Capítulo 10


Aparições estranhas no Monte Lua (Parte 1)

Aquele túnel não fazia parte do caminho turístico que adentrava o Monte Lua e levava os viajantes em segurança até Cerulean, cidade costeira que ficava ao pé da cordilheira. Na verdade, ele fazia parte de uma rede maior de túneis secundários que se aprofundavam pelas entranhas daquela montanha, que mais parecia um labirinto com seus caminhos que se fundiam e se separavam a todo instante e que facilmente confundiria a mente das pessoas que não estariam habituadas a percorrê-los.


E foi naquele túnel, em meio ao breu, que uma lâmpada improvisada foi acesa. Sua luz forte de tom amarelado rapidamente percorreu até onde a vista alcançava. Os homens que foram revelados pela luz instintivamente colocaram seus braços na frente de seus rostos para amenizar a súbita exposição com a iluminação repentina. Todos eles vestiam o mesmo uniforme, composto por camisas pretas de mangas compridas e calças de mesma cor, acompanhadas por luvas e botas cinzas. Aqui ou acolá, certos homens tinham até mesmo uma boina preta descansando sobre suas cabeças.

 

Um dos homens, no entanto, trajava um terno roxo com uma pequena letra “R” bordada no bolso direito do peitoral definido. Seja o que fosse que aquilo significasse, ele deixava bem claro que carregava em seu coração. Ele exercia uma certa liderança em todos aqueles homens, talvez pelo ar de soberba que carregava, ou talvez pelo cabelo perfeitamente penteado que não desmanchou um fio sequer, mesmo após ter acendido a luz e sentir o calor emanado pela lâmpada incandescente. Ao encarar o grupo, um sorriso frio tomou parte de seu rosto.

 

— Muito bem homens, hoje faremos um estrago no Monte Lua até que alguém encontre a arma do chefe.

***

 

Red despertou antes mesmo do sol nascer. Quando os primeiros raios de sol invadiram o quarto, o menino assistia do parapeito da janela e se deixava admirar as belezas que só costumavam acontecer naquela hora da manhã, como a revoada de Pidgey saindo de seus ninhos em busca de alimento e um grupo de Raticate correndo por entre as árvores da Rota 3 para se esconder de predadores diurnos.

 

Ele e suas duas companheiras de viagem se hospedaram no Centro Pokémon aos pés do Monte Lua para passar a última noite. Depois que saiu de Pewter, o trio foi obrigado a acampar na estrada por duas noites e, diferente da Floresta de Viridian, a grama por ali não era tão alta, e quanto mais perto da base do Monte Lua eles chegavam, mais rochoso ficava o solo. Mesmo com seus sacos de dormir, os jovens só tiveram algum conforto à noite usando roupas sujas como travesseiros. Encontrar o Centro Pokémon foi um alívio, eles finalmente puderam dormir em uma cama novamente para fechar as comemorações do aniversário de Red com chave de ouro. Janine até comentou que costumavam dizer que quando a lua alcançava o ponto mais alto do céu, era possível ver o cume do Monte Lua brilhar, e por isso ela queria ficar acordada até tarde da noite para tentar identificar o que levava a isso, mas no final, o colchão fofinho e a coberta quentinha a fizeram cair no sono antes mesmo da meia-noite.

 

O Monte Lua era uma das formações geológicas mais importantes da região de Kanto. Era de onde se originavam as Pedras da Lua, que podiam liberar novos poderes para certos tipos de Pokémon e que eram mineradas e vendidas por altos valores em diversas regiões do mundo. Havia um túnel principal, maior, e bem-sinalizado, por onde turistas podiam admirar a beleza interna do lugar e por onde viajantes cruzavam entre Cerulean e Pewter de forma mais rápida do que seria se tivessem que dar a volta ao redor da montanha. Apenas os trabalhadores das minas se aventuravam pelos outros túneis cavados na procura pelas pedras valiosas. Alguns pesquisadores afirmavam que devido às condições climáticas e geológicas, o Monte Lua deveria ser considerado um sítio arqueológico, já que havia estudos que indicavam que poderiam haver fósseis de Pokémon antigos ainda presentes no interior selvagem da montanha.

 

Janine queria ter a experiência de atravessar um dos mais importantes marcos naturais da região. Estava em jornada para vivenciar esse tipo de experiência que não se poderia ter em casa.

Para Red era apenas uma montanha, um caminho, que eles teriam que atravessar para chegar à próxima cidade. O que se podia ter de interessante em olhar para um monte de pedras? Mas a ideia de que espécies de Pokémon que ele ainda não tinha capturado poderiam estar vivendo nos túneis o deixava um tanto quanto animado.

Yellow não entendia nem um, nem outro. Mas ela podia sentir em seu íntimo que algo estranho estava no interior daquele lugar. Era como se algum tipo de energia negativa emanasse por entre todas aquelas toneladas de terra e ela fosse o único instrumento que o captava.

 

Apesar da fome, Red esperou que as amigas acordassem para que os três pudessem fazer o desjejum juntos. Yellow acordou pouco depois das sete da manhã e se prontificou a ir tomar um banho rápido e se arrumar para descer até o restaurante do Centro Pokémon. Janine foi a última a acordar, lá para as oito horas, depois que o estômago de Red falou mais alto e ele a cutucou — apesar do susto que tomou quando viu a expressão mortal que a ninja lançou para ele após a acordar.

 

Enquanto Yellow e Red comiam pães com ovo frito acompanhado por uma caneca de café com leite, Janine não gostava da mesmice e se servia de toda a variedade de bolos e queijos que conseguia pôr no prato, o que recebeu olhares de desaprovação de alguns do que estavam sentados nas mesas aos arredores.

 

Devidamente alimentados e asseados, fizeram o check-out do Centro Pokémon e partiram rumo à entrada do Monte Lua, que apesar de não ter nada de especial, ainda era impressionante. Não era nada mais do que um enorme buraco na parede provavelmente feita por explosivos, mas era uma abertura incrivelmente grande que facilmente davam passagem para uns três Onix alinhados lado a lado, com folga.

 

Uma fileira de lâmpadas fluorescentes alinhadas guiava o caminho dos viajantes. Placas e sinalizações nas paredes indicavam o caminho até a Rota 4, estrada que separava o Monte Lua da Cidade de Cerulean. Durante o trajeto, os garotos observavam aberturas nas paredes, muito menores que a da entrada, o que fez com Janine acabasse se aproximando de uma das placas pregadas próximo a elas, próximo a uma cerca metálica que impedia, justamente, o acesso.

 

— “Rede de Túneis do Monte Lua. Apenas Pessoas Autorizadas” — leu Janine para os companheiros.

 

Eles demoraram alguns minutos ali, já que uma pequena disputa de força foi realizada entre Red, que puxava Janine, e a própria ninja, que tentava pular a cerca. Yellow teve que se intrometer para convencer Janine a não transpassar o local proibido. De braços cruzados e bochechas inchadas de ar, a ninja aceitou a opinião da loira.

 

Quase uma hora após o ocorrido, eles viram outra abertura secundária daquela, mas desta vez, as cercas metálicas estavam enferrujadas e quase se soltando umas das outras. Algumas partes da cerca já estavam tão precárias que bastava apenas um pouco de torção para que uma pessoa pudesse facilmente passar por ali. A placa pregada não parecia muito mais velha e menos cuidada do que a cerca, mais da metade das letras já tinham sido apagadas pelo tempo.

 

Um sorriso malicioso tomou conta da face de Janine.

 

— Essa não tá proibida... — comentou a garota num tom debochado.

— Janine, você sabe que... — começou Red, mas parou no meio da frase, assustando-se com a tentativa de Janine de empurrar Yellow através uma das aberturas da cerca danificada. — Janine, não!

 

Yellow passou pela cerca, cedendo à pressão. Red visualizou a cena imaginando perfeitamente uma Arbok levando um Rattata para uma emboscada.

 

— Mas, Vermelhinho-san, a placa não diz que é proibido. Na verdade, não diz nada — respondeu Janine, fingindo-se de boba.

— Você sabe muito bem o que estava escrito aí!

 

Eles voltaram a discutir. Yellow tentou passar de volta pela cerca, convencida de que era melhor eles se manterem distantes daquela caverna. Quanto mais ela caminhava por ali, mais sentia que algo de ruim estava para acontecer. No entanto, Janine frustrava todas as suas tentativas de voltar para o caminho padrão, empurrando-a de volta para trás da cerca antes de Yellow sequer conseguir colocar um dos pés do lado de fora da cerca.

 

Red e Janine já falavam mais alto entre si e Yellow não se sentia bem vendo as únicas duas pessoas com quem ela tinha algum tipo de vínculo brigando.

 

— Nossa, Red! Você que amarela e a Yellow que é chamada assim? Meio injusto isso aí! — gritou Janine, insultada.

