Capítulo 2

Páginas em Branco

Os moradores da Cidade de Viridian tiveram uma ótima noite de sono, até mesmo os cidadãos mais estressados e que costumavam sofrer de insônia. Coincidentemente, todos eles tiveram o mesmo sonho comum, em que encaravam um grande relógio de pendulo dentro de uma grande mansão que estava sendo esvaziada.

Estranhamente, ninguém se lembraria desse sonho quando acordasse pela manhã.

Já Red quase não conseguiu pregar o olho naquela noite.

Após a breve conversa que tivera com o Professor Carvalho, seu vizinho e maior autoridade em pesquisas sobre Pokémon na região de Kanto, ele finalmente estava animado com alguma coisa como há muito não estivera.

Passou a noite deitado e custou a conseguir dormir, pensando nas rotas que exploraria e no que ele ajudaria o cientista a descobrir. Pensara também no que sua mãe acharia sobre aquilo. Talvez aquele fosse o maior desafio. Só ao chegar ao nível basal de energia em seu corpo, o cérebro do garoto decidiu entrar em estado de sono, que não durou muito.

Sua mãe gritava do andar inferior da pequena casa quando os raios de sol já brilhavam forte, atravessando os vidros da janela da cozinha e procurando passagem nas frestas das cortinas do quarto pequeno de Red. Aquele estímulo sonoro foi o que faltava para que o garoto voltasse ao estado de vigília.

— O café está pronto, Red!

Ele sentou na cama e coçou de leve os olhos à medida que aos poucos os abria, permitindo a luz natural entrar. Apesar de desperto, ainda não estava totalmente ativo, até lembrar da noite anterior:

***
— Eu poderia descobrir coisas novas também? Explorar e trazer coisas para o senhor pesquisar?
— Por que não? Meu neto sairá amanhã cedo em jornada, mas nada impede que você não possa sair também. Converse com sua mãe e venha me ver.

***

Ele saltou da cama rapidamente e desceu as escadas como se nela tivesse apenas um único degrau. Joana, sua mãe, não gostava quando ele fazia aquilo, mas sabia que devia estar animado com algo.

— O que houve? — Questionou a mãe.
— Então... Sabe o que é mãe...? — Começou o filho meio sem graça. — Eu conversei com o Professor Carvalho ontem à noite.
— Ontem? O que estava fazendo acordado tão tarde? Já te disse que ainda não tem idade para assistir TV nesse horário! — Repreendeu a mulher, servindo o café de forma generosa em duas xícaras na mesa, ao mesmo tempo em que retirava alguns pães de um saco de papel.
— Não, não! É que eu não consegui dormir, então fui tomar um ar na varanda — mentiu o garoto preferindo não preocupar sua mãe falando que caiu do telhado. — E por coincidência o Senhor Carvalho estava tomando um ar na rua.
— Ah, sim. Ele é sempre muito simpático. Sobre o que conversaram? — Indagou a mulher, agora colocando fatias apetitosas de presunto dentro dos pães e colocando em um prato, na frente da cadeira em que Red se encontrava sentado.
— Ele comentou que o Gary — por algum tipo de ritual particular, Red teve que pausar a frase para revirar os olhos após pronunciar o nome do vizinho — vai sair em uma jornada hoje.
— Eu estou sabendo — respondeu colocando duas colheres de açúcar no café do filho. — É o assunto mais falado na padaria hoje! Acho que o menino tem potencial.
— A questão não é essa, mãe — disse Red tentando desviar o assunto do tão odiado rival enquanto bebericava o café tentando não queimar a língua. — O senhor Carvalho ofereceu um Pokémon para que eu também saísse em jornada — terminou de contar abaixando a cabeça tentando esconder o rosto, como se acabasse de contar o segredo mais constrangedor que existisse.
— Isso é maravilhoso! — Exclamou a mãe — Você vai aceitar?
— Então você concorda? É só isso?!
— Ora, se o governo acha que a partir dos 10 anos crianças já estão prontas para ter um Pokémon e viajar, quem sou eu para dizer que meu filho não é capaz de fazer o mesmo? — Respondeu dando um sorriso encantador que deixou o menino feliz.
— Eu preparei meus argumentos a noite toda!
— Eu quero que meu filho tome o melhor café da manhã, tome o melhor banho e escove bem os dentes, e vá encontrar o Senhor Carvalho, para sair com o seu Pokémon!
— Valeu mãe! A senhora é a melhor! — Exclamou Red enfiando o pão inteiro na boca enquanto sua mãe ria e dizia para se manter educado de qualquer forma.

***

Depois do café tomado, pratos lavados, corpo banhado e dentes escovados, Red estava com sua habitual camiseta preta, calça jeans surrada e seus tênis gastos. Correu para casa ao lado e bateu três vezes na porta. Foi atendido por uma bela moça poucos anos mais velha que ele, que ao vê-lo, sorriu simpaticamente. Trajava um vestido verde de alças finas que ia até metade de suas coxas, e seus cabelos castanhos ondulavam suavemente até seus ombros. Ela puxou a conversa.

— Bom dia, Red! É uma surpresa você vir até aqui.
— D-Daisy! — Gaguejou o garoto, corando as bochechas involuntariamente. — Seu avô está ai?
— Ele saiu mais cedo com o Gary. Eles devem estar no laboratório. Quer que eu faça um chá enquanto espera?
— N-Não precisa, obrigado, eu vou até lá. Até mais Daisy! — O garoto saiu correndo pela calçada da pequena cidade na direção do laboratório, o prédio mais desenvolvido naquele interior de Kanto.
— Apareça mais vezes, Red! É sempre um prazer te receber! — Gritou a moça acenando sem obter respostas.

Red achou que a corrida até o laboratório acalmaria sua ansiedade, mas na verdade só o deixava mais animado. Cada segundo em que sentia seus músculos na perna se contraindo e relaxando em um ritmo coordenado, fazendo com que cada passo fosse dado, a grama em sua frente amassada e o vento ao sul soprasse em seu rosto, esvoaçando seu cabelo, fazia seu coração bater mais forte. Seu cérebro estava dopado de substancias químicas que faziam o garoto sorrir sem parar. Ele só queria chegar logo ao laboratório.

