros que deram a ele foram de primeira, então ele decidiu voltar para o quarto e dormir também. Neste momento, Yellow já havia cansado de esperar e já estava em seu sétimo sonho.

***

O primeiro raio de sol que passou pela janela despertou Janine, que abriu os olhos e exatos dois segundos depois saltou da cama superior do beliche pousando com um baque seco no chão que fez Yellow e Red acordarem com o susto.

— Hora do banho moçada! Vamos, vamos! Peguem as roupas e esperem sua vez! — comandou a ninja como se estivesse em um acampamento militar, indo para o banheiro primeiro, já que se considerava a líder.

Após o momento da higienização, o trio foi até o refeitório e se fartou com pão, ovo mexido, salsicha e raízes. Yellow estava animada de ver tanta comida, mas ao mesmo tempo se continha por não saber como comer no meio de tantos treinadores que estavam presentes no local. Red disse para escolher algo para ela comer primeiro e atacar, Janine simplesmente disse para misturar tudo numa garfada e sentir o gosto. Ela ficou mais confusa e decidiu alternar.

Eles esperaram o café da manhã ficar confortável no estômago antes de se levantarem em direção à recepção do Centro Pokémon. Janine se negava a pedir informações, mas Red e Yellow achavam melhor que alguém da cidade passasse as informações locais para eles.

A recepcionista falou que eles poderiam fazer uma visita ao Museu Nacional da Ciência, também conhecido como Museu de Pewter, o orgulho da cidade, além de visitar o campo de flores que era cuidado pelos próprios moradores.

— Vocês também podem marcar uma visita guiada pela antiga pedreira que antigamente era uma grande empresa. E temos a nossa grande marca: o ginásio local! — comentou a recepcionista.

Eles sentaram nos puffs perto da saída para discutir o que fariam. Janine estava ansiosa para visitar o museu enquanto Yellow queria dar uma passada pelo campo florido. Para ela parecia ser uma ideia interessante o movimento colaborativo dos próprios moradores para manter aquele local.

Porém Red estava quieto. Nos últimos dias ele vinha tentando provar para si mesmo e para seus Pokémon suas competências como treinador. Pikachu e Rattata estavam mais solícitos, mas Mankey ainda não o obedecia e Weedle ainda era uma novata. As memórias de Gary o derrotando na Rota 22 ainda estavam claras na sua mente como se tivesse acontecido ontem. O seu rival falara sobre insígnias e ginásios. ali em Pewter existia um ginásio, então era a sua chance de finalmente enfrentar um oponente forte e provar ao Gary que ele era digno de carregar a Pokédex que o Professor Carvalho o encarregara. Que ele não era fraco e que Gary não era perfeito. Dessa vez ele não ia perder.

— A gente poderia ir ao ginásio? — pediu o garoto.
— O ginásio? — repetiu Janine — E o que vamos fazer no ginásio?
— Eu... — hesitou por alguns segundos. — Eu queria desafiar o líder...
— O líder?! — a ninja questionou surpresa. — Você sabia que existem líderes de ginásio que são mais fortes até do que eu?!

Red encarou a companheira reprovando sua atitude, mostrando que ela tinha que dar espaço para as outras pessoas do grupo, mas ela pareceu não perceber. Yellow levantou animada.

— Acho uma boa ideia! — disse enquanto revezava o olhar entre Red e Janine. — O Red não treina faz um tempo, né? Vai ser bom. A gente pode ir ao museu e ao jardim depois.

Janine respirou profundamente e deixou escapar um suspiro, então levantou e concordou com os companheiros. Juntos eles deixaram o Centro Pokémon rumo ao Ginásio de Pewter. Janine tomou a frente como guia, apesar de nunca ter estado em Pewter antes. Eles seguiram as indicações dadas no centro e as placas pelas cidades e identificaram o ginásio há algumas quadras de distância.

O local tinha uma estrutura simples, semelhante a um galpão construído por grandes pedras de calcário, cuidadosamente colocadas uma em cima da outra, ligadas pela argamassa que as seguravam firmes. As portas eram grandes placas de mármore com grandes puxadores de ouro. Ao lado do ginásio, havia um murado baixo feito também de calcário, mas dessa vez sem uma preocupação de perfeição devido à altura irregular.

O trio se aproximou do muro em um ponto em que o mesmo estava na altura de seus peitorais e observaram o que estava acontecendo. Dentro do perímetro do murado, duas pessoas conversavam. Eles eram muito parecidos entre si, porem a idade os diferenciava. O mais velho era bem mais alto e parecia estar na faixa dos 18 anos. Era visível que praticava bastantes exercícios pela musculatura dos seus braços, peitoral e abdômen, exposto devido à ausência de uma camisa. A pele morena brilhava contra a luz do sol devido ao suor. Ele usava uma calça cargo azul e um par de tênis vermelho. Seus olhos eram tão alongados que não era possível ver sua íris ao longe. Seus cabelos eram castanhos e escuros, e tão rebeldes que não se mantinham penteados, apontando para todas as direções e dando um ar descolado para o jovem, combinando com seu jeito forte.

O mais novo parecia ter 12 ou 13 anos. Ele tinha as feições e o cabelo parecidos com o parceiro, mas era magricelo. Trajava uma camisa verde clara com a estampa de um Geodude usando óculos escuros que dizia “Let’s Rock!”, e uma bermuda marrom, junto com um par de tênis vermelhos, que comprara junto com o outro que era o seu maior ídolo No dia da compra, ele dissera:

— Eu quero uma igual pra combinar com você!

O garoto mais novo parecia animado com alguma coisa. Janine pediu silêncio e o trio prestou atenção.

— Esse aqui é o Onix que o papai mandou do Túnel Rochoso — disse o mais velho mostrando uma PokéBola em sua mão. — Então hoje teremos uma lição, pequeno Geodude. Nem todo Pokémon vai te obedecer automaticamente, ao menos que ele te respeite. Não basta ter a PokéBola dele, tem que conseguir o respeito.
— Mas o Geodude sempre me obedeceu... — comentou o mais novo
— Cada treinador tem sua forma e cada relação entre treinador e Pokémon tem seu jeito de ser. Você conquistou o respeito do Geodude do seu jeito, apesar de ainda não compreender qual foi a forma que usou. Um dia você vai ser um ótimo treinador e vai entender isso.

Os olhos do garoto brilharam só de imaginar sendo treinador no futuro. Ele olhou para cima ao sentir o outro passar a mão na sua cabeça e sorriu animado com o que o mais velho havia lhe dito.

— Mas normalmente eu faço assim, irmãozinho!

O mais velho lançou a PokéBola para o meio do espaço vazio e da luz emanada por ela surgiu uma enorme cobra formada por várias rochas cinzentas de tamanhos variados, que iam diminuindo da cabeça para a cauda. Um único chifre centralizado, também composto do mesmo material se erguia do topo de sua cabeça. A criatura abriu a boca e rugiu feroz, fazendo com que Red e Yellow se abaixassem buscando proteção atrás do muro deixando apenas os olhos e o topo da cabeça expostos. O garoto de camisa verde deu um passo para trás, hesitando frente à criatura, mas seu irmão mais velho chamou a atenção do monstro colossal, que devia ter aproximadamente 8 metros de comprimento, desde o focinho até a ponta da cauda.