 

Red parou a discussão de repente ao ouvir um estrondo que crescia aos poucos e de forma intensa que vinha do interior da caverna. Poucos segundos depois, o chão tremeu e, em um piscar de olhos, as paredes também tremiam e rachaduras espalharam-se como fogo em palha, cercando os garotos por todos os lados. O coração de Yellow batia na garganta, a sensação de angústia tomava conta do seu corpo. Um mau agouro cercava o ambiente e gritava em seus ouvidos, o que a assustava bem mais do que a situação em que se encontrava.

 

Um fino fio de terra começou a cair do teto da caverna. Red cobriu os olhos com seu antebraço esquerdo para se proteger e acabou não vendo mais rachaduras se formando rapidamente ao seu redor. Janine viu parte do teto cedendo metros de onde eles estavam e, como em um efeito dominó, as rachaduras iam se concentrando em cima de suas cabeças. Ela concentrou o máximo de força que conseguiu em suas pernas e deu uma arrancada na direção de Red. Ao se aproximar do garoto, abriu os braços como um gancho e agarrou o amigo pela cintura, jogando-se com ele no chão de pedra alguns metros à frente. O garoto se espantou com a pressão em seu abdome seguido pelo ardor nos cotovelos, onde tinha se ferido. O braço direito da ninja também estava ralado, do punho até o ombro. Felizmente não estavam gravemente feridos. Red levantou seu tronco para olhar na direção de Yellow, mas sua visão foi bloqueada sem demora por uma enorme rocha que caiu na frente dos dois.

 

Mais pedras caíram em seguida. Com diferentes tamanhos, juntas, criaram um bloqueio entre Red, Janine e Yellow, que estava em silêncio. Algumas lâmpadas ao redor se apagaram, devido ao tremor. Apenas o silêncio mórbido tomava conta do ambiente.

 

— Yellow! YELLOW!!! — Red gritou a plenos pulmões. Nunca gritara tão alto na sua vida como gritava agora. Chamava pelo nome de Yellow, com a voz coberta em preocupação.

 

— Red! Janine! Vocês estão bem? Vocês se machucaram? — chamou a voz da menina, completamente abafada, mas ainda assim, audível o bastante para um suspiro de alívio.

— Nós estamos bem! A gente vai tentar trazer você pra cá! — prometeu Janine — Se tivesse ao menos alguma maneira de tirar essas pedras todas do caminho... — comentou Janine em tom mais baixo, procurando por alguma brecha na montanha de destroços na sua frente.

 

Red sacou uma PokéBola, deu alguns passos para trás e a arremessou.

 

A luz proveniente da esfera tomou conta da penumbra por alguns segundos, até que aos poucos se extinguiu, dando origem a um Pokémon: Mankey. O primata olhou ao redor, forçando os olhos para enxergar na escuridão.  Viu seu treinador e sua feição mudou rapidamente, agora transmitindo raiva.  Fechou os punhos e franziu a testa, caminhando lentamente em direção à Red, que rapidamente apontou para as pedras atrás do Pokémon.

 

— Calma, Mankey! Antes de você me bater, eu preciso de um favor seu. Você poderia ajudar a gente a remover essas pedras? Yellow está atrás delas!

 

Janine aproximou-se do garoto e desferiu-lhe um tapa no cocoruto, o que fez Red soltar uma audível reclamação.

 

— Ai! Tá doida, Janine?!

Você é quem tá lelé da cuca! — retrucou a garota. — Olha o quanto de pedra que tem aqui! Você acha realmente que o Mankey dá conta de carregar tudo?!

 

O Pokémon de Red olhou para Janine e começou a pular e a grunhir com indignação. Batendo no peito, bufava e chutava o ar em protesto ao questionamento da garota. Jamais admitiria esse tipo de coisa! Correu para a pilha de pedras que bloqueavam a passagem e tentou levantar a maior de todas, mas não conseguiu movê-la nem mesmo um milímetro.

Red percebeu que não adiantaria o esforço e retornou seu Pokémon para a PokéBola. Ele e Janine se aproximaram das rochas e junto com Yellow pensaram em um plano.

 

— Ninguém mais tem um Pokémon que possa ajudar o Mankey e a gente a remover as pedras? — perguntou a loira do outro lado da parede de entulho.

— Eu não tenho... — respondeu Janine com certa lamentação.

— Eu acho que o melhor a se fazer é esperar ajuda — disse Red.

 

Houve um silêncio repentino entre eles.

 

— Amigo, eu não sei se você percebeu, mas... DESABOU METADE DA CAVERNA! — bradou Janine. — E você espera que a gente fique aqui até nos encontrarem? É, talvez você tenha razão, porque até lá estaremos mortos!

— E você tem uma ideia melhor? — retrucou o garoto cruzando os braços.

— Eu acho que a gente deveria procurar uma saída e se encontrar por lá.

— Janine, tem zilhões de túneis nessa caverna, não vai dar pra gente ficar separado!

— Red, eu acho que a Janine tem razão... Ficar esperando aqui não vai ser bom.

 

Foi o menino quem havia se calado agora.

 

— Então eu acho bom que a Yellow possa encontrar uma saída da parte dela e que a gente se cruze lá na frente em algum desses túneis. Ficar aqui não vai adiantar nada.

 

O garoto não respondeu. Não tinha o que responder, ele sabia que havia sido vencido. Logo, ele, Janine e Yellow se separaram e pegaram caminhos opostos.

 

A dupla então deu início à caminhada de volta até acharem a primeira entrada para os túneis secundários no caminho. A ninja ajudou Red a pular a cerca e o seguiu logo em seguida. Por conta de serem menos trabalhados, os túneis secundários pelos quais Red e Janine caminhavam eram, notavelmente, menos iluminados, o que fez a garota tirar uma lanterna de sua mochila. Ela sabia que aqueles tremores no Monte Lua não eram comuns. Aquilo não aconteceu naturalmente, fora provocado por intervenção humana — talvez pelas escavações atrás de minérios. Mas conforme andava e notava os incontáveis buracos nas paredes, Janine se perguntava se não havia certo tipo de exagero naquilo. Não era à toa que tudo estava desabando.

 

Depois de vários minutos perambulando pelos labirintos de túneis dentro da caverna, a dupla ouviu um grito. Uma voz grave que vinha de um túnel perpendicular alguns metros à frente deles sinalizava que alguém ficou surpreso com a luz da lanterna de Janine. Ela, em um movimento automático, logo tratou de desligar o dispositivo e empurrou Red até a parede, torcendo para que não tivessem sido vistos e, fazendo um sinal para o menino, levou o dedo indicador até os lábios, pedindo silêncio, na intenção de se manterem imperceptíveis no breu que dominava o local.

 

De repente, uma luz muito mais forte do que a que emanava da lanterna de Janine foi acesa em direção a eles. Os dois tiveram que proteger os olhos com os braços por conta do desconforto.

 

— Merda... — praguejou o homem. — Não queria ter que dar fim em testemunha, ainda mais duas crianças...

 

Janine e Red abriram os olhos e viram um homem vestido com um uniforme preto. A letra R estava estampada em vermelho em sua camisa. Imediatamente os dois recordaram dos invasores do museu em Pewter.

 

— São crianças, Joaquim — disse outra voz. — A gente pode só ameaçar eles pra não abrirem o bico.

— Você falou meu nome na frente deles, porra! — reclamou o primeiro — Agora que a gente precisa mesmo dar um fim neles!

— Só se for na senhora sua vó! — gritou Janine jogando uma PokéBola que rapidamente sacara sem que os outros percebessem.

 

Um pequeno broto se materializou do raio vermelho que se originou da cápsula e avançou na dupla usando chicotes de cipó que brotavam do graveto que formava seu tronco.

 

Os outros dois homens lançaram suas PokéBolas para se defender do ataque do Bellsprout. Delas, Rattata e Ekans se mostraram prontos para o ataque e logo partiram para cima do Pokémon de Janine, que agilmente agarrou e estrangulou o roedor inimigo com um de seus chicotes. Ekans escapou do segundo e abocanhou o esguio corpo do Pokémon, que guinchou.

 

— B.! — Exclamou Janine, levando as mãos à cabeça.

 

Red percebeu que deveria ajudar e arremessou a PokéBola que continha Mankey pela segunda vez aquele dia. O primata continuava com uma expressão furiosa em seu semblante, mas antes que atacasse seu treinador, se deu conta dos dois oponentes à sua frente e, sem esperar ordens do seu treinador, correu em direção da serpente e aplicou um soco na lateral da mandibula, fazendo-a soltar Bellsprout de suas presas.

 

 — Mankey, ataque o Rattata! Low Kick! — pediu o garoto.

 

O Rattata inimigo era um alvo fácil preso no cipó de Bellsprout. Sem se preocupar, Mankey correu e aplicou um chute no focinho de seu inimigo. O roedor guinchou e cambaleou, mas The B. fez questão de finalizar jogando-o contra o chão duro e áspero de pedra, nocauteando-o.