Até que ele chegou. E não conseguiu parar a tempo.

Ele bateu com tudo nas portas translúcidas do laboratório. Para sua sorte, o material era revestido, e por conta disso não quebrou, ou teria sido um péssimo início de jornada. Algum aluno do renomado professor abriu a porta para o menino que havia caído de bunda no chão e o ajudou a levantar.

— Tudo bem com você, garoto? — Perguntou o jovem assistente.
— Tudo sim. O Professor Carvalho está aí? — Indagou Red esfregando a anca para amenizar a dor da queda, enquanto tentava espiar o fundo do laboratório.
— Está sim, ele avisou da sua chegada. Me acompanhe.

O aspirante a cientista guiou Red pelo laboratório até os fundos. Ele passou pelas bancadas de mármore branco observando as vidrarias com líquidos multicoloridos em seus interiores. Muitos microscópios estavam posicionados com pequenas placas de vidro sob suas lentes, prontos para serem analisadas, Red imaginou o que estaria ali, prestes a ser revelado. Alguns Mr. Mime organizavam os itens com ajuda de outros assistentes. No fundo do laboratório, ao lado de uma grande janela para um jardim aberto, com uma grande variedade de Pokémon correndo e brincando, estava o escritório do renomado cientista, que lia alguns relatórios. Com a batida que seu assistente deu a porta entreaberta, ele viu pelo vidro da porta que Red havia chegado.

— Red! Finalmente chegou! Que bom te ver, quer dizer que sua mãe aceitou, hein? — Comentou o cientista, dispensando seu assistente com um sorriso — Obrigado, Charles.
— Sim, senhor. E eu estou ansioso para poder sair em viagem e te ajudar! — Exclamou o garoto.
— Sim, sim. Isso será de grande ajuda. Venha aqui — disse o pesquisador guiando Red até uma mesa mais baixa em seu enorme escritório.

Até agora Red não havia entrado no escritório — na verdade nunca tinha entrado no laboratório, já que desde bebê nunca tinha se dado bem com Gary, o que o deixou assustado. Era muito grande, com uma mesa escura ao fundo, onde repousava um computador branco. A mesa era grande o suficiente para que o professor utilizasse o computador e fizesse anotações em mais três cadernos ao mesmo tempo, e tinha espaço para muitas gavetas. De frente para a mesa, dois sofás com dois lugares cada de frente a uma mesa de centro que os separava por pouco mais de um metro. Ao fundo havia uma estátua de algo que a primeira vista parecia ser um coqueiro, mas ao olhar duas vezes, era perceptível que na verdade era um Pokémon, bípede, meio gorducho, com três cabeças e com folhas no lugar de cabelos. Nas paredes, quadros enormes preenchiam o espaço vazio mostrando dos mais comuns aos mais raros Pokémon. Aquele escritório inteiro poderia muito bem ser um apartamento de uma família pobre na grande cidade de Saffron.

— Sente-se — pediu o velho cientista. — Aqui está o grande segredo.

Os dois sentaram-se nos sofás, encarando-se. Carvalho pegou um objeto avermelhado e levantou na altura dos olhos de Red.

— Isso aqui é uma Pokédex. Ela é capaz de registrar os dados dos Pokémon ao seu redor e armazená-los num servidor compartilhado com meu laboratório.
— Então se eu carregar isso comigo e capturar muitos Pokémon, eu vou te ajudar a ter muitos dados?
— Isso. Parece que você é bem inteligente no final das contas. O Gary exagerou bastante ao seu respeito.
— Claro que ele exagerou! Ele se acha tão melhor que os outros! — Red fez uma pausa na sua reclamação e olhou para os lados. — O Gary não ia pegar o Pokémon hoje? Achei que ele estaria aqui.
— Você chegou um pouco atrasado, Red — comentou o senhor. — Meu neto já partiu daqui a algum tempo...
— É O QUÊ?! — gritou o garoto. — Eu não posso ficar para trás daquele mimado! Professor, eu vou te ajudar mais que ele, passa o Pokémon que eu já tô indo!
— Vamos com calma — disse o pesquisador enquanto ria disfarçadamente — Aqui estão dez PokéBolas para que possa capturar outros Pokémon.

Red olhou para as esferas vermelhas e lembrou que estava sem mochila. Ficou sem graça de olhar novamente para o professor que percebeu que o garoto não sabia onde enfiar tanto equipamento.

— Bem, você pode levar a Pokédex no seu bolso, ela também já vem com sua licença de treinador, caso tenha algum encontro com a polícia. Quando ligá-la pela primeira vez, vai ser mostrado um tutorial de como usá-la. Vou colocar as PokéBolas num saco para você.

Red olhou para outra PokéBola que estava afastada das dez primeiras que Carvalho não havia guardado junto com as outras.

— Esse aqui é o seu Pokémon — disse o pesquisador pegando a esfera isolada e voltando sua atenção à Red.

O senhor apertou o botão central da PokéBola e um raio de luz emanou dela, materializando um pequeno roedor em cima da mesa de centro. Ele tinha pelos amarelos chamativos, com exceção das bochechas que eram vermelhas, de duas faixas de pelos marrons em suas costas e das pontas de duas longas orelhas que eram pretas. Sua cauda se assemelhava a um raio e estava todo encolhido, talvez por timidez. A criatura trocava seu foco rapidamente entre o professor e Red, como se perguntasse quem era aquele garoto.





— Esse é o Pikachu, um Pokémon elétrico com capacidade de armazenar energia em suas bochechas.
— Olá Pikachu, eu sou o Red.

O garoto afagou a cabeça da criaturinha com sua mão. O pequeno roedor se encolheu como se aquilo o assustasse e encarou o pesquisador que costumava ser seu treinador com um olhar de dúvida.

— A partir de agora vocês iram viajar juntos, Pikachu. Espero que possam se entender para me ajudar — disse o cientista explicando a situação para o monstrinho — Ele é um garoto confiável e garanto que não te fará nenhum mal.

O Pikachu cheirou as pontas dos dedos da mão de Red que permanecia estendida e se virou para o cientista acenando positivamente com a cabeça.