Ao ver o rapaz que havia lhe chamado, o Onix se ergueu em posição de bote e rugiu mais uma vez. O rapaz afastou as pernas e dobrou os joelhos. A grande cobra então atacou, mas o moreno pulou e se agarrou contra a testa da criatura, não sem sentir dor. Ele travou a mandíbula para segurar o grito de dor frente ao seu irmão mais novo e se pôs a escalar a cabeça do Pokémon.
— Woooho! É assim que se faz! — gritou Janine, chamando a atenção do garoto do lado de dentro do muro, fazendo Red e Yellow se preocuparem.

Onix fez uma curva para a esquerda enquanto elevava o seu crânio e repentinamente tornou a descer fazendo que o rapaz que o estava escalando o soltasse. Porém a cobra era maliciosa e investiu novamente contra o humano, mas este também era esperto, agarrando o chifre do Pokémon, puxando a parte superior do crânio para trás com ajuda da gravidade.

— Hi-Yo Silver! — gritou o moreno.

Red se surpreendeu e voltou a se levantar para assistir ao espetáculo. Onix se jogou contra o chão, mas o jovem se segurou no chifre para não ser levado pela inércia. O impacto contra o solo afetou o rapaz, que não suportou o impacto e caiu de costas na cabeça do Pokémon.

Antes de a cobra preparar o próximo movimento, o moreno se pôs de joelhos e localizo o canal auditivo da criatura.

— Calma, garoto... A gente é mais forte junto.

O Onix hesitou. Ele encarou o humano oponente antes de realizar o próximo ataque e percebeu que o ele havia sofrido tantos danos quanto o próprio Pokémon, afinal, sua mandíbula ainda doía e o humano era ágil o suficiente para esquivar de vários ataques. Ainda por cima, resistiu uma investida sua. Não era um humano qualquer. Ele abaixou sua cabeça para que o seu novo treinador pudesse descer de volta ao solo.

O treinador tirou do bolso da calça algumas lascas de pedra e deu para o Onix, que gentilmente as pegou e comeu.

— Muito bem, garoto — disse o rapaz acariciando o focinho do Onix antes de se virar para seu irmão mais novo — Forrest, pode pegar umas poções e um kit de primeiros-socorros? Eu me machuquei um pouco.
— Tudo bem, Brock!

O garoto entrou no ginásio por uma porta lateral feita de mármore que não havia sido percebida pelo trio. O outro rapaz se aproximou dos três que estavam assistindo, perdendo Forrest de vista

— E aí gente? Eu sou o Brock. O que os trazem ao ginásio de Pewter?

Red hesitou. Yellow discretamente segurou a sua mão enquanto Janine pôs a dela em suas costas. Ele engoliu em seco.

— Meu nome é Red e quero desafiar o líder do ginásio de Pewter.
— Oh, tudo bem então. Prazer, eu sou o líder do ginásio.

Red e Yellow se assustaram e arregalaram os olhos. Era o mesmo rapaz que eles acabaram de ver domando uma enorme criatura que seria o oponente do garoto. O líder do ginásio, que só pelo título impunha respeito, havia acabado de enfrentar um Onix, um Pokémon feito de rochas que devia pesar em sua totalidade mais de 150 quilos.

— Vocês podem entrar pela porta da frente. Vou esperar vocês na arena.

Red engoliu em seco mais uma vez. Ele estava ficando nervoso, mas não podia desistir agora. Yellow segurou sua mão mais forte e Janine falou algumas palavras animadoras, que pela primeira vez, realmente ajudaram o garoto, o que o deixaria surpreso se não estivesse concentrado na batalha que viria.

Eles empurraram a pesada porta de mármore e viram que estavam presentes apenas em uma sala da construção de rocha de calcário que formava o ginásio. Por dentro, mais paredes eram formadas da mesma rocha separando as câmaras do local.

Eles estavam na sala da arena, que recepcionava os visitantes e desafiantes. Um campo de batalhas com as medidas padrão da Liga Pokémon estava presente no centro do salão, seu solo era composto por cascalhos e pedregulhos. Já o piso do cômodo era trabalhado em quartzo, assim como as colunas que sustentavam o teto. Ao lado direito da entrada, uma arquibancada feita de alumínio com bancos plásticos para os espectadores. Lâmpadas simples pendiam do teto iluminando o local.

Do fundo, de onde podia ser visto a passagem para a outra sala, os dois irmãos adentraram. Agora Brock estava vestindo uma camiseta branca e folgada onde se lia “Pewter GYM” e tinha em sua bochecha um curativo, e o antebraço esquerdo enrolado por uma atadura. Ele pediu para seu irmão levar os espectadores até a plateia, onde Janine e Yellow sentaram-se na primeira fileira.

—Brock é o melhor líder de ginásio de Kanto, sabiam? — comentou o rapaz para as garotas.

Janine cruzou os braços e bufou.

— Eu conheço melhores.

Forrest a encarou erguendo uma sobrancelha, dando um sorriso sarcástico.

— Haha, eu duvido!

Em silêncio, Yellow concordava com Forrest, se perguntando o que poderia ser mais forte que domar um Onix com as próprias mãos.

— Então Red, seja bem-vindo ao ginásio de Pewter. Para levar a insígnia desse ginásio, a regra é bem simples: Cada um de nós pode usar dois Pokémon, sendo permitido trocá-los a qualquer momento. Quem nocautear os dois Pokémon do oponente primeiro, ganha. Beleza pra você?

Red refletiu sobre as regras antes de responder e hesitou por um instante, lembrando em seguida que ele não se tornaria forte se continuasse com dúvidas. Ele provaria para si mesmo que poderia ter controle sobre qualquer situação.

— Certo.
— Bem, então podemos começar.

Brock lançou sua PokéBola para o campo de batalhas fazendo com que dela emanasse uma luz que trouxe para fora um pequeno ser rochoso. Todo o seu corpo era constituído apenas de sua cabeça e dois braços feitos de minério. Red sacou a Pokédex que identificou a criatura como Geodude: o Pokémon rocha, conhecido por ser confundido com rochas nas montanhas e, portanto, sendo motivo de tropeço aos andarilhos.


O garoto então sacou sua PokéBola e a jogou no campo, imitando o líder do ginásio.

Quando o brilho se extinguiu foi revelado que Rattata havia sido escolhido. O rato roxo observou ao redor e viu seu treinador atrás com um olhar sério e então entendeu que iria se iniciar uma batalha. Brock pediu para que seu irmão mais novo desse início ao desafio.

— Está para começar o desafio do treinador Red, da cidade de Pallet, pela insígnia do ginásio de Pewter, defendida pelo líder Brock — narrou o garoto empolgado. — Comecem... Já!
— Rock Throw! — ordenou o líder sem perder tempo.
— Quick Attack! — pediu Red logo em seguida.

A diferença de tempo não foi importante já que Rattata era mais rápido que Geodude, correndo pelo campo de batalha atingindo o rosto do oponente com sua testa, mas a rocha viva pareceu não sentir muito impacto e logo catou um pedregulho e jogou contra o roedor, que foi arremessado junto com a pedra para o meio do campo. Red gritou preocupado com o seu Pokémon, mas o pequeno logo se levantou e se pôs em posição de batalha, mas seu oponente já estava investindo com um Tackle, que novamente jogou o rato para longe.

Red ordenou mais um Quick Attack e seu Pokémon se levantou e disparou rumo ao alvo, mas bem a tempo do impacto, Geodude conseguiu realizar o Defense Curl que seu treinador ordenara. O pequeno rochedo senciente cruzou os braços formando um ‘xis’ em frente ao seu rosto e o rato colidiu com força contra ele, tendo novamente um impacto pífio contra o oponente.