 

Ekans tornou sua atenção para Mankey e deu o bote. Suas presas fincaram no braço do macaco e ele guinchou de dor ao mesmo tempo em que balançava o braço tentando bater o inimigo contra o chão, sem sucesso. Bellsprout aproveitou a oportunidade para segurar a cobra com seus dois cipós dessa vez.

 

Fury Swipes! — pediu Red ao seu Pokémon, que com um sorriso malicioso, logo correu para atingir a serpente.

 

No entanto, o garoto percebeu que Mankey arranhava o rosto do oponente utilizando apenas o braço esquerdo, enquanto o direito estava encolhido como se o Pokémon sentisse dor ao movê-lo.

 

— Ele deve estar envenenado... O Poison Sting da mordida do Ekans deve ter feito isso. — explicou Janine à Red.

— Droga! E o que eu posso fazer agora? — perguntou Red, preocupado.

— Deixa comigo. B., use Sleep Powder!

 

Bellsprout soprou pela boca um pó prateado em direção à Ekans que caiu adormecido após inalá-lo.

Com o inimigo imóvel graças ao sono, o Pokémon de Janine agarrou-o com seus chicotes e o lançou contra seu treinador, que assustado com a ação, não deu conta de segurar seu Pokémon e caiu de costas junto com ele no chão.

 

Joaquim e o colega retornaram seus Pokémon às PokéBolas.

 

— Bater em retirada! Precisamos de reforços! — bradou um deles.

— Você tá louco? Imagina só o que eles vão fazer com a gente se descobrirem que a gente apanhou de dois pirralhos!

 

A dupla deu alguns passos para trás e saiu correndo na direção oposta de Red e Janine, deixando-os no escuro por alguns instantes. Janine voltou a acender a luz da lanterna e correu em direção à Mankey, abaixando-se para ficar na sua altura. A menina tirou de sua mochila um spray. Destampou o frasco e om cuidado, pegou o braço de Mankey e espirrou o medicamento em uma grande área ao redor de onde fora mordido. Red olhava com atenção.

 

— É sempre bom carregar alguns antídotos quando se trabalha com situações em que a gente pode acabar intoxicado, não acha? — questionou a ninja levantando-se e sorrindo, balançando o frasco vazio do antídoto na mão.

— Valeu mesmo, Janine... — respondeu Red com um tom de remorso em sua voz.

— Tá tudo certo, um dia você aprende. O importante agora é achar onde aqueles caras estão escondidos.

— E a gente vai fazer o quê? A gente não dá conta de derrotar vários de uma vez. Você viu que foi o Brock quem fez boa parte do trabalho lá no museu...

— Ai, Red, tolinho... — disse enquanto tirava um saquinho lacrado que continha alguns gramas de um pó bege da sua mochila. — Você deveria confiar mais em mim de vez em quando, sabia?

— Janine, mas o que você...?

 

Com um riso sinistro, a ninja tornou a colocar sua mochila nas costas e seguiu pelo túnel com Red logo atrás, insistindo em saber sobre o que a amiga carregava na mochila.

 

***

 

Perdida e desorientada, Yellow andava pelos túneis sem saber para onde ir. Não era a primeira vez que se sentia assim. A menina estava tão absorta em seus próprios pensamentos que esquecera por um instante que Pichu estava deitada no topo de sua cabeça. Ela chamou pela Pokémon que logo se mostrou acordada e disposta a ajudar se fosse preciso.

 

Já caminhava há tanto tempo que seus olhos já tinham se acostumado com a escuridão, o que fez que eles se fechassem quase que imediatamente ao enxergar luz ao fazer uma curva numa intersecção de túneis. Em algum ponto mais a frente em seu caminho havia lâmpadas. Ela apertou o passo na direção delas e descobriu que eram luzes de emergência. Deviam ter acendido após o tremor. Após alguns segundos deixando com que suas pupilas se acostumassem novamente à luz, ela encarou o chão. Pichu pulou ao chão e correu até uma ferramenta que descansava a alguns passos delas.

 

Uma picareta. Não estava nova, mas tampouco parecia velha. Estava um pouco empoeirada, e a ponta parecia não estar tão apontada quanto deveria. Parecia abandonada ali, pelo menos, já há alguns dias. Pichu caminhou um pouco mais e retornou com uma embalagem aberta de chocolate.

 

Yellow parou por um instante para analisar o ambiente e concluiu que aquele túnel devia estar sendo utilizado por mineiros há pouco tempo, afinal, havia rastros de presença humana recente. Agradeceu a sorte de achar um local que, ao menos, lhe dava esperança de algum resgate aparecer. Sentou-se em cima de uma das pedras próximas e arriscou beliscar o chocolate trazido por Pichu.

 

Depois de muitos minutos, talvez até algumas horas, algo apareceu. Não era uma equipe de resgate como ela esperava, mas sim, uma criaturinha pouco maior que Pichu. Estava tentando observar escondida atrás de algumas pedras, mas o som que fez ao se surpreender ao ver um ser humano chamou a atenção de Yellow.

 

A garota levantou-se para se aproximar da criatura. O Pokémon desconhecido deu um pulo para trás, com medo. Pichu não tardou a se aproximar também, e brincando ao redor do novo conhecido, conquistou sua confiança. Yellow esticou a mão e fez um carinho no topo da cabeça do Pokémon que estava ali e sorriu ao receber um grunhido de felicidade em resposta.

Agora que podia ver bem o Pokémon, conseguia reparar no tom rosado de sua pele, e no pequeno tufo que se assemelhava a um topete em sua testa. Tinha uma cauda bem grande, considerando o tamanho de seu corpo, que estava enrolada. Em suas costas, duas asas que se assemelhavam a um laço exuberante, se fazia presente, adornando o pequeno. Parecia uma fada embalada para presente.

 

A humana se agachou para olhar nos olhos do monstrinho em uma altura mais próxima. Perguntou seu nome e ouviu um som em resposta.

 

— Cle... fairy? — perguntou Yellow, recebendo uma confirmação do Pokémon. — Muito prazer. Meu nome é Yellow. E essa é a Pichu.

 

A loira mal pode terminar de conversar com Clefairy. Outros Pokémon da mesma espécie passaram correndo por um túnel transversal. Uma delas parou por um segundo para ralhar com a que conversava com Yellow. A desgarrada voltou o olhar para a menina, e novamente para o grupo que andava apressado. Deu um leve puxão na mão da humana, convidando-a a segui-la.




  

AeK OPENING 1

 


Depois de 2 anos escrevendo a fanfic e imaginando como seria uma abertura estilo anime para ela, eu finalmente decidi tirar a bunda do sofá e sentar no computador para fazer algo minimamente aceitavel. Espero que curtam!


Capítulo 9

Lembranças de Aniversário


Depois de Red conseguir vencer Brock, o Líder do Ginásio de Pewter, graças aos esforços de Rattata e Mankey e conquistar a Insígnia da Rocha, Janine havia convencido o trio de que eles tinham que sair para comemorar. Juntos, caminharam até uma rua onde se situavam várias lojinhas onde bugigangas e lembranças para turistas eram vendidas, desde chaveiros de vários tipos de pedras e réplicas de fósseis, camisas com frases como “Fui a Pewter e Lembrei de você” escritas como se tivessem sido entalhadas em pedra, marca-páginas com o panorama da cidade e miniaturas do que era o amado museu, às vezes uma ou outra referência ao ginásio era vista por ali ou uma vendinha com itens para viagem.


Fazendo seu papel de mais velha e responsável, Janine — se preparando para partir logo no dia seguinte — comprara um saco de dormir para Yellow, que ainda não tinha um. Depois de comprar uma camiseta com a estampa “Eu ♥ Você” cuja letra “O” estava substituída por um fóssil Helix, Red levou a loira para comprar um pequeno estoque de cinco PokéBolas.


O trio tratou de voltar ao Centro Pokémon para dormir o máximo que pudessem antes de voltar à estrada. Janine ordenou, aos berros, que todos deixassem as mochilas prontas antes que qualquer um pudesse se deitar. Red, no entanto, fora o único que tardou em cair no sono. Estava muito animado encarando suas PokéBolas, alegre pela sua primeira grande vitória. 


*** 


Red, Yellow e Janine já estavam há dois dias na Rota 3 e a empolgação do garoto não diminuíra. Na verdade, o ajudara a capturar um Spearow e um Sandshrew durante a travessia. Naquela manhã, quando Yellow acordou, encontrou Janine com um punhado de Frutas Oran perto de uma pequena fogueira improvisada cozinhando um pedaço grande de alguma raiz e percebeu que Red estava sentado sob uma árvore, observando Pikachu e Rattata brincarem, enquanto ditava o que via para sua Pokédex.


— Rattata morde qualquer coisa quando ataca — disse, assistindo à simulação de batalha dos seus Pokémon. Olhou aos seus arredores e percebeu vários roedores como o seu e decidiu complementar. — É visto comumente em vários lugares.