— Ótimo Pikachu! Tenho certeza que seremos bons amigos! — exclamou o garoto que partiu para um abraço aconchegante, mas o tímido roedor agilmente pulou e apertou o botão de sua própria PokéBola, que o sugou para dentro num raio rubro, fazendo o humano chocar-se contra a mesa de centro.

— Ai, ai, ai... — Choramingava o garoto massageando a testa.
— Desculpe Red, mas esse é o Pokémon mais apropriado para iniciantes que eu tenho em mãos agora.
— Tudo bem, Professor. Tenho certeza que com o tempo a gente vai se conhecendo melhor.
— Aqui está a PokéBola do Pikachu. — disse entregando a esfera — Isso é tudo que você precisa para iniciar sua jornada.
— Obrigado, Professor! Vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para te ajudar!

Red pegou a esfera e voltou para sua casa.

***

— Red, eu arrumei sua mochila — avisou a mãe do garoto quando este atravessou a porta eufórico.
— Serio?! Obrigado, mãe! — Agradeceu Red. — A senhora é a melhor mãe do mundo!
— Coloquei alguns sanduíches para você. E cuecas. Acho que produtos de higiene tem nos Centros Pokémon, mas coloquei sua escova de dentes nesse bolso...
— Pode deixar, mãe, eu vou achar tudo quando precisar! — interrompeu o filho, surpreendendo sua mãe, deixando-a com um semblante de preocupação por um segundo, mas que logo se desfez — Tenho que ir pegar alguns Pokémon agora! Volto em alguns meses. Eu te amo mãe!

Red abraçou a mãe que por um tempo, hesitou em soltar o seu filho, mas decidiu deixá-lo ir, antes que suas ações o influenciassem a desistir de viajar e o prendesse de novo na vida sem interesse que ele tinha anteriormente.

— Boa sorte, querido. Me ligue regularmente.
— Pode deixar.

Red fechou a porta e partiu para a Rota 1. Joana sentou-se na mesa e pegou um velho porta-retratos que guardava uma foto de quando Red acabara de nascer, em seu colo, e o pai do garoto sorrindo ao lado dos dois, olhando para o bebê. Ela permaneceu ali, chorando alguns minutos.


***

Red explorava eufórico a Rota 1. Corria atrás de vários Pidgeys e Rattatas sem sucesso, já que todos eram mais rápidos e conseguiam fugir e se esconder antes de serem pegos pelas mãos do garoto. Após algum tempo de falhas, o menino decidiu sentar-se à sombra de uma árvore e comer um dos sanduíches de sua mãe, enquanto aprendia a usar a Pokédex. Tirou da mochila também um punhado de ração Pokémon que sua mãe colocara e liberara o Pikachu de sua PokéBola.

O roedor olhou ao seu redor e com brilho nos olhos deu algumas voltas em torno de si mesmo. Red estendeu sua mão com um pouco da ração. O Pikachu pegou alguns dos pedaços e se afastou novamente. Começou a roer feliz seu alimento, enquanto seu treinador mastigava seu sanduíche contente em começar a criar laços com seu Pokémon. Decidiu descansar ali mais um pouco, visto que o rato elétrico também parecia gostar do ar livre e dos arbustos verdes. Ao terminar o lanche, Pikachu resolveu explorar, pedindo permissão com o olhar e o humano acenou com a cabeça.

O menino percebeu no laboratório que Pikachu não estava acostumado com outros humanos que não o Professor Carvalho, e que não seria uma tarefa fácil fazer amizade com a criatura, então tentaria ser permissivo quando pudesse. Enquanto seu Pokémon de divertia, ele poderia descansar, e resolveu deitar na grama. Apoiou sua cabeça em sua mochila e ela guinchou e tremeu. O roedor amarelo saiu de dentro de um arbusto para olhar o que tinha acontecido e Red levantou em um pulo. De dentro da mochila um rato de pelos roxos e olhos vermelhos encarou o garoto e fugiu assustado.





— É um Rattata tentando me roubar! — Exclamou ele, pegando sua mochila no chão e correndo atrás do Pokémon.

Pikachu sabia, graças ao seu tempo no laboratório, que deveria ajudar o humano. Com uma bufada e um revirar de olhos, correu atrás do seu treinador.

O Rattata era ágil. Red estava quase o perdendo de vista, mas algo o ultrapassou. Era Pikachu que corria sobre suas quatro patas, e com um salto, carregou de suas bochechas um raio elétrico, mirando na direção do roedor púrpura. Os pelos do Rattata se arrepiaram. Os elétrons no ar rapidamente se organizaram. Todos os músculos do rato da campina se contraíram simultaneamente e ele caiu no chão ainda sem conseguir esticar suas pernas.

— Caramba, Pikachu, isso foi incrível! — elogiou Red sacando a Pokédex e vendo que aquele era o movimento chamado Thunder Shock.

Não é que o roedor elétrico não gostasse de elogios, mas ele já sabia que ele era bom. O Professor Carvalho já disse isso para ele outras vezes antes. Ao invés de elogiá-lo, o garoto humano deveria perceber que o oponente havia se levantado e estava vindo para o ataque.

— Pikachu, eu tenho uma ideia! Você pode desviar e usar outro Thunder Shock?

Claro que ele podia, mas Rattata não era um oponente tão fácil assim. O Quick Attack do oponente causou dor no corpo de Pikachu antes que o rato elétrico pensasse para qual dos lados ele se jogaria para se desviar do ataque. Pikachu cambaleou para trás, mas numa cambalhota parou apoiado novamente nas quatro patas e carregou outro raio elétrico, mirando em Rattata. O oponente se tremeu lembrando o que iria acontecer. Seus pelos arrepiaram novamente. Choque elétrico disparado. Músculos contraídos e corpo no chão.

Red também preparou seu movimento. Enfiara a mão na mochila e sacara de lá de dentro uma das esferas vazias que o Professor Carvalho lhe dera de presente. Com o Rattata caído e sem se mexer no chão, ele jogou a PokéBola, acertando o pequeno rato nas costelas. O raio de luz o envolveu, sugando-o para dentro. A esfera tremeu uma, duas, três vezes antes de estabilizar.