Brock sorria diante a performance de seu Pokémon, porém Red já estava ficando nervoso. Rattata praticamente não causava danos contra Geodude. Ele se concentrou e observou seu oponente.

A rocha viva novamente pôs as mãos em ‘xis’ frente ao rosto e gritou, como se estivesse desafiando o roedor. Rattata não temeu e partiu rapidamente com seu Quick Attack, que dessa vez conseguiu empurrar o Geodude alguns centímetros para trás fazendo-o rolar.

— Focus Energy... — riu Brock — É bom, mas não vai ajudar seu Rattata.

O Pokémon do líder voltou a ficar na vertical e tirou um pedregulho no chão, arremessando no roedor purpura. O pequeno desviou contra-atacando com um Quick Attack novamente, mas dessa vez o dano tinha voltado a ser pequeno. Geodude então aproveitou a proximidade e retirou um pedaço do solo debaixo do inimigo, arremessando a rocha por baixo do corpo do Rattata, atingindo seu abdômen, e fazendo que o pequeno rato fosse jogado para a direção de Brock, nocauteado.

Red cerrou os dentes. Ele podia ter ganhado de algumas crianças que caçavam insetos na Floresta de Viridian, mas aquele era o mesmo gosto amargo que ele havia sentido contra Gary, talvez pior. Rattata não conseguira dar tanto dano naquela pedra como havia causado contra o Pidgey, mesmo estando mais forte agora.

O garoto retornou seu Pokémon para a PokéBola segurando a frustração com toda a força que ele podia. Ele queria gritar naquele momento, mas não podia. O líder do ginásio e seu irmão estavam ali. Janine estava ali e com certeza faria piada com ele. Yellow estava ali e ele precisava que se mostrar capaz de manter-se firme frente a ela.

E ele só podia usar mais um Pokémon, Weedle, Mankey ou Pikachu. A escolha não era tão difícil. Weedle tinha sido recém-capturada, estava fora de questão. Mankey era forte, porém não obedecia a comandos.

Pegando uma nova PokéBola na mochila, ele a arremessou no meio do campo. O brilho veio à tona por alguns segundos e trouxe ao ginásio o roedor elétrico que Red confiava: Pikachu.

— EU NÃO ACREDITO! — gritou Janine, indignada.
— Não interrompa a batalha — pediu Forrest.
— Que mané interromper! Ele é burro, só pode!

No campo, Brock riu com o canto da boca e observou Pikachu. Red fechou as mãos, nervoso com a reação de Janine, afinal Pikachu era o seu Pokémon mais experiente. O que ele fez de errado?

O roedor observou a situação em que se encontrava. Ele encarou Geodude por alguns segundos que retribuiu o olhar com uma risada maliciosa. Pikachu olhou para seu treinador, incrédulo com a situação.

— Eu sabia que você era um treinador novato e tiver certeza ao ver você trazer seu Pikachu para uma batalha contra o meu Geodude. Já ouviu falar em vantagens e fraquezas de tipos?

— Não... — respondeu Red, hesitante. — Mas não interessa agora! Pikachu, Thunder Shock!

Pikachu encarou Red e por alguns segundos não reagiu. Ao invés disso, se pôs sobre as quatro patas e correu em direção ao inimigo, atacando com a cauda. Geodude ficou surpreso com o ataque inesperado e abriu a guarda.

— Claro que importa — continuou o líder. — As vantagens e fraquezas determinam os golpes que funcionam melhor contra outros Pokémon. Até seu Pikachu sabe que golpes elétricos como Thunder Shock não funcionam contra o Geodude, que além de ser do tipo Rocha, é do tipo Terrestre, que é imune aos golpes elétricos. Acho que o Tail Whip foi uma estratégia bem melhor. Tem certeza que você é o treinador da história?

Red estremeceu. Ele lembrou como Pikachu também havia tomado a frente na luta contra Gary. Apesar de eles terem feito um trato de se ajudarem, ele ainda deixava o Pokémon assumir toda a responsabilidade das lutas ao invés de agirem juntos. Ele precisava fazer sua parte também. Sacou a Pokédex e viu o que o movimento Tail Whip abaixava a defesa do oponente. Ele não sabia que Pikachu podia usar esse movimento e talvez pudesse ser útil com o novo ataque que ele havia aprendido enquanto lutavam contra os treinadores de insetos na Floresta de Viridian.

— Eu sou o treinador aqui! — respondeu o garoto, furioso. — Pikachu, Quick Attack!

Geodude tentou reagir ao ataque do roedor, mas Pikachu foi mais rápido, e numa investida, respondeu ao seu treinador atingindo o rosto pedregoso do seu inimigo com uma cabeçada, fazendo-o rolar alguns centímetros para trás e gritar em reclamação.

Brock respirou fundo e encarou Pikachu, que olhava satisfeito para Geodude.

— Garoto... — disse o líder colocando a mão direita na testa, cansado, enquanto a mão esquerda buscava algo no bolso da calça. — Vou te dar logo essa lição. Golpes do tipo Normal como Quick Attack não são muito efetivos também. E mesmo que você continue usando o Tail Whip, meu Geodude vai continuar usando Defense Curl para aumentar a defesa. Seus Pokémon não são habilidosos o bastante para combater meus Pokémon de pedra.

Brock pegou uma PokéBola do seu bolso e retornou Geodude.

— Você ainda é incapaz de conquistar minha insígnia, garoto. Declaro encerrada a batalha. Continuar essa luta só vai trazer dor para o Pikachu e mais humilhação para você.

Pikachu ergueu-se sob as duas patas traseiras e chiou. Faíscas saíram de suas bochechas e ele fechou os punhos das patas dianteiras. Red o encarou e percebeu Janine e Yellow olhando-os preocupadas da plateia.

O garoto cerrou seus punhos e fechou seus olhos por um momento. Não foi para isso que ele foi até aquele ginásio. Ele foi até ali para provar que ele era forte e não para perder. Ele precisava daquela insígnia para mostrar que ele era tão forte quanto Gary.

Em meio aos pensamentos confusos, Red abriu os olhos e viu Pikachu à sua frente, na mesma pose, ainda com as faíscas saindo de suas bochechas.

— NÃO! A gente pode vencer! — Pikachu o encarava surpreso — Eu sei que eu estou viajando há pouco tempo e que eu estou um pouco confuso desde que eu saí de casa... Mas eu conheci tanta gente legal e doida, tanto Pokémon bonzinho e que quer me matar... Eu ainda não conheço tudo, mas... EU NÃO POSSO DESISTIR! — gritou o garoto.

Pikachu encarou Red e olhou em seguida para Brock, colocando-se em posição de luta. As faíscas em suas bochechas se intensificaram.

— Isso é tudo muito bonito, garoto... — Brock pôs novamente a mão no bolso retirando uma PokéBola e a jogou no campo. O brilho dessa vez tomou conta de toda a sala, fazendo o garoto e seu Pikachu fecharem os olhos por não aguentarem a intensidade. Uma enorme cobra feita de rochas maciças tomou conta do local, a mesma que Red havia visto sendo domada no espaço externo. — Mas sem conhecimento, o seu poder da amizade não é efetivo.

Utilizando do golpe Rage, Onix usou a ponta de sua cauda para dar um golpe em Pikachu. O impacto levantou poeira dos cascalhos, fazendo Red notar que o roedor havia sido parcialmente enterrado vivo debaixo dos escombros.