O LED azul do aparelho brilhou, indicando que havia registrado a voz do dono. Yellow se aproximou e sentou-se do seu lado.

 

— Dia de observação? — perguntou a garota, interessada.

— Não tem muito pra fazer hoje, então eu decidi registrar minhas observações pra ajudar o Professor Carvalho e quem sabe entender mais esses caras.

— Isso é muita coisa para um dia sem ter o que fazer.

— Ah, não é isso… É que lá em casa hoje o dia ia ser movimentado. Minha mãe ia me acordar com música e eu ia comer bolo o dia todo. A gente ia passar o dia vendo os melhores filmes antigos com efeitos toscos do Pokéstar Studios, lá de Unova. Coisa de primeira — comentou o garoto sorrindo.

— Ah… Vocês sempre faziam essas coisas? — Questionou a loira, escondendo que tentava naquele momento se lembrar de como era sua mãe.

— Às vezes, em datas muito importantes. É que hoje é o meu aniversário.

— ANIVERSÁRIO? HOJE? — berrou Janine de onde estava. — COMO VOCÊ NÃO NOS AVISOU ANTES?!

 

Yellow olhava de Red para Janine sem parar. Estava confusa sobre como devia reagir, afinal, ela não se lembrava de como era ter um aniversário. Isso é, se já comemorou algum.

 

— Não é nada demais, Janine — respondeu o garoto sem jeito.

— É SIM! — A ninja abandonou seu posto por alguns segundos, apenas para buscar Red embaixo da árvore e colocá-lo cozinhando em seu lugar. — Aqui ó, cozinha isso por mim. Eu e a Yellow vamos procurar alguma coisa supimpa pra você.

— Não preci…

— Bora lá, Yellow! — gritou Janine, interrompendo o colega enquanto corria puxando Yellow pelo braço. — Voltamos para o almoço, Vermelhinho-san!

— V-Vermelhinho-san? — indagou Red a si mesmo, agora sozinho, cozinhando a raiz. 


***


— Eu acho que eu vou é dar um tapa na cara daquele moleque por só avisar do aniversário dele na última hora. Onde já se viu? Olha a trabalheira que ele deu pra gente! — comentou Janine brava andando pela mata acompanhada por Yellow.

— J-Janine… O que seria um bom presente de aniversário?

— Ah, depende de quem vai receber. Eu acho que pro Red, um Pokémon seria legal, já que o maluquinho sai capturando bicho a torto e a direito… No meu caso, eu ficaria super feliz em ganhar um frasco de extrato de Fruta Pecha… E você?

— Eu não sei… Janine, quando é seu aniversário?

— 9 de Setembro, e o seu?

— Eu não sei...

— Oxe. Não sabe seu sobrenome, não sabe seu aniversário... Que zoeira é essa, loirinha?

— Eu só... Não consigo lembrar de nada... A memória mais antiga que eu tenho é de tentar fugir de um Centro Pokémon em que eu estava internada... Red me achou desmaiada no meio da rua em Viridian e me levou de volta... Desde então, eu o acompanho.

— Tenso isso aí, loirinha... Mas fica tranquila que eu também cheguei na sua vida pra te apoiar — comentou Janine apoiando as mãos sobre os ombros da amiga. — E se a gente fizer de hoje seu novo primeiro aniversário? Você pode dividir a data com o Red, parece que já rola algo entre vocês mesmo.

 

O rosto branco de Yellow foi invadido por um rubor que ardeu.

 

— Q-Quê?! — exclamou a garota completamente sem graça.

— Ah, era só impressão minha então? — provocou Janine, aproximando-se da amiga com um sorriso travesso.

— Não! Q-Quer dizer, sim! Ai, podemos esquecer esse assunto sobre meu aniversário? Precisamos encontrar algum Pokémon pro Red! — pediu Yellow querendo mudar de assunto.

— Ué, mas foi você quem puxou esse assunto... — gargalhou Janine.

 

Elas caminharam por mais um tempo pela grama alta, prestando atenção em possíveis ninhos de Pokémon. Em dado momento, as garotas encontraram uma pequena Nidoran♀ dormindo tranquila em uma toca rasa que ficava abaixo de um pequenino barranco. Janine se animou instantaneamente.

 

— Aí que fofa! Eu quero!

— Mas, e o Pokémon do Red?

— Depois a gente vê alguma coisa pra ele, eu vou pegar essa fofucha é agora! Já imaginou o que dá pra fazer usando o veneno dela?! Anzu, por favor!

 

Uma PokéBola foi jogada, e seu brilho característico da liberação de um Pokémon chamou a atenção da Nidoran♀, acordando-a. A Zubat logo obedeceu sua mestra e atacou o alvo com Astonish. Nidoran♀ recuou alguns passos, mas Anzu não deu descanso, chiando em uma frequência inaudível para os humanos, mas que deixou a oponente confusa. Correndo para escapar, Nidoran♀ bateu com o focinho no barranco e caiu sentada para trás, balançando a cabeça tentando se orientar novamente. Janine não deixou a chance escapar e jogou uma PokéBola. 1, 2, 3… E então o sinal sonoro de uma captura bem sucedida foi emitido pela esfera.

 

A garota pulou de felicidade, abraçou Yellow, e, sem antes deixar de pular mais uma vez, foi pegar a PokéBola com seu mais novo Pokémon.

 

— E assim, fazemos uma captura bem sucedida!

 

***

 

Yellow e Janine andaram por várias horas sem encontrar nenhum Pokémon que pudessem capturar para Red. O que elas mais encontravam eram Rattatas, espécie que o garoto já tinha na equipe, e uma revoada de Pidgey migrando para longe que elas não conseguiam alcançar.

 

Janine comentou que era estranho aqueles Pidgeys estarem migrando, afinal, não era o comportamento daquela espécie, mas Yellow não prestou atenção, pois estava focada em seu estômago vazio. Já estavam passando da hora do almoço, momento em que prometeram à Red que estariam de volta. No entanto, não tinham conseguido nenhum presente.

 

A ninja concordou em retornar para o local que estavam acampando, já que também começava a sentir pontadas de fome. No meio do caminho, ela pegou uma pedra no chão e sugeriu que poderiam dá-la à Red. Afinal, ele era tão bobo que facilmente aceitaria se elas dissessem que era lembrança da viagem.

 

Elas chegaram ao acampamento quando Red já havia terminado de comer. Ele pediu desculpas por não ter aguentado esperar. Janine entregou a pedra e lhe deu um abraço antes de partir para esquentar sua porção e a de Yellow.

 

— Uma pedra? Vocês demoraram tanto por... Uma pedra? — A expressão de surpresa desagradável no rosto do garoto não incomodou Janine.

— Na verdade… — tentou Yellow, mas foi interrompida pela colega.

— A gente demorou porque estávamos escolhendo a pedra certa. Algo menos Pewter e mais Monte Lua.

 

Red ainda não entendia o significado do presente, mas guardou mesmo assim. Afinal, para quem não esperava ganhar nada, ao menos receber uma pedra de presente era lucro.

 

Janine almoçava brincando com sua nova parceira, Nidoran♀. O Pokémon tentava correr para o meio do mato, mas a ninja a distraia com algum petisco e um carinho na barriga.

Red sentou-se ao lado de Yellow, que comia vagarosamente sua raiz com frutas.

 

— Ei, eu imagino que você não se lembre do seu aniversário, né?

— É… — respondeu a loira sem saber como continuar a conversa.

— Eu pensei que a gente podia comemorar seu aniversário na data em que eu te encontrei. Eu espero que você lembre do dia verdadeiro antes que a gente tenha que usar essa data, mas pelo menos traz algum conforto, não?

— Dia 19 é um bom dia. Pode ser a nova data, por enquanto — respondeu a garota sorrindo, o que despertou um sorriso no menino.

 

Uma data de aniversário.  Ela não se lembrava de quem era antes, mas estava gostando de quem estava se tornando agora.

 

Um vulto roxo passou por eles e caiu sobre Janine, tentando mordê-la. A ninja se esquivou no último instante enquanto Nidoran♀ começou a guinchar para o recém-chegado: Um Nidoran♂ que viera até ali para procurá-la.

 

— Opa! Um Pokémon novo pra mim! — exclamou Red erguendo-se de supetão.

— Ok, Red, eu revelo agora o seu verdadeiro presente de aniversário! O plano era trazer esse Nidoran♂ aqui pra você o tempo todo! Você não achou que eu ia te dar uma PEDRA de presente, né? Eu sou um gênio! — gabava-se Janine aos risos enquanto desviava dos ataques do Nidoran♂.

 

Pikachu e Rattata logo se puseram a postos para a briga. Red ordenou um Quick Attack do seu roedor arroxeado, que correu e se jogou contra o alvo, que caiu para trás, mas logo ficou sobre as quatro patas novamente, virou a anca contra o oponente e deu um coice duplo.