— Conseguimos! — Gritou Red. — É isso aí, Pikachu! Graças a você, conseguimos ajudar o Professor Carvalho na pesquisa pegando esse Rattata! Além de termos um novo companheiro também!

Red abraçou Pikachu, que estava distraído. O humano estava super contente e feliz e berrava coisas sobre avanços científicos e indagava qual seria a próxima descoberta, mas Pikachu apenas se esforçava para empurrar para longe o rosto do treinador e se libertar dos seus braços. Demorou um pouco para o garoto perceber e colocar Pikachu novamente no chão, que assustado e chateado, se afastou um pouco de seu treinador e ficou encarando. Red se agachou para tentar conversar com o Pokémon mais ou menos na mesma altura.

— Desculpe, Pikachu. Não foi por querer.

O Pokémon o ignorou.

— Olha, você pode ficar fora da PokéBola se quiser... Eu vi que você gosta de explorar as coisas, e acho que no laboratório não dava muito pra fazer isso.

A criatura inclinou a cabeça, curioso.

— No final das contas a gente tem a mesma missão e tem que se aguentar até terminar, né? Então eu sugiro uma trégua.

Red estendeu a mão em um gesto de paz. Pikachu estendeu sua pata também. Apesar de desproporcionais, aquele era um símbolo de que eles eram aliados naquela jornada. O garoto sorriu, o Pokémon acenou com a cabeça e calmamente acionou a própria PokéBola que estava no cinto do rapaz, sendo sugado pelo raio de luz rubra. Red deu um suspiro e olhou para o horizonte, vendo a cidade de Viridian ao longe. Toda essa correria havia boa afinal, o próximo destino estava logo ali.

***

Ela saiu de algum prédio de Viridian. Olhou para trás para buscar abrigo, mas já não se lembrava de qual deles havia saído. Todos aqueles galpões pareciam abandonados. Sua visão embaçada não ajudava muito, nem as pernas bambas, que faziam cada passo ser mais difícil que o anterior. Mesmo tendo apenas 11 anos de idade, andava como se estivesse embriagada.

A rua estava deserta. Ninguém estava vendo a garota de cabelos loiros que contrastavam com a roupa de pano gasto marrom que usava, e quem visse, possivelmente não prestaria ajuda.

Suas pálpebras pesavam. Ela fechava uma de cada vez para se manter acordada, mas era muito cansativo. O pescoço estava cansado de manter a cabeça no lugar. Parecia que o corpo estava lutando contra si mesmo, cada pequena parte queria fazer uma coisa diferente, inclusive suas pernas que pareciam ir para lados diferentes. E por que ela estava andando mesmo? Alguém a tinha mandado correr? Fugir? Andar? Treinar? Ela não conseguia nem pensar direito.

Ah. Tudo bem. Não tinha ninguém na rua ali mesmo. Que tal... Se ela deitasse ali no chão? Do jeito que seu cérebro estava entorpecido, não faria diferença entre aquele asfalto gasto e um colchão novinho. Ela se deitou em posição fetal e apoiou a cabeça sobre as mãos. É. Estava muito confortável. Dava pra dormir ali por algum tempo. Por muito tempo.

Algo quentinho se aproximou de seu rosto. O Algo estava preocupado e lambeu o rosto da garota para acordá-la. Fez cócegas em suas bochechas e a incomodou. Ela só queria dormir. Em um movimento rápido, ela o abraçou e prendeu-o em um abraço. Ele se assustou, mas decidiu ficar e proteger a garota solitária, então se aninhou ali, e descansou com ela.

  

Notas do Autor - Capítulo 1


Olá pessoal. Finalmente temos a reinauguração da primeira região dos games de pokémon. Acho que é uma região bem complicada, já que os genwunners amam até demais e outras pessoas já estão saturadas então você trabalha com esses públicos extremos ao mesmo tempo, mas ao mesmo tempo, eu sou o sexto autor aqui, o que significa que já vieram cinco grandes pessoas antes de mim dar uma amaciada nessa região feroz.

Sobre esse espaço, eu quero deixar ele reservado para poder comentar o meus pensamentos durante a confecção do capitulo, tudo bem com vocês? Queria dizer também que estou aberto para criticas, afinal, quero entregar a melhor fic que estiver ao meu alcance para vocês!

Então vamos começar a comentar o capitulo, em ordem.

Várias pessoas comentaram sobre o Mewtwo, e isso foi uma das duas coisas desse capitulo que eu mais demorei para pensar, hehe. Eu queria fazer AeK com uma história que envolvesse mais que apenas o Red, afinal, olha a magnitude das irmãs que temos aqui. Pelos comentários acho que foi a escolha certa.

Algumas pessoas comentaram sobre o Gary. Ele sim eu sabia como seria desde o inicio, e eu odiei kkkkkkkk. Eu queria dar de voadora no peito do menino enquanto escrevia, mas o problema é que ele não tira onda por nada. Ele realmente passou a infância toda estudando com o avô, então ele manja dos paranauê e acho que eu vou ter que aturar ele... É...

O Red também teve muita gente que comentou! Sabe a história dos genwunners? Então. Eu também estou no grupo de pessoas que quero ver o Red supremo surgir, não aceitaria de outra forma, mas eu não queria ficar na fórmula dele já ter interesse em tudo, já que eu mesmo já não tinha interesse nesse personagem. Eu queria construir o Red do 0, então comecei a pensar numa pessoa acomodada. Isso foi ótimo! Aí veio o problema de como fazer ele querer sair da zona de conforto. Vamos fazer uma pausa aí e já voltamos para o tópico Red.

O Professor Carvalho foi basicamente inspirado no que eu quero ser, kkkkk. É trapaça, mas eu me projetei nele, já que eu quero inspirar a beleza da ciência. Na primeira versão do capitulo, antes de passar pela revisão, o Carvalho tinha um discursos enorme sobre a ciência e como ela é linda, só por luxuria minha, e eu super entendi o motivo do corte, hehe.