— Tail Whip! — exclamou Red em desespero.

Não deu tempo de Pikachu se libertar da grande quantidade de pedra e areia que o prendia no solo. A enorme serpente rochosa atacou novamente com uma cabeçada colossal, fazendo Pikachu chiar de dor.

Yellow se encolheu com empatia e fechou os olhos. Janine abaixou a cabeça. Red simplesmente gritou. Novamente o impacto levantou uma densa poeira.

Quando a poeira abaixou, todos viram Onix ao lado de Brock, pedindo carinho e comida. O líder acariciou o focinho de seu Pokémon enquanto Red olhava para o centro do campo. Lá estava Pikachu, ainda preso pela parte de baixo de sua cintura, enterrado no solo, completamente nocauteado. Todo o seu corpo apresentava arranhões. O garoto pegou a PokéBola em sua mochila e retornou seu companheiro.

— Eu disse que meu irmão era forte. — comentou Forrest novamente para Janine.
— Isso não é hora. — respondeu a garota de forma ríspida, levantando com Yellow da arquibancada e correndo até Red.

As duas se posicionaram ao lado do companheiro que encarava o líder do ginásio sem reação.

— Red, vamos ao Centro Pokémon. Eles podem dar um jeito no Pikachu — disse Yellow.
— É. E depois ir ao museu para esquecer tudo isso — sugeriu Janine.

Red caiu de joelhos, ainda encarando Brock. As lagrimas não puderam ser mais contidas e escorriam contornando seu rosto. Ele então gritou liberando o que estava preso na sua garganta há dias.

— POR QUÊ?!
— Não sou eu quem tem que te responder isso, garoto, é você mesmo. Eu só estou aqui para te ensinar a lutar e te testar. Volte quando estiver menos confuso e souber lidar com o tipo Pedra.

Brock deu as costas para o trio e se dirigiu para a câmara dos fundos do ginásio. Forrest, correndo, seguiu seu irmão, como se nada tivesse acontecido. Red não era o primeiro e nem seria o último desafiante que Brock colocaria para chorar.

E o garoto permanecera ali ajoelhado, chorando e confuso. Com a mente enevoada, perdido em pensamentos, nem suas companheiras, nem sua mãe, nem um dos maiores pesquisadores do mundo e muito menos um líder de ginásio poderiam lhe ajudar naquele momento.




1Nota: Mouseio é a palavra grega da qual origina a palavra “Museu”.



  

Notas do Autor - Capítulo 5


E aí pessoal?! Demorou mais chegou! E antes do natal! Meu presente para vocês!Papai Killer entregando alegria!

Ou não, já que o Red só se lasca! Durante uma das nossas conversas no discord (Se você não está no nosso grupo, junte-se agora!) estavam falando dos desastre de cada uma das histórias da aliança e eu comentei como Kanto seria alegre, até que alguém (Se não me engano foi o Dento, me corrijam se não foi) comentou "Kanto é alegre? O Red tomou uma surra na primeira batalha dele!" E aqui estamos nós, a primeira paisagem agressiva da jornada o garoto já consegue ser envenenado e quase ficar lá mesmo, se não fosse pela nossa ninja favorita!

Estou eu aqui, roubando personagens da segunda geração, porem nativos de Kanto, para fechar o clássico formato de trio de protagonistas de Kanto!

Eu quero contar um pouco sobre a escrita desse capítulo, já que eu demorei para escrever. Eu queria principalmente introduzir a Janine e que o Red capturasse a Weedle. Ao mesmo tempo, eu tinha  na minha mente uma cena muito clara do Bellsprout metendo porrada numa Beedrill para pegar o veneno dela. Eu queria fazer a Janine coletando venenos. Após algumas conversas com o Dento, decidi usar o maior clichê do animê e trazer um ataque de Beedrills, mas não sem modificar. Então eu tive que fazer o Red se lascar de novo mais um pouco né? hehe

O Dento me sugeriu fazer a Yellow brilhar no capitulo junto com a Janine, espero que tenha conseguido fazer essas duas musas alcançarem as estrelas! Sem duvidas foi um dos capitulos que eu mais me diverti escrevendo (Eu sei que só foram 5 até agora), mas a Janine já conquistou o meu coração!

Espero ver vocês aqui em Kanto aqui sempre! E um feliz Natal para todos vocês! Que Delibirds e Jynx tragam muitas felicidades!

Smell ya latter!

Capítulo 5

Menina Veneno


A Rota 2 era curta, mas não impediu Red de tentar capturar alguns Pidgeys com ajuda de Rattata, ainda que suas tentativas tenham sido em vão. Uma pena, já que ele esperava adicionar o mesmo poder que vira no Pokémon de Gary ao seu time, além de aumentar os dados em sua Pokédex. Enquanto eles avançavam no caminho em direção à floresta, Yellow brincava com a Pichu em seus braços.



À medida que eles se aproximavam da Floresta de Viridian, percebiam que as copas das arvores ficavam mais densas e mais próximas entre si, como se quisessem abraçar os viajantes que passassem por ali com seus galhos e raízes. A dupla percebeu uma pequena construção no limite entre a floresta e o campo aberto da Rota 2. Era a última parada para os viajantes mudarem de ideia ou encherem as mochilas. Yellow pediu para encher seu cantil com água e Red aproveitou para comprar um sanduiche natural na cantina local antes de adentrarem a floresta.



E então eles finalmente entraram na floresta e não foram necessários muitos passos para perceber que a luz do sol era roubada pelas folhas mais altas das árvores, deixando o ambiente numa penumbra densa. Os olhos da dupla levaram alguns segundos para se acostumar com o ambiente e então Red ficou maravilhado: era uma explosão de vida. Nas frestas entre as folhas era possível observar os Pidgey empoleirados nos galhos mais altos das árvores, descansando, brincando ou procurando presas no solo, enquanto no chão, vários tipos de larvas rastejavam em busca de alimento ou a caminho de seus lares. Oddish pulavam e brincavam ao redor das raízes das árvores como se fizessem uma dança reverenciando a natureza que os envolvia.



— Isso é lindo. — comentou Yellow.
— Sim, e tem tantos Pokémon para pegar! — exclamou Red sacando a PokéBola de Pikachu e liberando o roedor.

Aquele foi o primeiro encontro entre Pikachu e Pichu. O pequeno ficou empolgado de ver sua forma evoluída e pulou do colo de sua mestra para admirar o companheiro de espécie. Pikachu fez pose e eles começaram a brincar, até que um Oddish se aproximou e Red se preparou para a batalha junto com seu parceiro Pokémon. Pichu ficou ao lado de sua treinadora para observar e imitou de longe os movimentos de sua versão crescida para tentar aprender como fazia. Yellow sorriu e decidiu assistir o companheiro.

— Cuidado, Red! — pediu Yellow, mas as palavras soaram como um baque no garoto. Ele não estava confiante como no início de sua jornada, afinal havia perdido para Gary dois dias atrás. Essa não era mais a hora de hesitar, mas de ir com tudo.

Red ordenou o ThunderShock e Pikachu obedeceu prontamente, mas o oponente mal sentiu o dano. Outros Oddish selvagens, companheiros daquele que Red enfrentava, perceberam o que estava acontecendo e fugiram procurando um esconderijo, onde alguns se camuflaram na grama alta, já que no topo de suas cabeças havia folhas que se pareciam bastante com a vegetação rasteira da floresta.

O Oddish atacado ficou para enfrentar o forasteiro.