 

Rattata pareceu ter se machucado depois do golpe, mas ainda estava disposto a lutar. Seguindo as ordens de seu treinador, bateu a cauda no chão como um chicote, o que fez o Pokémon selvagem recuar um pouco com medo e abrir uma brecha na defesa. Com um Focus Energy seguido de um Quick Attack, o Pokémon de Red conseguiu fazer Nidoran♂ cair e ficar cansado de levantar de novo. A Nidoran♀ foi ao seu encontro reconfortá-lo, mas Red interrompeu a conversa das criaturas com uma PokéBola que tremeu três vezes antes de indicar que o Nidoran♂ estava devidamente capturado.

 

Quando Red o soltou, estava acuado, mas o garoto se aproximou com um petisco e uma poção para reverter os danos da luta. Se sentindo melhor, o Nidoran♂  deixou de ser agressivo, mas logo correu para brincar com a Nidoran♀.

 

— Eita, Yellow... Foi mal aí. Agora parece que tem um elo romântico entre mim e o Red, mas eu não quero furar olho de ninguém, não — sussurrou Janine para que o colega não escutasse.

— O QUÊ?! — gritou a loira sem saber como reagir.

— O que vocês tão falando aí? — questionou o garoto.

— Eu só tava comentando que se a gente for andando agora, a gente chega na base do Monte Lua ainda hoje à noite! — respondeu a ninja correndo e pegando sua Nidoran♀no colo. — Bora, sem perder tempo!           

— Então tá… Vamos Yellow! — comentou o garoto correndo atrás de Janine, sendo seguido por Yellow e seus Pokémon.





 

Fanarts do Subversivo!

EU SOU UM BAITA PREGUIÇOSO!

Mas todos já sabiam disso...

Eu recebi essas INCRÍVEIS fan arts em ABRIL e só hoje estou publicando. Essas artes foram feitas pelo leitor Subversivo e estão DE TIRAR O FOLEGO!

Começando com a visão de Mewtwo e a despedida do garoto Red, nosso treinador novato quando ele partiu em jornada! OLHA SÓ ESSE OLHAR DO MEWTWO! E o abraço caloroso dos amados que farão falta durante a jornada...

Mas não se ele encontrar mais pessoas para dividir sua vida, como a Yellow! E aqui temos a nossa loira favorita de Kanto tendo pesadelos com suas copias. Mesa cena em que ela descobre seu nome. OLHA O DETALHE DO SORO NA VEIA! INCRÍVEL!


Particularmente, eu achei os desenhos lindos, (e guardei só para mim durante esse tempo todo), mas agora estão aqui para serem apreciados por toda a humanidade! Você pode ver mais artes do Subversivo e conversar com ele em nosso grupo do discord!


Kanto Soundtrack

Entre e aproveite as músicas escolhidas a dedo pelo autor para ser o tema das temporadas, dos personagens, e de momentos icônicos dessa história! Novas músicas serão adicionas ao decorrer da história.

Ouça a playlist no Youtube ou Spotify!

Obs.: Algumas músicas podem estar indisponíveis em alguns países a depender da plataforma.
Obs².: O tema da temporada na playlist do Spotify foi trocado para a versão em inglês da música por falta da versão Brasileira na plataforma.

  1. Tema da Temporada - Tema de Pokémon/Pokémon Theme (Jana Bianchi/Jason Paige); Youtube/Spotify
  2. Tema do Red - magenta (Nano); Youtube/Spotify
  3. Tema da Yellow - Yellow (Coldplay) Youtube/Spotify
  4. Tema da Janine - Independência (Clube5); Youtube/Spotify
  5. Tema do Brock - We Will Rock you (Queen); Youtube/Spotify

JanjoVS - Origins


E aí pessoal? Mais um ano se passou, e mais uma vez eu deixei passar a data de aniversário de nossa querida fanfic (Perdão pelo vacilo).

Há um tempo eu venho pensando nisso, e queria fazer isso no aniversário da fic, mas como deixei passar, vamos falar logo sobre.

Já não é de hoje que quem frequenta o grupo do Discord (Para fazer parte você também, só procurar no menu aqui na direita) já sabe mais que meu pseudônimo.

Não fiz muita questão de esconder minha identidade por trás da tela, e eu até gosto de falar para os meus amigos do lado de cá que eu escrevo Aventuras em Kanto e mostro a página a quem se interessa. E aí um pensamento tem zunido na minha mente como um maldito Buzzwole.

Se um dia eu for alguém importante como o Dento que já lançou um CD, ou o Canas que publicou um livro, eu não quero que a pessoa chegue aqui e veja "Assassino do Assassinato". É meio tosco, vai. Vocês concordam.

Killer of Murder é um nickname que criei pra mim mesmo na fase de adolescente rebelde sem causa quando migrei da equipe de um blog de pokémon que infelizmente não lembro mais o nome para ser membro da saudosa Pokémon Arena Xw2. Na época eu pensei que "Uhu \o" era um nickname deveras bobo. Eu não lembro de onde saiu a ideia, mas eu recordo de já ter usado Thunder-Killer como nick no Grand Chase ao mesmo tempo que criei uma guilda chamada Death Killers no mesmo jogo. Não sei quem veio primeiro, mas dá pra notar um padrão né?

Lembro de falar algo como "Assassinar os assassinatos trariam os mortos injustamente de volta" ou alguma coisa bem non-sense assim na época. Eu ainda sou muito sonhador e utópico? Sou sim, mas acho que eu perdi muito do "rebelde sem causa" e do "edgyness" que estavam nesse moleque de 14 anos na blogosfera Pokémon da época, e eu sei um pouquinho mais de como as coisas funcionam hoje. E quero aprender o que eu conseguir enquanto estiver por aqui.

Mas voltando a questão do nome. Depois pensar muito, eu decidi fazer um "rebranding" (É assim que se fala pessoal, do marketing?) e agora postar (e aparecer no Discord) como JanjoVS (Ou apenas Janjo). Há alguns anos já é um padrão eu usar Janjo como nickname em jogos online. Foi um apelido que uma coordenadora da escola me deu na época e uns amigos começaram a usar para me zoar, e eu acabei achando legal. Faz referência ao meu nome e eu não sinto vergonha da minha fase "Vou matar a morte" usando esse pseudonimo. Mas para quem já era intimo, pode continuar me chamando de Kill. Não tem problema, vocês já estão no meu coração.

Notas do Autor - Capítulo 8


Desde dezembro sem capítulo novo, mas seguimos firmes e fortes aqui na missão de, UM DIA, terminar Kanto. Eu disse que eu vou terminar, e missão dentada, é missão cumprida.

Depois de poucos altos e muitos baixos, algumas pessoas verem o seu potencial, Red volta pra sua revanche contra Brock, depois de FINALMENTE aprender alguma coisa de útil com Janine.

Mas comentando agora sobre a produção... Eu poderia ir direto para a luta do ginásio? Poderia. Mas eu bem gosto de falar um monte sobre o que tá se passando na cidade, falando do Brock e da vida dos nossos viajantes favoritos de Kanto. Inclusive, tentei relacionar Pewter com alguma parte real do Japão (Será que vocês acertam? Na verdade eu descobri que já é bem consolidado pelo fandom) para escolher o almoço tradicional deles (e fiz isso com Violet também) e tive consultoria da Zyky e seu marido pra saber se a comida era do jeito que eu pensava mesmo (Mas se tiver errado, a culpa é toda minha ainda).

E acho que depois de tanta porrada, 7 capítulos andando sem chegar a lugar nenhum, o Red finalmente tá vendo um caminho. Janine está servindo como sua mentora e ele pode olhar em frente ao invés de olhar para o chão. Até consegue falar melhor com o Mankey agora. E sim, foi meio que uma referencia ao fato de ter uma insignia faz Pokémon de níveis mais altos te obedecerem nos jogos, mas eu não queria deixar tão mecânico, precisava deixar mais fluido.

Eu fiz algo novo para essa batalha que foi usar a Calculadora de Dano do Showdown para avaliar como essa luta se sairia num jogo. Confesso que não segui necessariamente os resultados que deram lá, já que segundo os cálculos, era certo o Mankey dar OHKO nos Pokémon do Brock. Então que bom que estamos falando de fanfic. Outra coisa que eu acho que seria muito engraçado de se ver foi eu tentando fazer teatrinho com minhas mãos imitando os Pokémon durante a luta pra tentar imaginar os movimentos e as trajetórias dos corpos dos monstrinhos durante a batalha. Foi bem louco.


Acho que a Yellow tem ficado um pouco apagada no ultimo e nesse capítulo. Tenho tentado dar personalidade a ela mesmo que ela não tenha ficado em segundo plano. Mas eu prometo que a hora dela brilhar está chegando, assim com a do Red chegou, peço que esperem só um pouquinho.

Vejo vocês no próximo post!
Smell ya later!