Então, juntando o Mewtwo, que é o desconhecido, com o Carvalho que é o Inspirador, eu cheguei a conclusão que essa seria a motivação do Red. Ele não iria correr por ai só pra ser fortão, isso iria se desenvolver nele, já que ele está viajando para descobrir (e ajudar um velho cientista).

Então é isso pessoal. Killer ficando por aqui e até semana que vem!

Capítulo 1

Monstro e Descobertas

— O que está acontecendo?! — caixas de som espalhadas pela sala ecoavam a voz visivelmente em desespero do cientista chefe.

 A sala de comando estava em pânico. Os técnicos e operadores estavam correndo por todas as direções. Alguns estavam tentando resolver os milhares de problemas que surgiam do nada, outros apenas cediam ao caos iminente.

— Ele quebrou as amarras! Está tentando sair da jaula! — respondeu amedrontada uma das operadoras no microfone, ao mesmo tempo em que digitava dezenas de comandos em um teclado no centro de controle isolando alguma área daquela instalação.
— Não deixem que escape! Estou indo pra aí imediatamente! Desligando — encerrou o homem do outro lado da linha.

Em outra área da instalação a origem do caos era clara. Um Pokémon humanóide de pele pálida utilizava telecinese para esmagar contra a parede do cômodo em que estava presente tudo ao seu redor, incluindo as pessoas que tentavam agarrá-lo. Para a sorte desses homens, o Pokémon trajava uma armadura que restringia sua força física e mental, ou sabe-se lá o que poderia acontecer com seus corpos naquele momento.

A criatura agora tentava ao mesmo tempo segurar seus agressores contra as paredes e abrir as portas de sua prisão, mas seu Psychic era contido pela resistente porta mecânica da sala em que se encontrava, controlada por um trio de operadores em salas diferentes que enviavam comandos para que a porta continuasse fechada. Um dos funcionários do laboratório que ainda restava presente junto ao mutante pegou uma PokéBall do cinto e liberou um Pokémon. A luz emanou da esfera e com ela um Raticate se materializou na sala, ao mesmo tempo em que subitamente se esgotava a paciência da criatura. A força que arremessava os seres e equipamentos presentes naquele ambiente, outrora destruídos contra a parede, afrouxou-se aos poucos, até cessar-se completamente. O Pokémon socou o chão antes que o Raticate pudesse desferir qualquer ataque e o soco provocou um imenso terremoto. A estrutura da sala se desfez. Já não importava mais os códigos ou a força mecânica da porta, já que nenhuma viga tinha mais força após ser remoída e revirada pelo grande poder psíquico, fazendo com que aquele prédio fosse amassado e torcido quase como se sua estrutura fosse feita de papel ao invés de concreto.

Ele estava agora mais próximo de sua liberdade.

Mas não seria tão fácil. Mais humanos e mais Pokémon vieram lhe deter. Electrodes pularam em sua direção. Um estalo veio de sua mão direita, a placa da armadura que lhe vestia caiu e a eletricidade tomou conta de seu antebraço. Socou o Pokémon esférico mais próximo que conseguiu alcançar e este explodiu, iniciando uma reação em cadeia. O fogo tomou conta de sua visão e dominou o seu tato. O impacto contra escombros permitia que ele soubesse que ainda estava vivo. Quando o fogo baixou e a fumaça dissipou, abriu os olhos, passou as mãos pelo corpo e percebeu que o que restava da armadura saiu facilmente, com exceção do capacete, que ainda resistia em se desencaixar de sua cabeça.

Algumas pessoas curiosas olhavam de longe, mas diferente das que o confrontara anteriormente, essas não vestiam preto. Eram o que normalmente se conhecia como “civis”. Olhou mais uma vez ao redor e viu que onde antes ficava localizada sua jaula e sua prisão, havia toda uma instalação secreta de pesquisa enclausurada dentro de uma montanha, completamente destruída. Algumas pessoas uniformizadas com roupas azuis começaram a se aproximar cada vez mais depressa. Em seus bonés e camisas, lia-se “Policia”.

A criatura ouvia uma palavra se sobressair dos sussurros da população. Uma palavra que ele conhecia muito bem, pois era muito repetida pelos cientistas que cuidavam dele em sua prisão.

“Monstro”.

Tentou ficar de pé, mas o chão tremeu. A população antes curiosa gritou horrorizada e correu para longe.

As pessoas temem o que não conhecem, chamando esse desconhecido de monstro e aberração, até mesmo chegando ao ponto de ferir e matar, enfrentando-o com armas e outros Pokémon.

Mas essas mesmas pessoas não podem enfrentar a fúria do vulcão de Cinnabar, adormecido por anos, que finalmente havia despertado para fazer justiça a uma criatura que não pediu para nascer, e que mesmo assim estava ali entre eles e agora, sofrendo entre eles.

O “Monstro” usou sua cauda para equilibrar-se com os dois pés, e a usou para se impulsionar para o alto, alçando voo com seus poderes psíquicos. Ganhando gradativamente velocidade, rumou para norte e usou toda força que conseguiu reunir para tirar o capacete ainda preso em sua cabeça. Olhou para aquele objeto que simbolizava sua escravidão. Acima do visor, dois símbolos estavam escritos em alto relevo: “M2”. Apesar de não gostar, aquele era seu nome.

Antes de desaparecer pelo céu, olhou para trás. A última memória da ilha. O topo da montanha de Cinnabar ejetou algumas pedras e lava foi expelida com violência de seu pico, quase como se a ilha estivesse festejando aquele momento e lhe dissesse “aproveite a liberdade, querido amigo”.

E assim sumiu pelo céu do anoitecer.

***

— Os médicos legistas informaram que ainda estão sendo retirados os corpos humanos da instalação, mas nenhum corpo de Pokémon foi encontrado. Os peritos informam que aparentemente as PokéBalls os protegeram contra o impacto da explosão. Mas a dúvida que fica é: Desde quando existe um laboratório dentro do vulcão de Cinnabar e quem o comanda? A seguir: Testemunhas afirmam ter visto um monstro, fique com o relato após os avisos de nossos anunciantes! — comunicou a voz feminina, interrompida assim que um homem elegante desligou o pequeno aparelho de rádio que carregava consigo.
— Eu não acredito que todo esse recurso financeiro e humano foi gasto a toa! — gritou o homem, socando furioso a janela do helicóptero em que se encontrava naquele momento.