De algum ponto entre sua folhagem, um feixe de energia verde foi disparado em direção ao roedor amarelo que ficou envolvido em uma aura de mesma cor. Pikachu começou a sentir uma fraqueza estranha tomar conta do seu corpo, mas Oddish logo saltitou de alegria, sentindo que o pouco dano que tinha recebido com o choque já havia sido curado. Red sacou a PokéDex de seu bolso e checou que aquele movimento era conhecido como Absorb.

Pikachu e Red se entreolharam tentando entender o que estava acontecendo, e esse foi o tempo para que Oddish então corresse para longe, fugindo e escapando do campo de visão do treinador e seu parceiro. Red até correu tentando procurá-lo entre a vegetação, porem seu esforço foi em vão.

Mas ele ainda não podia desistir. Decidiu lançar Rattata para fora da PokéBola e juntos enfrentaram algumas crianças de Viridian que iam para a Floresta caçar insetos como Caterpie e Weedle. A cada batalha vencida, Red recuperava um pouco de sua confiança, apesar dos oponentes serem apenas treinadores iniciantes com pequenas lagartas e nenhuma delas chegarem aos pés do Gary no quesito habilidade. Pichu assistia a todas as lutas completamente animada ao lado de Yellow, esporadicamente lançando arcos voltaicos de suas bochechas sem querer e se espantando com tal acontecimento em todas às vezes, o que fazia sua treinadora rir.

Demorou algumas horas até que a caminhada levasse a dupla até as partes mais densas da floresta. Agora os galhos médios das árvores eram conectados por fios seda que se interligavam e se emaranhavam formando uma complexa estrutura que sustentava vários Weedle e Kakuna metros acima do chão. Nenhum outro Pokémon, nem mesmo um Pidgey, ousava se aproximar da ninhada daqueles insetos. No solo, alguns até chegavam perto, mas ao olharem para o alto e perceberem onde estavam, recuavam para onde vieram.

Red e Yellow ficaram maravilhados com a engenhosidade da construção das plataformas de seda sobre as árvores. Observaram as pequenas lagartas amareladas brincando entre si, algumas até iam para alguns galhos para descansar e se cobriam em seda se preparando para evoluir em Kakuna.

Uma das Weedles veio até a borda da teia observar os visitantes. Red se animou e sacou sua Pokédex que analisou a criatura, identificando-o como “Pokémon inseto peludo: Weedle”, uma lagarta peçonhenta, portanto, capaz de injetar suas toxinas em suas presas ou malfeitores através do ferrão no topo de sua cabeça.



O garoto decidiu por liberar Mankey de sua PokéBola. O Pokémon Macaco já estava sem sair de sua esfera há alguns dias e o espaço da floresta talvez fosse livre o bastante para ele. O brilho da esfera iluminou os arredores por alguns segundos e então o Pokémon se deu conta de sua liberdade e soltou um berro. As Weedle se assustaram e se arrastaram para as bordas das raízes rumo às árvores buscando esconderijo. Mankey se virou procurando Red em ao cruzarem olhares, o pequeno macaco se jogou na direção do rosto do treinador.

Yellow gritou com o susto. Red já esperava a rebeldia do seu próprio Pokémon e se abaixou, mas Mankey também tinha ótimos reflexos e se segurou no tronco de uma árvore que estava atrás do garoto. A Weedle que tinha vindo até a borda da construção de seda ainda permanecia lá, imóvel, observando a batalha entre Pokémon e humano enquanto suas irmãs fugiam. Ela parecia confiante no zumbido que ela ouvia mas aquelas criaturas lá em baixo não tinham ouvidos capazes de captar.

Mankey escalou o resto do tronco até um galho e pulou para se agarrar num fio de seda. A lagarta que os observava finalmente se moveu para se afastar do macaco. O impulso que o primata fizera foi o suficiente para partir o fio e estragar a trajetória que ela houvera planejado, fazendo que rodasse no ar e indo de encontro ao chão. Red correu e se jogou no chão para tentar pegar socorrer seu Pokémon, mas não foi rápido o suficiente, e o corpo de Mankey chocou-se de cara, tendo a queda sido amortecida apenas pela grama que ali crescia.

O Weedle rapidamente tentou consertar o estrago feito no ninho de seda usando sua tecnica String Shot. Pichu, confusa com a situação, rapidamente escalou o corpo de Yellow até o topo da cabeça de sua treinadora e lançou um ThunderShock até a Weedle que estava lá em cima. O choque elétrico não foi perfeito como o de Pikachu, sendo disparado com varias voltas e mal direcionado, mas no final, atingiu o alvo desejado com potencia suficiente para que o inseto se contorcesse de dor e caísse do alto, de onde se mantinha segura.

Mas a pequena Weedle não viu problema algum. O zumbido estava mais alto, anunciando que seus irmãos e irmãs estavam chegando. Sua rainha iria obliterar aqueles humanos, com toda a certeza.

O corpo de Weedle não encontrou o chão. Seu ferrão fincou em algo fofo e Red soltou um grito agudo ao sentir a carne de sua pele ser perfurada.

— AAAAAAAI!!!!

O corpo do inseto se balançava preso ao tríceps do garoto humano, ligado por um ferrão.

Weedle ouvia o zumbido cada vez mais alto.

Yellow correu para perto de Red, preocupada. O garoto se levantou e com o braço livre tirou uma PokéBola de sua mochila e encostou no corpo do Pokémon em seu braço, que foi sugado para a esfera. Três vibrações e a esfera parou demonstrando a captura bem sucedida. Um filete se sangue começou a escorrer pelo braço de Red e Yellow correu para pegar uma bandagem na mochila do garoto para cobrir a pequena ferida, apesar das reclamações em forma de dor que Red sentia.

— Está melhor agora? — perguntou ela, olhando preocupada para ele.
—Tô sim — respondeu o garoto. — Valeu, Yellow.

Mankey se levantou atordoado olhando para Red e subitamente mudou seu olhar para o modo fúria, mas não teve tempo de atacar. Da copa das árvores, um enxame de Pokémon amarelos surgiu. Seus olhos vermelhos indicavam ataque, mas não ameaçavam tanto quanto os ferrões em seus braços e no final de seu corpo, onde deveria ser a cauda. A batida de suas asas criava um zumbido que irritava os ouvidos dos presentes naquele local. Weedles começaram a voltar para os ninhos de seda sobre as árvores. Red sacou mais uma vez a Pokédex, mas antes de abrir o equipamento para iniciar a análise das criaturas ao seu redor, uma delas atacou com o ferrão de seu braço.



— Corre! — gritou Yellow.

Red retornou o Mankey para a PokéBola e então saiu em disparada junto com Yellow. Ainda na cabeça de sua treinadora, a Pichu vez ou outra disparava uma carga de eletricidade contra as abelhas, mas sua falta de treinamento fazia que errasse mais que metade das vezes em que tentava, mas quando acertava comemorava como se fosse a vitória suprema sobre o enxame.

Mas Red sentiu uma pontada no lado direito do seu corpo e ficou difícil correr por alguns segundos. Ele pisou em falso e daria de cara no chão se sua companheira não tivesse o ajudado a manter o equilíbrio. Ela perguntou se ele estava bem e a resposta foi positiva. Continuaram a fuga por alguns minutos até despistarem os insetos.

Ou pelo menos eles achavam que o tinham feito.