Capítulo 8

Confronto e União



Foi com dor no coração que Brock pediu para Forrest tomar conta dos irmãos mais novos naquela manhã.

O ataque terrorista no dia anterior ao Museu Nacional da Ciência chocou muitos moradores da cidade. Como líder do ginásio local, Brock fora chamado para inúmeras reuniões com as pessoas mais importantes do governo, entre acadêmicos e militares que estavam na cidade. Ele não se interessava pela parte burocrática. Participar de escavações e achar novos fosseis era um hobby para ele que se divertia sempre que podia fazer. Mas sua verdadeira dedicação era proteger sua família e sua cidade.

As reuniões com os policiais e as equipes de inteligência foram as que mais lhe interessaram e as que mais lhe chamaram a atenção. Brock fez questão de perguntar sobre tudo, desde sobre o que havia sido levado do museu e seu estado, até sobre quem poderiam ser os ladrões misteriosos. Pelo levantamento do inventário do museu, alguns fósseis foram roubados, tanto os que estavam em exposição, quanto os que estavam sendo estudados dentro dos laboratórios. Brock não hesitou em pensar que os invasores sabiam o que estavam fazendo. Janine estava certa ao pressupor que aquilo foi um ataque premeditado.

Itens da exposição espacial não foram levados, com exceção de algumas Pedras da Lua e Pedras do Sol raras, além de outras pedras evolutivas que haviam no acervo. Peças de arte foram quebradas, queimadas ou rasgadas, mas não levadas.

As duas Ekans da Equipe Rocket que o Bellsprout da garota ninja havia derrotado ontem já estavam sob estudo em laboratórios improvisados, já que os laboratórios do museu estavam também destruídos. Brock havia solicitado verba ao governo para a restauração do Museu. mas os representantes da Elite 4 não pareceram felizes ao verem a quantia pedida. Agatha, no entanto, parecia ter alguma influência na liberação dos recursos e o dinheiro, mesmo a contragosto, fora liberado.

Os melhores engenheiros e arquitetos da região foram convocados até Pewter. Material de qualidade não faltaria, afinal as melhores pedreiras e mineradoras ficavam nos arredores da cidade, o que fez a entrega ser agilizada. Brock fez questão de acompanhar de perto o progresso da reconstrução do museu.

Enquanto caminhava nas ruas da cidade entre seus compromissos matinais, era normal que, nos últimos dias, as pessoas o abordassem para questionar sobre o acontecido mesmo que ainda estivesse sendo retratado nos tabloides e telejornais diariamente. O líder não os deixava sem resposta, ele sabia que os cidadãos não buscavam mais informações, mas sim conforto, e ele entendia sobre como confortar os outros com as palavras. Era o que ele fazia com seus irmãos mais novos todos os dias em casa, e era o que deveria fazer com seus conterrâneos por ter um cargo importante como aquele que ocupava.

Na teoria, um líder de ginásio era um profissional em batalhas Pokémon incumbido de testar treinadores e serem obstáculos até o desafio contra a Elite 4. Afinal, não se podia deixar qualquer pessoa assumir um cargo na Elite, muito menos galgar ao posto de campeão e assumir as responsabilidades pela região sem passar por um mínimo de provações e esforço. Na prática, ser um líder de ginásio englobava ser o responsável por sua cidade e seu povo, estar sempre à disposição para ajudá-los e ser o primeiro na linha de defesa quando necessário, como qualquer chefe de família.

Ninguém tinha sido gravemente ferido no dia anterior, as pessoas agradeciam a Brock por isso. Mas no fundo ele sabia que tinha deixado parte da história da cidade de Pewter, da região de Kanto e de boa parte do mundo, ser roubada e pior, não tinha nem pistas de onde estavam os itens e nem fazia ideia de como iria recuperar. Tinha falhado em uma das obrigações mais importantes que seu cargo exigia. Mas ele não podia continuar abatido. Durante à tarde, havia outro compromisso a se cumprir, a outra parte de seu trabalho, um desafio em seu ginásio e não podia dar moleza.

***

Red, Yellow e Janine se retiraram do Centro Pokémon logo após o café da manhã para procurar algum lugar aberto em que pudessem treinar. Um bonito parque se estendia logo adiante, após algumas quadras, em uma grande área cercada por árvores e vegetação naturais que faziam Pewter contrastar florestas em meio às pedras progressistas que cercavam a cidade.

— Aqui é sem massagem, hein? Quero ver treinamento PESADO pra essa luta de hoje! É HORA DE GANHAR, GURI! — gritava Janine entusiasmada.

Red estava começando a tremer de nervosismo, sacou três de suas PokéBolas e as encarou por um momento. Brock havia acreditado em sua capacidade como treinador no dia anterior e o convidou para mais uma batalha pela insígnia. Mas o próprio garoto não estava totalmente confiante sobre o que poderia fazer para enfrentar o poder do Onix do líder de ginásio. As imagens do futuro oponente entrando no museu montado em seu Pokémon e lidando com múltiplos inimigos de uma única vez como o comandante de um exército estavam fixadas em sua mente, enquanto em sua frente via Janine e Yellow com seus Pokémon o esperando para iniciar o treinamento. Elas acreditavam nele como Brock no museu. Ele tinha que se esforçar para não desapontar ninguém.

Lançou os três Pokémon em campo: Pikachu, Rattata e Kakuna. Todos se alongaram e reconheceram o ambiente. Pikachu foi o primeiro a perceber que se trataria de uma sessão de treinamento, antes mesmo do seu treinador se abaixar para conversar com eles sobre o que estava acontecendo.

— Não fuja do seu Pokémon, Red. — comentou Janine.
— Quê? — indagou ele confuso.
— Eu quero ver seu Mankey aqui também com a gente.
— Mas ele...
— NÃO FUJA DO SEU POKÉMON, RED! — interrompeu Janine, gritando.

Red deu meio passo para trás e Yellow olhou assustada para a companheira de viagem. Pichu rapidamente escalou o corpo da sua treinadora para se proteger nos braços amorosos dela. Janine estava séria, o que não era o comum dela.

— Você o tirou da casa dele. Agora o mínimo que você pode fazer é aprender a conversar com ele.

Os olhares de Red e Janine se encontraram. Por mais que estivessem a pouco tempo viajando juntos, dava para saber que ela não estava de brincadeira. Ele não queria encarar o Mankey, afinal, sempre acabava apanhando quando o macaco aparecia. Ele não sabia como lidar com os próprios Pokémon ainda, apesar de Rattata e de Kakuna o aceitarem como treinador, Pikachu só estava ali por pedido do Professor Carvalho, e não por realmente o respeitar. Red não queria confrontar a situação, mas era a verdade e Janine estava ali, fazendo que ele enfrentasse de frente o conflito.

O garoto sacou a última PokéBola de sua mochila e a olhou fixamente.

— Ótimo — comentou a ninja. — Anzu e o B. dão conta de treinar seus outros 3 Pokémon e a Pichu de quebra. Eu vou focar aqui em você.

Yellow acenou positivamente com a cabeça para Red como forma de apoio e então seguiu com Pichu para onde os outros Pokémon se agrupavam, seguindo ordens da Zubat e do Bellsprout de Janine.

Os outros dois se afastaram um pouco e então Mankey finalmente foi liberado de sua cápsula. O Pokémon observou os arredores, as pessoas passeando pela rua, algumas tranquilas, outras apressadas, outras com sacolas cheias de compras. Viu os outros Pokémon ali perto fazendo movimentos e ensaiando lutas entre si e encarou por fim seu treinador, disparando em sua direção mirando em seu peito um chute com os dois pés.

Red já esperava por um ataque então desviou para o lado esquerdo rapidamente, desequilibrando um pouco e caindo para trás sentado na grama. Seu Pokémon continuou a trajetória no ar até cair em pé no chão e se virar para observar o humano caído.

— Não fuja dele — repetiu Janine estendendo o braço para que o colega se apoiasse para levantar. Red aceitou de cabeça baixa, olhando para o chão sentindo uma imensa vergonha do que fizera, mas refletindo sobre as palavras de Janine.

Fugir do Pokémon? Ele só desviara do chute, o Mankey era quem estava sendo violento. Ele tinha que encarar os socos do Mankey e apanhar do próprio Pokémon? Ele não era louco como o Brock que havia encarado o próprio Onix, que segurou uma investida da enorme criatura com as próprias mãos e então o montou.

Brock era incrível, o garoto sabia que não tinha essa mesma capacidade. Red queria poder fazer a mesma coisa com seu Mankey, mas não tinha coragem de receber um golpe. Tinha medo do próprio Pokémon.

Bastou o tempo de Red ficar em pé novamente para que Mankey pulasse novamente em sua direção, mirando um soco na barriga de seu treinador. Dessa vez, Red não teve reflexo para desviar e foi empurrado para trás, caindo deitado no chão com seu Pokémon sobre sua barriga.