Ele não era um homem que costumava gritar. Aquele era Giovanni, um dos homens mais elegantes de Kanto, quiçá do mundo. Ele fazia uma reunião com seus administradores na cidade de Celadon quando soube da notícia do ocorrido nos laboratórios Rocket em Cinnabar e tentou seguir para o local do acidente o mais rápido possível. Aquele era o projeto mais ambicioso que sua equipe já desenvolveu. A ideia de ter em seu poder o Pokémon mais poderoso do mundo poderia ser considerada loucura por muitos, mas Giovanni era muito mais do que um homem comum. Sua influência e poder movimentaram o dinheiro necessário para que seus cientistas desenvolvessem uma criatura sob medida, que serviria apenas para cumprir seus propósitos de mudar o mundo.

— Calma, senhor — respondeu um rapaz de smoking branco que estava a sua frente. — Nós iremos recuperá-lo.
— Agora não adianta mais ir para Cinnabar... Chame todos do alto escalão. Vamos nos encontrar em Saffron.

***

Do outro lado da região de Kanto, o céu azul começava a ficar um pouco mais acinzentado. A nuvem de fumaça que vinha da ilha de Cinnabar começava a se dissipar pelo continente. Mas sem se dar conta, e talvez sem nem se importar com os graves acontecimentos recentes ocorridos, crianças em Pallet brincavam de treinadores Pokémon.

— Aí eu tenho um Oddish e ele usa Razor Leaf! — exclamou uma garota que devia ter seus 10 anos de idade. Gesticulava alegre como se na sua frente houvesse um Pokémon.
— E eu tenho um Poliwag que usa Bubble! — gritou um segundo garoto, menor, pulando como se ali em sua frente também existisse um monstrinho. — Então eu ganhei!
— Nada disso! Eu ganhei porque meu Oddish vai ser mais forte! — bradou a garota nervosa, começando a discutir com o colega.
— Na verdade, o Razor Leaf é um movimento do tipo Grama que é super efetivo contra um Pokémon do tipo água como o Poliwag. Então Oddish seria o vencedor esse duelo. — Um terceiro garoto acabara de chegar. Aparentava ser um pouco mais velho que as crianças ali, vestia uma camisa larga e folgada de cor roxa, uma calça preta e um par de botas marrom. Em seu pescoço trazia um colar com um pingente circular dourado. Um visual bastante simples para quem tinha uma feição arrogante.

O menino do Poliwag imaginário entristeceu-se.

— Poxa...
— Valeu Gary, você é demais! Sabe de tudo! — A garotinha pulava de felicidade e olhava para o sabichão com verdadeira admiração.

Isso fazia o ego de Gary atingir patamares estratosféricos.

— É sempre um prazer mostrar meus dotes! Eu sei de tudo por que meu avô me ensinou tudo! Não é a toa que ele é o melhor cientista Pokémon do mundo. — comentou o garoto em um audível tom convencido na voz, cruzando os braços.
— Uau! — responderam as outras crianças em uníssono, claramente surpresas e maravilhadas.
— Amanhã de manhã meu avô vai me dar um Pokémon muito raro pra eu começar minha jornada, o primeiro passo para eu ser conhecido no mundo inteiro como o maior treinador de todos os tempos!
— Caramba, Gary, como você é incrível! — elogiaram as crianças, encantadas.

A essa altura, outras crianças já estavam se amontoando para ouvir o garoto se vangloriar. Uma delas tinha a mesma idade que Gary. Vestia uma camiseta preta, uma calça jeans azul e um boné vermelho com a frente branca, calçava tênis brancos com listras vermelhas e em seu ombro direito trazia uma jaqueta vermelha de mangas curtas brancas. Observou rindo aquele rapaz franzino falar asneira, se deleitando da situação por um tempo.

As pessoas perguntavam as mais variadas coisas e Gary as respondia, fazendo todos ali gritarem eufóricos. Alguns perguntavam sobre sua jornada, e ele comentava que iria explorar todos os locais da região. Sobre seu primeiro Pokémon, ele dizia que era um segredo, mas que já tinha montado e decorado todo tipo de estratégia, mencionando seu avô diversas vezes.

— Se já sabe de tudo, qual a graça de sair explorando? — perguntou o menino de boné.

Gary reconheceu o dono daquela voz. Fazendo uma expressão de desprezo, desceu do mini-palanque montado pelo jovem público que o prestigiava e dirigiu-se ao garoto.
— Ora, ora, se não é o Red... Por que só se vive uma vez, oras.
— Mas você já sabe de tudo, e o que não sabe é só perguntar pro seu avô. Se tudo já foi descoberto, não tem por que explorar — respondeu Red dando as costas.

Gary não perderia a oportunidade de provocar seu maior inimigo.

– Você acha que é cool ser desinteressado? — perguntou o ruivo.— Saiba que não é qualquer um que ganha uma licença de treinador, e nem o Pokémon inicial que eu vou ganhar!
— Então vai lá. Boa aventura juntando as oito medalhas e ganhando dos Altos Cinco — retrucou Red afastando-se da rodinha.
— São oito insígnias e chama Elite Quatro! Não acredito que você seja tão estúpido! — bradou Gary, completamente irritado.

Red se afastou da multidão e foi para sua casa, ouvindo ofensas e xingamentos de seu rival.

A vida em Pallet era pacata. Nada acontecia nas redondezas. Ninguém vinha e ninguém saía, com exceção de duas pessoas que mudaram-se para a cidade: Samuel Carvalho e o pai de Red, respectivamente. O primeiro, por ser um pesquisador, precisava de um laboratório onde pudesse realizar seus estudos e experimentos com tranquilidade, um lugar menos estressante e com menos interferência humana. A natureza e a simplicidade de Pallet ofereciam o local ideal. Na época, seus colegas de pesquisa acharam loucura e não o acompanharam, permanecendo em Celadon. Em seu laboratório, realizou incríveis pesquisas que mudaram o rumo da ciência natural no mundo.