Red estava suando frio e se sentia muito cansado. Cada passo que dava parecia ficar mais difícil de ser dado. O garoto então resolveu sentar-se na grama e se apoiar em uma árvore. Despiu a jaqueta para tentar se sentir melhor e então Yellow viu em seu braço a bandagem embebedada com sangue vermelho-escuro. Se aproximou e retirou-a com cuidado e viu que, ao redor da ferida que Weedle fizera, um coágulo negro com pus amarelado havia se formado. As veias ao redor da lesão estavam visíveis e pareciam pulsar. Red respirou lenta e pesadamente.

— Red, eu acho que você não está bem... Eu acho que foi aquela picada de Weedle!
— Não... — respondeu baixo e respirou fundo antes de falar algo novamente para recuperar o fôlego — A gente pode... Resolver isso em Pewter... Vamos...

O menino tentou se levantar, mas o seu braço falhou contra o chão e a loira o segurou para que não tombasse contra a terra. Ele gemeu de dor contra a inevitável forma que ela segurou seu braço e o pôs novamente sentado.

— Acho que não vamos conseguir desse jeito, Red. Precisamos fazer algo, imediatamente...

Algo incompreensível foi dito como resposta, o que a deixou ainda mais preocupada. A garota decidiu olhar na mochila de Red e liberou Pikachu e Rattata para tomarem conta do seu treinador enquanto ela decidira procurar algo que pudesse ajudar nas entranhas verdes da floresta.

***

Dessa vez, acompanhada apenas de sua Pichu, Yellow tomou a precaução de se atentar aos Pokémon ao seu redor, sempre procurando por sinais das abelhas amarelas que anteriormente a caçara e andava apenas em uma direção para saber voltar até seu parceiro de viagem. Pichu que estava deitada sobre sua cabeça tentava captar sons com suas grandes orelhas ou sinais elétricos estranhos com sua pequena cauda.

Já estava distante da entrada construída próxima a Viridian e faltava muito para chegar à saída próxima a Pewter e por isso não se encontrava com nenhuma outra pessoa que pudesse ajudar, além de ela mesma não ter conhecimento algum sobre medicamentos. Apertou o passo na esperança de algo milagroso acontecer.

Sons chamaram sua atenção. Pichu guinchou esperançosa. Correndo, Yellow deparou-se com uma garota e seu Pokémon batalhando contra um Pokémon selvagem.

A garota parecia mais velha que Yellow e era um pouco mais alta. Trajava um macacão sem mangas preto como a noite com uma faixa rosa na cintura combinando com seu cachecol de mesma cor. Em seus pulsos e tornozelos, usava pulseiras e tornozeleiras roxas de algodão para evitar que o suor escorresse para suas mãos e pés. Seus sapatos pareciam meias de tão flexíveis e confortáveis que eram, mas se enganava quem achava que seus pés estavam expostos. Seu cabelo curto estava penteado para trás e preso num elástico formando um grande coque espetado na parte de trás de sua cabeça. Em suas costas, uma mochila que se assemelhava a uma sacola de cor preta com um símbolo desconhecido por Yellow: .



A desconhecida dava ordens para um Pokémon que que se mantinha parado no ar batendo suas asas e se assemelhava a um morcego de coloração azul. Não aparentava ter olhos em sua face. Em sua boca os caninos chamavam a atenção. O morcego encarava uma criatura quadrúpede de coloração verde. Em suas costas, um bulbo de um vegetal estava presente, mas não parecia que estava sendo carregado, fazia parte do Pokémon em si. Seus olhos eram vermelhos e olhavam atentamente para o oponente a frente.



— Anzu, use Supersonic! — ordenou a garota para seu Pokémon morcego.
— Com licença... — pediu Yellow, surpreendendo tanto a garota quanto os Pokémon que estavam em combate, interrompendo a luta — Eu preciso de ajuda!
— Ajuda? — repetiu a estranha virando o rosto para observar quem se aproximava — Hein? Não dá para esperar um minutinho? Eu meio que estou ocupada tentando pegar aquele Bulbasaur.
— Desculpe... Mas estou com pressa, meu... — a loira hesitou sobre como chamar Red. Apesar dele ter sido muito gentil com ele e ter prometido que a protegeria durante sua internação, ela mal o conhecia, não dava para o chamar de amigo, ainda. — ...Companheiro de viagem está passando mal. Acho que ele foi envenenado.
— Envenenado? — refletiu a outra. — Acho que posso te ajudar, afinal eu sou... — a garota com um salto mortal girou no ar ao redor do próprio eixo e pousou de pé numa posição heroica, encarando Yellow face a face. Pichu aplaudiu os movimentos surpreendentes da garota o que a deixou ainda mais satisfeita e envaidecida — Janine, a grande ninja venenosa! Conhecedora de todos os venenos existentes, treinada pelos grandes mestres de Kanto e Johto! Sei envenenar e curar, me ocultar nas sombras e ma...

Enquanto a garota se apresentava fazendo várias poses para demonstrar seus dotes, seu Pokémon se aproximou e fez algum ruído baixo próximo ao seu ouvido. A ninja olhou para trás e percebeu que o Pokémon que desejava capturar havia fugido.

— Mas... AONDE ELE FOI?! — gritou a ninja Janine agitada. — Ah não... — então retornou a atenção mais uma vez para Yellow — Tudo bem... Agora tenho tempo de te ajudar, diga aí o que você precisa que a mestra aqui te ajuda.

Janine envolveu a loira pelo ombro com um de seus braços, o que fez a mais nova se contrair um pouco sem saber como reagir, mas ela repetiu seu mantra mentalmente que não podia deixar Red sem ajuda e então explicou o que aconteceu com o garoto. Comentou do acidente com a Weedle na região mais densa na floresta e por mais incrível que parecesse, a ninja conhecia aquele Pokémon e conhecia as abelhas que os atacara: Beedrill. A mais velha pediu para ver Red e então foi guiada até o garoto.

Então Yellow guiou Janine pelo caminho de volta até o menino, que agora estava deitado sobre a grama. Rattata tentava confortá-lo enquanto Pikachu ficava atento para combater qualquer um que tentasse atacar seu treinador ou roubar seus pertences. Red havia piorado enquanto sua companheira estava procurando ajuda, agora estava inconsciente e completamente pálido, tremendo como se estivesse sentindo o frio congelante dos ventos do norte das terras longínquas de Sinnoh, mesmo que a floresta apresentasse um clima ameno naquele horário. Janine encostou a mão no pescoço do enfermo e percebeu que ele não devia estar tão quente. Observou o braço do garoto e percebeu que a ferida não tinha começado a cicatrizar ainda, o que era um mau sinal. Janine que antes estava neutra e despreocupada mudou completamente sua expressão.

— Isso não é nada bom. Humanos não foram feitos para serem intoxicados pelos Pokémon.
— O que podemos fazer então?

Janine tirou um saco de dormir da mochila de Red e o ajeitou sobre o chão. Com ajuda de Yellow, cuidadosamente colocou o garoto sobre aquele colchão. Ela então começou a coordenar comandos para Yellow, pedindo para que a loira segurasse o braço garoto envenenado “com toda a força, para não se mexer”.  Retirou uma garrafa de Fresh Water de sua própria sacola e se prontificou a lavar o ferimento. Mesmo inconsciente, Red involuntariamente puxou o braço para longe da água assim que a primeira gota entrou pelo ferimento e tocou sua carne desprotegida. Yellow, que não esperava a reação, deixou o braço escapulir de suas mãos por alguns segundos até segurá-lo novamente.