Sentir dor foi a primeira reação do corpo do garoto. Todos os tecidos sendo compactados para dentro da cavidade abdominal de forma forçada em um único ponto fez o garoto gritar. Mankey guinchou orgulhoso, mas foi pego de surpresa quando Red levantou seu torso abraçou seu Pokémon, desatando a chorar.

— M-Me desculpe, M-Mankey...

O Pokémon hesitou por um instante vendo a situação deplorável de seu treinador e desferiu socos rápidos nas costelas de Red.

— Desculpe por eu ser tão ruim como treinador... — continuou o garoto ignorando a dor e continuando seu desabafo em meio às lagrimas. — Desculpa por não conseguir entender como você se sente... E-Eu conversei com os outros em Viridian, e deixei você de fora... Eu disse que queria cumprir minhas promessas, mas eu só tava usando vocês do jeito que achei que devia... Sem saber a opinião de como vocês queriam...

Os outros Pokémon de Red interromperam o treinamento e encararam o treinador. Pikachu tomou a frente e o olhou fixamente, enquanto Rattata e Kakuna pareciam preocupados com o garoto. Mankey parou de socar e levantou os braços do garoto que o abraçava, se libertando dos braços de Red. O Pokémon deu uns passos para trás e encarou seriamente o seu treinador.

Red fungou e enxugou as lagrimas.

— O que você quer fazer?

O macaco deu pequenos pulos no ar mostrando alguns golpes e então parou contraindo seus bíceps. O olhar de treinador e Pokémon se encontraram e Red parecia entender a vontade de se fortalecer que seu Pokémon sentia.

— Tudo bem. Tem um cara fortão que desafiou a gente pra uma luta hoje — ele encarou seus outros Pokémon. — O que vocês acham?

Então Pikachu correu até o bolso do seu treinador e apontou para a Pokédex enquanto Rattata se aproximou do garoto de forma elegante e Kakuna grudou em seu braço com um String Shot.

— Muito bem Red. Você está pronto para sua primeira batalha de ginásio — completou Janine enquanto passava o braço por cima de Yellow para se apoiar enquanto assistia orgulhosa a cena.

***

Depois da lição dada por Janine, os três jovens voltaram ao Centro Pokémon para tomar banho, afinal estavam suados e Red tinha terra e grama por toda sua roupa. Pela primeira vez, Red ouvia Janine tagarelar sobre quanto era triste a destruição do museu. O semblante dele estava diferente, agora não mais encarava o chão, mas olhava as garotas nos olhos todo o tempo. Ele não estava mais se remoendo sobre suas falhas e como ele era o culpado por tudo que estava acontecendo de errado com quem estava ao seu redor, focava em como suas companheiras estavam ali com ele e o apoiavam. Ele, contando com o apoio delas e de seus Pokémon, voltou a sentir que podia realizar o sonho do Professor Carvalho.

Após o grupo tomar banho, arrumaram o quarto e colocaram suas roupas sujas para lavar enquanto estivessem fora.

Red se preparou para sua batalha, não estava a passeio agora. Vestiu sua jaqueta vermelha por cima da camiseta preta e seus jeans estavam devidamente presos pelo cinto e seus tênis brancos estavam bem apertados para não fugirem na hora que mais precisasse. Já Yellow vestia a roupa que fora presente do amigo, a clássica bata amarela com a camisa e calças pretas, afinal ela não poderia usar os pijamas emprestados de Janine para sair em público. Janine por outro lado estava bem relaxada. Vestia uma regata roxa com uma estampa inspirada nos desenhos que Arbok trazia abaixo de sua cabeça acima dos dizeres “KOBRA STRIKE”, além de um short jeans que cobria até metade de sua coxa. Eu seu rosto repousava um par de óculos de lentes escuras com uma armação roxa que lembrava uma serpente envolvendo o vidro preto.

Arte feita por Diego Chinatsu

Ela saiu do banheiro fazendo pose para que seus companheiros de viagem reparassem em seu look do dia enquanto repassava o planejamento da programação diária.

— Vamos almoçar algo decente hoje antes de ver o Red arrasar na batalha — anunciou enquanto abaixava um pouco os óculos para dar uma olhadinha por cima da armação colubrina.

Há poucos metros do Centro Pokémon, os garotos encontraram um pequeno restaurante tradicional da culinária Pewterina, onde se acomodaram e decidiram pedir um sukiyaki — um ensopado com carne e vegetais cozidos com um pouco de macarrão e alguns cogumelos. Diferente do dia anterior, Red não estava mais perdido em seus pensamentos. Se entretinha ouvindo Janine comentar que sentia falta de comer o típico macarrão nyu-men de Violet na região de Johto e dos momentos em que ela repassava dicas do que ele poderia fazer na luta de mais tarde se animando mais do que o necessário fazendo Yellow gargalhar.

Fotografia retirada de  Kyodo-Ryori



Com o estômago satisfeito após a explosão de sabores, pagaram a conta no pequeno restaurante e partiram em direção ao ginásio. Quanto mais perto eles se aproximavam, mais Red ficava nervoso. Suas pernas iam perdendo a força e o garoto fazia um esforço atípico para se manter caminhando. Não que Red estivesse mais confiante agora, mas tentava se acalmar lembrando a si mesmo que o próprio líder Brock havia dito que ele tinha potencial. Janine havia ensinado muito para ele, Mankey e seus Pokémon estavam confiando nele, tudo ia dar certo, não seria hoje que ele decepcionaria alguém.

Um pequeno sorriso de nervosismo já estampava sua face.

Brock aproximou-se das portas do ginásio ao mesmo tempo que os adolescentes. Red não conseguia controlar o nervosismo e ansiedade pelo o que estava por vir. Fazia de tudo para manter a confiança e afastar maus pensamentos.

— Ah, Er... Boa tarde, Brock — cumprimentou o garoto.
— Oi, Red, oi meninas. Bom ver vocês aqui. Vamos?

O moreno empurrou as grandes placas de mármore que eram usadas como portas naquele ginásio. Red quase se deixou levar por um sentimento claustrofóbico de derrota instantânea quando entrou no prédio que mais parecia uma caixa feita de calcário e argamassa, mas o toque da mão de Yellow em seu ombro imediatamente fez com que o sentimento fosse diluído com um olhar confiante da menina. Eles trocaram um curto sorriso e então as garotas se dirigiram até as arquibancadas enquanto Red e Brock seguiram para o campo de batalha.

— Pelo menos o fanboy não veio hoje — comentou Janine enquanto apoiava as pernas no recosto da cadeira da frente.

Na arena, Red e Brock se posicionavam nos extremos. Olhando para a arquibancada, o desafiante via que Yellow fazia gestos motivadores enquanto Janine se mantinha sentada em uma posição relaxada e confiante que o garoto desejou poder sentir naquele momento.

— É uma pena que eu tenha visto antes dessa batalha o quanto você conseguiu evoluir perante uma situação inesperada durante o ataque ao museu. Algo em você me faz entender que você tem potencial como treinador e eu espero que tenha aprendido ainda mais antes de vir aqui hoje. As regras serão as mesmas da última vez.

— Tudo bem. Farei o meu melhor!

Ambos os treinadores sacaram suas Pokébolas ao mesmo tempo e a lançaram no campo. Brock percebera que dessa vez o desafiante teve mais convicção e não esperou ver qual seria seu oponente antes de fazer sua escolha. Imprudência juvenil ou confiança inspiradora?

Do seu lado da arena, protegendo sua insígnia com a voracidade de um general em uma guerra, o líder de ginásio lançou seu Geodude de confiança. Ele sorriu um de forma maliciosa quando reconheceu seu oponente, o Rattata que venceu no primeiro embate, primeiro escolhido do desafiante.

A experiência falou mais alto e Brock deu o primeiro comando, ordenando um Rock Throw enquanto Red ainda pensava em qual seria seu primeiro movimento. A velocidade dos Pokémon fez diferença em campo quando Rattata conseguiu se esquivar e bater com sua cauda no Pokémon de rocha, fazendo com que este abrisse a guarda em um ataque chamado Tail Whip, nome de um dos golpes de Rattata que Red nunca havia usado e havia descoberto investigando a Pokédex junto com Janine.

Mesmo com a guarda baixa, Geodude pegou um grande pedaço de pedregulho que sua mão alcançou e jogou contra o roedor púrpuro que tentou desviar, mas acabou sendo atingido em seu flanco, fazendo-o girar 180° no chão e ficar com uma marca na cintura. Rapidamente, Rattata se ajeitou e ficou em posição de ataque, guinchando para seu inimigo.

Red gritou por seu Pokémon e perguntou se estava tudo bem com ele. O olhar decidido do pequeno roedor aliviou o treinador. Rattata não iria desistir tão fácil e Red não iria desapontá-lo também.

— Eu te disse da outra vez que diminuir a minha defesa não adianta. Defense Curl!
— Focus Energy!