Sobre o pai de Red, ele preferia não saber muito. Saiu em uma aventura há alguns anos e parece que algo desandou e acabou morrendo. Nada muito importante, não era alguém que ostentava um nome famoso. Foi apenas mais um homem que teve seu nome impresso no obituário no canto de página de algum jornal pequeno publicado na pequena cidade. Red era muito pequeno quando aconteceu a morte do pai e não tem lembranças do rosto do homem, mas algumas fotos pela casa não o deixam esquecer da figura. Atualmente o garoto mora sozinho com sua mãe e faz tudo que pode para ajudá-la nas tarefas domesticas quando não está na escola.

A escola é um assunto a parte, já que nada o interessava muito. Sua mãe dizia que ele tinha que tirar notas boas, mas estudava o suficiente para passar sem ter maiores problemas. Os professores perguntavam sobre o que ele pensa sobre o futuro, mas nada lhe vinha à mente. O que ele falou para Gary era verdade para ele: Se tudo já estava descoberto, qual era o sentido de procurar respostas? Para ele, a única coisa que ainda fazia sentido era sua mãe.

— O babaca do Gary tava tirando onda de novo hoje. — comentou o garoto com a mãe durante o jantar.
— Ele é um bom menino. Você devia ter mais calma com ele — respondeu ela, que achava engraçado a implicância do filho com o vizinho. Ela colocava mais uma concha de arroz no prato do filho.
— Você diz isso por que não o viu! — continuou Red enquanto passava manteiga nos pedaços de raiz cozida. — “Mimimi, eu sou o melhor!”. “Mimimi,meu avô sabe tudo!” Ele é um pé no saco!
— O avô dele é muito inteligente. Ele e seu pai eram ótimos amigos.

Red fechou a cara.

— Eu não quero falar sobre o meu pai — encerrou o assunto enfiando todos os pedaços de raiz possíveis na boca.

Joana soltou um leve suspiro e afagou os cabelos do filho.

— Vocês se parecem mais do que imagina.
— Acabei! — gritou terminando de engolir o que restava no prato. — Tava uma delícia! Eu te amo!

Red recolheu a louça e correu para a cozinha, onde lavou e deixou secando. Subiu até seu quarto, saiu pela janela e subiu até o telhado da casa, onde ficou observando as estrelas enquanto se perdia em pensamentos.

— Ninguém sabe de nada lá nas estrelas, com certeza elas são ótimos lugares pra se explorar!

 Então passou o que se parecia uma estrela cadente. Mas não era brilhante como uma. Red ergueu as sobrancelhas, intrigado. Não sabia dizer o que era aquilo, mas não desgrudou os olhos daquela coisa que cruzava em alta velocidade o céu noturno de Pallet.

Aquilo com certeza não estava nos seus livros da escola. Aquilo era o tão esperado desconhecido que valia a pena ser explorado, passando bem em frente dos seus olhos. Percebeu que o “aquilo” parou por um segundo e o encarou de volta.

Dando um grito abafado de terror, Red se assustou e escorregou do telhado, caindo na frente de sua casa, tendo a queda amaciada pelos arbustos que sua mãe cultivava com tanto amor, que agora salvaram seus ossos em troca de alguns gravetos.

Após se certificar de que estava inteiro, o garoto rapidamente se apressou em verificar se continuava sozinho. Por sorte sua mãe não havia acordado, dentro da casa permanecia escuro e a luz do quarto da matriarca não parecia estar acesa.

Dirigiu-se novamente à varanda e olhou para o céu. O vulto não estava mais lá.

— Você está bem, garoto? — perguntou uma voz rouca, vinda de um senhor de idade que estava de pé em frente à porta da casa vizinha, a casa de Gary. O velho homem estava de pijamas listrados e usava uma touca de dormir azul bebê acompanhado de pantufas cinza.
— Professor Carvalho?! — exclamou Red.
— Sim, sou eu. Você está bem? — repetiu o pesquisador, preocupado.
— Estou sim, obrigado. O senhor viu aquilo? — perguntou o menino, eufórico.
— Sim. Realmente fascinante!
— O que era aquilo?
— Eu não sei — respondeu Carvalho, com um ar de curiosidade.

Red olhou para o professor, atônito. Todos esses anos ouvira na televisão, na escola e pelo próprio Gary, seu maior inimigo, da grandiosidade do Professor Carvalho. O próprio Gary o chamava de “o homem que sabia de tudo” e agora ele estava falando que não sabia de algo.

— Como assim o senhor não sabe?! O senhor tem que saber! O Gary sabe de tudo, e ele aprendeu tudo do senhor! — gritou Red, dirigindo-se agressivamente para a varanda vizinha e agarrando o pijama do Professor.
— Calma, garoto! Eu só não sei. Ninguém pode saber tudo.
— O Gary está enganando todo mundo! O senhor está enganando todo mundo!
— Calma, calma — disse Carvalho colocando a mão na cabeça do garoto e se abaixando para colocar seus olhos enrugados e cansados na mesma altura da do garoto. — O Gary é um menino... Complicado. Eu o amo, mas tenho que admitir seus defeitos. Eu não estou enganando ninguém. — O professor ergueu-se novamente. — Eu sou um cientista, meu trabalho é basicamente descobrir as respostas para o que as pessoas não sabem. Quanto maior é o contato que a gente tem com o mundo, mais a gente vê que não sabe das coisas.

Professor Carvalho caminhou pela varanda e olhou para o céu. Red o imitou.

— Aquele vulto no céu de agora a pouco é mais uma dessas coisas. Nós pesquisadores somos muito rígidos, sabe? Temos nossos métodos científicos, e nossos instrumentos de medição, mas nada disso é mais importante que a exploração. E é por isso que temos os treinadores andando por aí, explorando cada cantinho desse mundo e encontrando muitas coisas novas e maravilhosas que a gente nem sonha que existe. Eu já fiz isso quando era jovem, e com o tempo me apaixonei pela ciência. Tem coisas que o coração faz que a gente não precisa entender. Está na hora do meu neto começar a exploraressas maravilhas e me ajudar a descobrir como a natureza funciona.