Com calma e habilidade, Janine limpou a ferida no braço do recém-conhecido. A loira não conseguia olhar diretamente para a carne viva do companheiro quando a outra jorrava água diretamente dentro do ferimento, pois sentia como se a lesão fosse nela própria. Logo o ferimento estava devidamente limpo e o sangue escuro coagulado não estava mais lá, com as veias antes visíveis sem pulsar mais sangue para fora do corpo enfermo.

O sol já havia se posto. A ninja pediu que Yellow tivesse paciência e esperasse até o dia seguinte para que concluíssem o tratamento, já que durante a noite sua Zubat era a única que teria perfeita visão.

Yellow e Janine não tinham sacos de dormir ou colchonetes. A ninja devido ao seu estilo de vida, subiu até o galho mais baixo da árvore que anteriormente Red se apoiara e se sentou ali, fazendo alguns movimentos com suas pernas e se sentiu presa o suficiente no galho e dormiu ali, não sem antes pedir que sua Zubat permanecesse acordada e alerta para ataques de outros caçadores noturnos.

Red e Yellow não imaginaram que acampariam na floresta, então não se preocuparam em comprar um saco de dormir para ela em Viridian. Ela dormira no chão de cimento da cidade anteriormente, mas sua mente estava confusa então não foi tão desconfortável, mas a grama incomodava agora que estava deitada completamente sobre ela, espetando sua pele aqui e ali. Desejava deitar no saco de dormir com Red, queria que ele estivesse bem para que ela pudesse pedir isso a ele, mas era muito egoísmo fazer esse pedido com ele naquele estado. Apenas retirou sua bata para tentar fazer de colchão e foi o máximo que conseguiu. Dormiu à relva depois que cansou de resistir aos incômodos da floresta.

***

A manhã chegou antes mesmo que o sol terminasse de nascer. Janine desceu da árvore ao mesmo tempo que grupos de Oddish saiam de suas tocas para iniciar a rotina diária. Aqueles Pokémon queriam aproveitar todos os raios de sol que pudessem e Janine queria correr contra o tempo para produzir o antidoto para o garoto que acabara de conhecer. Acordou Yellow e explicou a situação.

Ele precisava de algo que agisse rápido. Para isso ela precisava de algo mais potente que o veneno da Weedle, então ela precisaria coletar veneno de Beedrill. As duas precisavam voltar ao território das abelhas para essa missão, ao mesmo tempo em que deveriam evitar os ferrões para não acabar na mesma situação do garoto.

Yellow engoliu em seco. Ela não tinha nenhuma habilidade para treinar Pokémon como Red ou dar cambalhotas como Janine, mas ela devia isso ao garoto e concordou. Como no dia anterior, Rattata e Pikachu ficaram de guarda protegendo seu treinador enquanto as garotas partiram em direção à mata fechada.

Havia uma dica: Yellow se lembrava que a área do acidente era mais densa, portanto elas seguiram buscando o caminho que as levassem rumo a esse destino. Não demorou muito para que a loira reconhecesse os fios de seda aparecendo sobre as árvores e avisasse Janine. Pichu guinchou de felicidade e a ninja deu um pulo para trás de susto. Aquela era uma missão furtiva, então pediu educadamente para que a parceira retornasse o pequeno para a PokéBola antes de prosseguir pela trilha.

Ela pensou em liberar sua Zubat. Seu voo era silencioso, e ela podia detectar presenças sem precisar enxergar utilizando ondas ultra-sônicas, mas achou que podia estar exigindo demais da pobre criatura que ficou acordada durante a noite e que agora deveria estar dormindo. Seu outro Pokémon não era usado para rastrear, mas para combate direto, então ela preferiu não utilizá-lo agora. Ela faria o seu melhor por si mesma.

Perguntou para Yellow se conseguia ver o ninho de teias sendo formado aos poucos sobre o topo das árvores. Elas estavam se aproximando da colméia principal. A loira assentiu em afirmativo com a cabeça e então com dois saltos Janine alcançou o fio de seda e comandou que Yellow a acompanhasse pelo solo enquanto ela seguia pelo fio de seda como fosse sólido. Não parecia ser tão frágil, apesar de Mankey ter quebrado um ao tentar se pendurar. Vez ou outra Janine parecia se desequilibrar, mas dando um salto mortal para frente ela conseguia firmar seu equilíbrio novamente sobre o fio de seda como se estivesse resetando o atributo. Pelo chão, Yellow corria tentando não fazer barulho acompanhando a líder da missão.

Logo chegaram ao ninho das Weedle, com as lagartas e os casulos imóveis. Nenhuma Beedrill estava à vista.

— Falhamos... — comentou Yellow, começando a deixar o desespero tomar conta de sua mente.
— Mantenha a calma. — ordenou Janine. Ela saltou sobre os insetos e pousou no centro do ninho de seda. Dessa vez, ao invés de usar a leveza de antes, usou todo o peso de seu corpo para partir os fios de seda, derrubando as conexões centrais. As Weedles logo trataram de tentar se segurar e começaram a correr na direção da árvore mais próxima. Os Kakuna mais firmes se chocaram fortemente contra os galhos e troncos de árvore espalhados por todos os lugares enquanto outros que não estavam tão seguros caíam diretamente contra o chão e gemeram. Janine caiu no chão de pé com um olhar alerta para a floresta.
— O que foi...? — indagou Yellow, espantada.
— Pichu! Agora!

A loira pegou a PokéBola em seu cinto e libertou seu Pokémon. Não sabia direito o que fazer, então imitou Red e pediu um ThunderShock. Pichu já tinha aprendido da última vez que alvos móveis são mais difíceis de acertar então mirou nos casulos que estavam no chão. Após cada eletrocutada, os casulos vibravam cada vez mais. Yellow sorriu imaginando que era sinal do dano que estavam sofrendo de Pichu, mas Janine sabia que era o sinal de socorro que eles estavam emitindo, e a resposta já devia estar chegando. Anzu poderia captar a resposta se estivesse com elas, mas dessa vez tinha que deixar sua companheira descansar e se concentrar sozinha.

Em pouco tempo, Yellow se assustou e pulou para trás ao ver as abelhas surgindo das árvores, furiosas e prontas para atacar como no dia anterior. Elas eram mais do que Janine esperava. A ninja sacou duas PokéBolas de dentro do macacão e liberou Anzu e outro Pokémon. O segundo parecia desengonçado, pois seu corpo consistia num caule fino e flexível. Seus pés eram raízes e seus braços aparentemente eram duas folhas grandes anexadas ao seu corpo. Sua cabeça era uma planta amarela que se assemelhava a um sino, com lábios róseos na boca e dois olhos pretos. Era um Pokémon conhecido por Bellsprout e que era bastante subestimado por diversos treinadores.



Yellow pediu para que Pichu mirasse os ataques nas Beedrills e assim foi feito, enquanto Bellsprout e Zubat eram muito ágeis e partiram para o ataque físico. Durante a confusão, Janine perdeu seu Bellsprout de vista, mas comandava a morcego com maestria, que desviava com manobras aéreas dos ferrões e mordidas das abelhas. Pichu permanecia próxima dos humanos lançando cargas elétricas e dando cobertura para os companheiros.

As abelhas continuavam a atacar repetidamente e vez ou outra acertavam Anzu. Janine estava preocupada com Bellsprout e queria correr para o meio da confusão, mas estava impossível com o paredão de ferrões que se formara em sua frente. Zubat era a única coisa que protegia as humanas ali, além de Pichu. Ela deveria confiar que seu outro Pokémon estava bem.