Geodude cruzou os braços formando um “xis” em sua frente, mas não antes de Rattata inspirar profundamente e se concentrar. Ele viu uma brecha na defesa do inimigo e Red imediatamente também o percebeu, mas a experiência de Brock também o fez entender as intenções do oponente.

— Quick Attack!
— Sand Attack!

Enquanto Rattata se aproximava velozmente de Geodude, este já tinha um punhado de areia que havia catado do chão. Ao chegar mais perto, o Pokémon de Red não fez um impacto direto, mas se jogou por baixo do corpo do oponente ao mesmo tempo que o Pokémon de Brock soprou a areia no rosto do inimigo. Rattata levantou com toda a força que reuniu e lançou Geodude no ar enquanto ouvia gritos de incentivo de Red vendo a trajetória da queda do oponente até o chão.

Talvez aquele tenha sido o momento mais demorado da batalha, mesmo ainda não tendo passado um minuto. Geodude se levantou da queda que não foi tão danosa, apesar de ter sido pior do que esperava, enquanto Rattata agonizantemente passava as patas dianteiras em seus olhos para tentar limpar a areia.

— Rattata, você não precisa usar os olhos! Só depende de você agora, você consegue?

O Pokémon guinchou como afirmativa. Rattata era um dos melhores Pokémon do time, dedicado e obediente. Apesar de não ter tanta força, ele faria o que fosse para compensar.

— Tail Whip! — ordenou Red.

O roedor preferiu não se aproximar do oponente por causa da visão debilitada e começou a bater sua cauda no chão com o máximo de força que conseguia, enrijecendo os músculos e tentando fazer barulho.

— Rock Throw! — Exclamou Brock.

Geodude hesitou e executou a ordem com cautela, se aproximando lentamente até onde achava seguro e arremessando uma rocha que atingiu o ombro de Rattata, que girou em seu próprio eixo e rolou pelo campo até parar. Ele tremeu como resultado da força inútil que fez tentando se levantar para continuar a lutar. Guinchou uma última vez como um pedido de desculpas para seu treinador antes de finalmente desmaiar.

— Obrigado por tudo. Você foi perfeito — disse Red enquanto retornava Rattata para a PokéBola.

O garoto retirou outra PokéBola da mochila, aproximou-a do seu rosto e sussurrou para ela antes de arremessá-la ao campo.

— Por favor...

O raio brilhante que saiu da Pokébola deu forma a um primata que Brock vira no museu no dia anterior. Ele não costumava ser solto, já que o próprio tinha medo da criatura. Mankey entrou em campo guinchando alto para que todos pudessem ver que ele estava ali. Estava claro que ele queria chamar a atenção para si. Então percebeu Geodude no campo de batalha e apontou para seus próprios olhos e depois para seu oponente. Ele já tinha começado a luta sem nenhuma ordem expressa de Red, usando Leer.

Brock estranhou a atitude do Pokémon, mas preferiu ignorar por hora. Ele tinha que decidir entre atacar ou recuperar a defesa que já tinha sido muito afetada depois do Leer e do último Tail Whip.

— Sand Attack!
— Low Kick, por favor!

As ordens foram dadas. Geodude pegou um pouco de areia, mas Mankey já havia se aproximado. Levantou a perna esquerda e passou por cima de um dos braços do oponente e dando-lhe uma rasteira com a perna direita, fazendo com que Geodude caísse contra o chão, já nocauteado. Mankey pisou com seu pé direito sobre o corpo caído do oponente e guinchou com os braços levantados comemorando a vitória. Seu treinador achou um pouco quanto exagerado, mas parabenizou pelo movimento bem executado.

Brock retornou seu Pokémon, fazendo o macaco tropeçar de leve. Ele elogiou Red por conseguir derrotar Geodude, feito que não conseguira da última vez que esteve no ginásio. Sacou então a outra PokéBola e jogou para o campo. O brilho era intenso, Mankey se recusou a fechar os olhos, mas desviou o olhar e pôs os braços na frente. A luz alva logo deu forma a Onix, a serpente de pedra. O Pokémon de Red guinchava cada vez mais alto com anseio de enfrentar um oponente forte.

Red logo ordenou o movimento Leer. Seu Pokémon rapidamente deu início a uma escalada pelo longo corpo do oponente até alcançar a cabeça e se colocar cara-a-cara com o oponente, o encarando nos olhos e guinchando de forma alta. Onix tentou se afastar, mas Mankey estava se segurando em seu focinho.

Brock então iniciou a sua rodada.

— Bind!

Onix fez uso da vantagem que tinha com o seu tamanho e puxou o macaco com a ponta de sua cauda, começando a usar de seu corpo rochoso para abraçar de forma fatal o seu oponente esmagando-o. Mankey grunhia de dor enquanto esperneava por não conseguir seu objetivo de descer a porrada no oponente.

A mente de Red começava a borbulhar. O garoto rangeu os dentes e seus punhos se fecharam de modo que suas unhas começaram a ferir a palma de suas mãos. O que estava dando errado? Já tinha perdido uma vez contra Brock, não podia perder de novo depois de tantas pessoas e Pokémon depositarem confiança nele. Ele tinha que provar que era mais forte.

— A GENTE NÃO VAI PERDER! — gritou Red .— A GENTE VAI VIRAR ESSE JOGO E VENCER ESSE DESAFIO, MANKEY!

O Pokémon guinchou de volta o mais alto que podia em afirmação, como se estivesse dizendo “É ISSO AÍ”. Red reuniu todo o ar que tinha em seus pulmões e gritou por um Low Kick.

Mankey deu uma cambalhota para trás se apoiando na cauda de Onix enquanto aplicava um poderoso chute na parte abdominal do oponente, fazendo a serpente rochosa perder o equilíbrio e cair ao chão, afrouxando a cauda que prendia o primata.

Red e Mankey comemoraram em sincronia com o ataque bem-sucedido, mas Onix não deixou barato, comprimindo novamente o macaco com sua cauda, dessa vez prendendo os braços junto ao corpo deixando apenas as pernas livres. Onix urrou de ódio.
— Low Kick! — gritou Red para Mankey.

Brock já não estava mais de braços cruzados, posição que sempre permanecia durante suas batalhas. Ele estava envolvido, um sentimento de ansiedade tomava conta de seu corpo e ele começava a transpirar.

— Rage! — ordenou o líder de ginásio.

A enorme serpente rochosa investia com tudo que podia contra o pequeno primata que estava preso com força na sua cauda. Mankey esperou a cabeça do oponente se aproximar e então deu um chute lateral na parte de baixo da cabeça da enorme serpente.

O macaco caiu no chão rolando alguns metros, e se apoiou nos joelhos para levantar-se, guinchando baixo com o esforço. Onix por outro lado respirava de forma pesada, tentando fazer força para levantar primeiro a cabeça, sem hesito, depois parte do corpo, se apoiando na cauda.

Mas logo tombou no chão e desistiu, se rendendo ao nocaute.

Mankey então deu um salto, levantando os braços e gritando em comemoração, caindo no chão por não conseguir pousar direito. Red se permitiu cair de joelhos por não aguentar as pernas bambas.

— Nós conseguimos... Vencemos... — sussurrou.

O líder do ginásio deu um sorriso pelo canto da boca e recolheu o Onix para o interior da PokéBola para que descansasse até que recebesse os devidos cuidados. Começou então a andar até seu desafiante atravessando o campo de batalha. Quando passou pelo Mankey caído, este levantou o mais energético que conseguia e o seguiu até seu treinador.

Brock parou em frente a Red com Mankey a suas costas e estendeu sua mão para que o garoto se levantasse.

— Parabéns Red. Você conseguiu vencer o desafio do ginásio da cidade de Pewter aplicado por mim — parabenizou Brock enquanto o garoto se apoiava na mão dele para conseguir se levantar ao mesmo tempo que suas companheiras de viagem vinham em sua direção para lhe abraçar. — Hoje eu te dou a prova da sua vitória.

O líder colocou a mão no bolso e retirou um pequeno objeto acinzentado em forma octogonal feito em peltre.

— Aqui está a Insígnia da Rocha. Com outras sete insígnias, você será digno de enfrentar a Elite 4.
— Obrigado! Obrigado Mankey! — Agradeceu enquanto pegava seu prêmio.

O Pokémon então deu um pequeno soco no estomago de seu treinador fazendo que ele caísse para trás no chão. Ele então subiu em sua barriga e tomou a insígnia da mão do treinador enquanto guinchava feliz.

— Mankey...? — hesitou Red surpreso com a situação.

O Pokémon levantou sua pata e a estendeu em um cumprimento. Red não hesitou em bater sua mão na de seu Pokémon e ambos sorriram.

— Esse é meu garoto! MONTINHO! — gritou Janine se jogando por cima de Red e de Mankey fazendo todos gargalharem enquanto Yellow se ajoelhava para abraçar todos.

Não é que Red fosse infeliz, é que ele nunca estivera tão feliz quanto estava agora.




  

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