Os dois ficaram alguns minutos em silêncio. Red refletia sobre o que o velho cientista acabara de dizer.

— Então ainda tem muita coisa que os livros da escola não sabem?
— Vejo que prestou atenção.
— Eu poderia descobrir coisas novas também? Explorar e trazer coisas para o senhor pesquisar?
— Por que não? Meu neto sairá amanhã cedo em jornada, mas nada impede que você não possa sair também. Converse com sua mãe e venha me ver.

Os dois se despediram. Carvalho estava satisfeito por ter conseguido passar adiante um pouco do vasto conhecimento que tinha para um jovem sedento por saber. Red mais ainda por ter a chance de entender e aprender sozinho sobre muitas coisas que não sabia.

E o mundo continua sendo apenas uma pequena parcela do imenso universo que fazemos parte.

 

Hello there! Welcome to the world of POKÉMON!




Acho que não precisava. Se você está aqui, provavelmente já conhece a Aliança (talvez mais que eu), mas eu sou saudosista e queria usar a primeira frase que o Professor Carvalho usa em Pokémon Red/Blue como minha primeira frase no blog.

Então para começar, eu sou o Killer of Murder, e eu sou saudosista. Vocês já devem ter notado pelo visual maravilhoso que o Canas montou pra mim (menção honrosa para o Dento que fez o Red jogando no emulador).

Talvez alguns de vocês lembrem de mim da época em que a Aliança estava começando. Se cavarem os post antigos de AeS ainda acharão comentários meus por lá. Naqueles tempos eu era uma criança/um adolescente estupido que achava que sabia das coisas, mas a única coisa que sabia era que eu não tinha capacidade de entrar na Aliança, e que era um sonho.

Ai eu sumi. O Killer morreu.

Continuei o contato com alguns poucos amigos da web do mundo Pokémon. Bem poucos mesmo. Até que um dia uma dessas amigas me apresenta um cara dizendo: "Conheci ele num blog de Pokémon. Ele é legal." Não demorou muito até ficarmos amigos.

Eu contei pra ele que o Killer escrevia fanfictions. Às vezes ele tentava voltar lá no fundo, mas não passava de um parágrafo na pagina branca do Word, e o cientista voltava a escrever o relatório de 3 páginas sobre coagulação sanguínea.

Esse amigo aos poucos foi incentivando que o Killer ressuscitasse e voltasse a escrever. Até que um dia eu descobri que o cara era da Aliança. Olha só o que o destino apronta, não é? Eu comecei a ler a Fanfic dele aqui ao mesmo tempo que comecei a escrever uma história sobre um garoto chamado Augustus que viajava ao redor de Kanto com sua Onix (Steelix, melhor Pokémon).

Entre muitas conversas, ele comentou que Kanto era uma região difícil, e AeK uma fanfic difícil. Ideias pipocaram na minha cabeça e eu mandei um capitulo para ele. Algumas horas depois ele me diz que mandou para o pessoal da Aliança. Eu me tremi. Mais alguns minutos e eu recebo a mensagem. "Você tem Discord?" Eu respondi: "Tenho". Ele só me disse: "Entrevista de Emprego".

Depois disso descobri que o nome do meu amigo aqui é Dento. Conheci o ShadowZ e reencontrei o Canas, que era um amigo e um professor.

Essa é a historia do renascimento do Killer of Murder. Kill para os íntimos. Alguns de vocês talvez já me conheçam pelo grupo do Discord. Ah, e parabéns para quem descobriu o mistério! Eu sou o Rattata do Joey, hahaha! Agradeço ao Dento e a todos da Aliança que me ajudaram! E estou ansioso para conhecer todos os colegas que ainda não conheci!

Sobre a outra parte da minha alma, eu sou um cara na casa 20 anos, que cursa faculdade de biomedicina e faz estágio com genética molecular humana. Me interesso pela parte de oncogenética, que é basicamente estudar a origem genética dos mais variados tipos de câncer, e planejo ser pesquisador e professor universitário. Amo todos os tipos de ciência (apenas ciência, não me venha com pseudociência aqui!), e sou aficionado pelo método cientifico. Apesar de tudo, eu toparia trabalhar como escritor, roteirista, produtor ou diretor de cinema.

Agora vamos ser um pouco mais técnicos!

Eu gosto muito de ficção cientifica e mangás shounen, então acho que vocês vão ver muitas referências sobre isso aqui!
Eu espero que vocês gostem da história que estou planejando com ajuda da equipe da Aliança. Estou me empenhando para fazer o melhor que posso!
Começarei a trazer os capítulos a partir do próximo sábado, ao meio dia!

Até sábado pessoal!

O Autor


Killer of Murder (Kill para os íntimos) é um ser que esteve nos bastidores da internet do mundo Pokémon há muito tempo até sumir e ser ressuscitado recentemente. Nascido em 1997, 2 dias antes do primeiro aniversário da franquia de jogos que mais iria jogar na sua vida e se orgulha de falar isso, mesmo que não signifique nada. Seu primeiro jogo foi uma cópia do Gold em japonês que o moleque não sabia ler, mas se divertiu horrores e depois disso se tornou um colecionador compulsivo de itens Pokémon. Após desaparecer do lado Pokémon da internet brasileira, foi ressuscitado por um amigo e decidiu encarar o desafio de escrever a região de Kanto.

Estudante de Biomedicina e aspirante à carreira cientifica, passa o tempo livre pesquisando conceitos de física relativista ou novos estudos na área da psicologia, "Só pra matar o tempo." (Só pra matar o tempo mesmo, meus conhecimentos nessas áreas não chegam aos pés de um estudante universitário no primeiro semestre).

Lembrando que tempo livre não inclui o tempo necessário para se manter atualizado nos seus universos favoritos, como Harry Potter, Pokémon e Star Wars, já que sua alma Nerd Compulsivo o obriga a estar em dia ou sofrerá de agonia.

Sempre acompanhado de sua Steelix, comandando um exercito de Dugtrios, o Killer vaga por Kanto ajudando os perdidos e respondendo comentários, sempre disposto a apresentar o universo Pokémon a uma alma perdida.

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