Com um Supersonic, a morcego e sua treinadora perceberam que podiam causar discórdia no enxame inimigo, e essa passou a ser a estratégia principal. Agora, além dos danos das mordidas da Zubat e de serem fritadas pela eletricidade da Pichu, vez ou outra uma Beedrill era atingida e ferida por uma companheira do próprio grupo. As que ainda estavam sóbrias começaram a recolher os Kakuna que estavam caídos no chão ou presos nas árvores e voaram dali. Outras demoraram que o número dos membros de seu exército estava diminuindo.

Os ataques de Pichu e da Zubat continuaram. O Pokémon de Yellow vez ou outra balançava sua cauda para os inimigos que, assustados, se distraiam e pareciam ficar mais afetados pela mordida de Anzu. Apesar disso, Janine tentava esconder a preocupação de que elas precisavam pegar uma daquelas Beedrill para coletar o veneno antes que todas se esvaíssem. Calmamente ela pôs a mão na mochila e achou um tubo de ensaio de vidro com uma tampa. Seria o recipiente perfeito para guardar o veneno e ele deveria estar em mãos para não haver falhas.

Uma das abelhas então se aproximou mirando seu ferrão dianteiro na Zubat. Janine saltou em um galho e se impulsionou na direção do Pokémon estendendo a mão direita que estava vazia, pronta para derrubá-lo no chão.

— Eu sou Janine, a ninja venenosa, a melhor no que eu faço! E por isso vou te pegar! — gritou a garota se apresentando para a vítima.

A Beedrill percebeu a ninja se aproximar e voou para longe, se escondendo entre a copa das árvores. Janine caiu com o peitoral na direção do chão, mas conseguiu girar e cair de costas no último segundo.

— Você está bem? — perguntou Yellow, preocupada.
— Sim... Desde crianças os ninjas são ensinados a cair — respondeu enquanto se levantava sem reclamar de nenhuma dor. — Agora temos que nos preocupar em pegar uma dessas Beedrill.

A cada segundo que passava, menos abelhas ficavam no local, seja fugindo sozinhas ou levando os casulos. As garotas perceberam que todas já haviam retirado os Kakuna e Weedle em perigo dali e recuaram, percebendo que aquela era uma derrota para ambos os lados.

Yellow ao perceber que todas as Beedrills fugiram olhou para Janine em um misto de tristeza e desespero.

— Eu... Me... É que... Desculpa... — pediu a loira. Pichu se aproximou de seus pés e fez carinho em seu tornozelo tentando acalmar a treinadora.
— Tudo bem. Eu também falhei. — respondeu a outra encarando o chão.

Um berro surgiu próximo dali e as garotas direcionaram a atenção para a origem do som. Janine reconheceu de imediato que Bellsprout estava chamando. Notaram que o Pokémon se aproximava com uma Beedrill imobilizada, enrolada por seus cipós, ainda de que vez ou outra a abelha tentava mover um ou outro membro sendo cada vez mais apertada pelas vinhas. O Pokémon de Janine bateu a abelha violentamente contra o chão e berrou novamente. Janine entendeu e abriu o tubo de ensaio posicionando-o no ferrão da cauda da Beedrill. O pequeno broto então pisou no abdome da abelha com suas raízes e começou a espremê-lo com toda a força que tinha. Gotas de coloração alvo-esverdeada começaram a pingar no tubo de vidro. Ao conseguir um volume mais que suficiente, a ninja pediu para que Bellsprout parasse. O Pokémon então jogou a abelha contra uma árvore e ela desmaiou ali mesmo.

— Obrigada “B”. — Sussurrou Janine para seu Pokémon, beijando o topo de sua cabeça.

A ninja retornou seus Pokémon para suas devidas PokéBolas e correu junto à Yellow de volta para onde as duas haviam deixado Red.

***

Para Yellow restava apenas esperar. Janine passou a tarde medindo, moendo e misturando itens e ingredientes recolhidos pela floresta até chegar à conclusão de que estava com a mistura e quantidade ideais dentro de um pequeno frasco para curar Red. Com uma seringa sugou todo o conteúdo e conectou uma agulha, introduzindo-a no braço oposto à ferida e injetando o antídoto caseiro que havia fabricado.

Antes de a noite chegar, Janine olhou e limpou novamente a lesão do garoto. Sorriu aliviada em ver que, desta vez, a cicatrização já estava se iniciando, colocando uma bandagem para evitar que os movimentos do garoto durante o sono fizessem com que a carne exposta tivesse contato com a grama.

Yellow e Janine conversaram deitadas na grama até dormir, esperando que na manhã seguinte Red estivesse melhor.

***

Dessa vez Janine se permitiu dormir até mais tarde e esperou até que o sol a acordasse. Ela foi a primeira dos três a acordar, apressando-se em checar o estado de saúde do garoto. Sua pele estava corada novamente, sua temperatura estava normalizada. Ele não tremia mais. Estava bem de novo. Ela havia conseguido salvar uma vida pela primeira vez. Tinha dado certo. Ela suspirou aliviada.

Então Yellow e Red despertaram. O garoto não lembrava muito bem do que acontecera depois de fugir das Beedrill, então a loira o atualizou contando da aventura que teve com a nova conhecida. Janine novamente se apresentou.

— Janine é meu nome! Ninja venenosa é meu título! Sobre venenos sei tudo o que há para saber! Salvei sua vida garoto, junto com sua amiga aqui, claro, mas meu Bellsprout fez o trabalho de capturar o inimigo e juntar o veneno, por isso que sou a melhor ninja de minha geração!

Red estranhou a forma que ela contava seus feitos e olhou para Yellow, mas a garota simplesmente sorria, admirando a ninja.

— Certo aí, grande ninja. Prazer em te conhecer e obrigado por tudo. Agora, se nos permite, eu e a Yellow vamos seguir para Pewter.
— Pewter é? Eu também estou indo pra mesma direção — Janine pensou um pouco e complementou — O que acha de irmos juntos? Parece que vocês precisam da minha ajuda no final das contas, afinal eu sou a grande Janine! — e terminou a frase dando um mortal para trás.

Red mais uma vez estranhou o comportamento da garota e imaginou se todas as pessoas da cidade grande se comportavam daquela forma, ou se era um comportamento particular apenas dos ninjas. Olhou novamente para Yellow procurando algum apoio, mas a garota continuava a sorrir encantada.

— Eu acho que seria ótimo! — comentou a loira.
— Hein? Sério? Bem... Eu realmente sou grato por ter salvado a minha vida... E no fim das contas, acho que seria muito legal ter uma pessoa que entende de ervas medicinais viajando com a gente, afinal, a gente pode ficar doente, não é mesmo? — comentou Red, tentando procurar enxergar as excentricidades daquela garota de forma positiva.
— Então vamos lá! — gritou a ninja agitada. — Pewter fica naquela direção e se nos adiantarmos, chegaremos lá antes do anoitecer! Amanhã poderemos visitar o museu! E tem um Ginásio bacana! Ah, também podemos dormir no Centro Pokémon da cidade! E por que a gente não ressuscita uns fósseis? Seria massa demais! — Janine tagarelava conforme caminhava ao lado de seus dois novos amigos.

Basta que uma vida permaneça em movimento para que encontre e influencie outra. É assim que o destino age, fazendo que três jovens que nada têm em comum se encontrem em meio a uma floresta e juntos partam rumo à cidade cinzenta de Pewter.




  

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