Posted by : Killer Nov 2, 2019


Rendam-se agora, ou preparem-se para a encrenca!


Ele sabia que em algum momento deixou de ter forças para chorar, mas não enxugou os olhos. Suas mãos estavam sujas de poeira das rochas quebradas.

Ele sabia que em algum momento as meninas que o acompanhavam na viagem o levaram até o Centro Pokémon e o colocaram sentado em um dos puffs vermelhos na recepção enquanto Rattata e Pikachu passavam por tratamento para recuperar a saúde no interior da ala médica, mas ele não se lembrava de ter chegado até ali.

A cena de sua derrota se repetia em sua mente enquanto ele encarava o assoalho da sala.

O Onix se deixando cair sobre Pikachu.
O aviso de Brock para ele desistir.
Ele não ouvira.

Decidira acreditar no poder da amizade que não resolveu nada. Tinha alguma coisa errada acontecendo e ele não conseguia descobrir o quê.

“O QUE É?”. Ele queria gritar, mas agora já não adiantava mais. Estava em um espaço público e tinha que se controlar. Ele havia vencido batalhas contra outros treinadores na floresta de Viridian que havia atravessado mais cedo naquela mesma semana, mas Gary e Brock eram invencíveis. Tentar agir junto aos seus Pokémon não estava ajudando. Talvez Gary estivesse certo, talvez ele tivesse que esforçar mais, pois nem Mankey o obedecia.

Mas ele já estava se esforçando mais, o que mais ele deveria fazer?

Ele olhou para os lados. Janine e Yellow conversavam preocupadas entre si. Ele não deveria preocupar ninguém, principalmente Yellow, já que deveria protegê-la.

Ele sabia que meninas pegariam as PokéBolas que pertenciam a ele quando estivessem prontas, então subiu para o quarto em que estavam alojados.

Encontrou o kigurumi de Janine ainda sobre o beliche e as roupas que ela havia emprestado para Yellow estavam dobradas sobre a mesa de cabeceira. Ele deixou que a mochila escorregasse de seus ombros e encarou a parede ao seu lado esquerdo. Em menos de um segundo, seu punho direito já estava em contato com o cimento e a argamassa da construção e a voz do garoto cortava o ar em um grito de agonia.

As articulações dos seus dedos reclamaram de dor e isso era bom. Agora ele podia sentir outra coisa além da confusão; a dor parecia ser um guia para a razão. Ele deu outro soco contra a parede, dessa vez ainda mais forte. Por que ele tinha que ser tão ruim que precisava se autoflagelar para poder se sentir bem? Ele tinha que manter aquela dor para ele. Não podia fazer seus Pokémon passarem por isso novamente, não uma terceira vez.

Ele deu um passo para trás e respirou fundo, levando aos seus pulmões o máximo de ar que conseguiu reunir. Com mais um passo para frente, socou outra vez a parede e gritou. Sentiu sua garganta arranhar com a velocidade do ar. As articulações dos seus dedos já estavam ruborizando com o influxo sanguíneo. A confusão estava passando. A dor era tudo que importava agora. E era melhor que a confusão, que a tristeza e que a angustia.

Ele se preparou para dar mais um soco contra a parede, mas escutou uma batida na porta. Ele saiu de sua posição e seus músculos fingiram relaxar ao mesmo tempo em que deu um suspiro longo e demorado. Novamente, ouviu-se batidas na porta e ele finalmente a abriu, dando de cara com Yellow e Janine.

— Você está bem? — questionou a loira.
— A recepcionista comentou que o garoto do quarto ao lado ligou na recepção pra reclamar que estavam batendo na parede. Achei ele meio covardezinho, confesso. Um verdadeiro ninja resolve seus próprios problemas — comentou Janine empurrando o garoto para entrar no cômodo e se dirigindo ao beliche, se jogando na cama de baixo bagunçando os lençóis que Yellow arrumara antes de sair.
— Eu tô bem sim — mentiu enquanto encarava o chão. — Eu só queria deitar um pouco.
— Eu imagino — confortou Yellow. — Quando eu e Pichu lutamos contra aqueles Beedrill na floresta nós ficamos muito cansadas, você provavelmente gastou muito mais energia que a gente nessa luta. Eu e a Janine estamos aqui para te apoiar, viu?

Yellow se aproximou do garoto e segurou sua mão. Ele contraiu os músculos por instinto, pensando em puxar e recusar o toque, mas refletiu rápido e preferiu deixar que ela o tocasse para passar a impressão de que tudo estava bem.

— Yellow, você pode levar nossos pijamas lá pra lavanderia? A gente deixou tudo aqui em cima antes de sair, eu não aguento mais esse cheiro de suor impregnado... Aproveita e checa se o Pikachu e o Rattata já estão se sentindo bem — pediu Janine, levantando o tronco e sentando no beliche.

A garota assentiu e encarou Red, que preferiu não sustentar o contato visual por muito tempo. Yellow queria ter a certeza de que Red estava bem antes de se retirar do quarto alguns segundos depois, fechando a porta. O garoto havia cuidado dela quando ela mais precisou e estava sozinha, a moça estava determinada a ajudá-lo mesmo que eles mal se conhecessem.

Janine esperou alguns segundos antes de puxar conversa. Ela já tinha percebido que Red ainda estava sujo de poeira, mas sua cama não estava, diferente das marcas de poeira na parede. A mochila largada de qualquer jeito ao lado da porta não indicava que o Red estava calmo, bem como as juntas entre seus dedos e suas mãos, que ainda estavam avermelhadas.

— Você sabe que você não vai resolver seus problemas batendo na parede, né, maninho? — comentou a ninja.

Red se assustou e levantou o rosto em uma resposta automática olhando para ela.

Como ela sabia? Não, calma. Será que ela sabia mesmo? E se ela sabia, como descobriu? Ele estava fingindo tão bem! Yellow fez parecer que estava tudo bem, por que Janine pareceu ter destrancado os confins de sua mente?

— Quê?
— Você deixou provas pelo quarto. E eu sou uma ninja — respondeu ela enfatizando a última palavra.
— Eu tô bem. Sério.
— Tudo bem, tudo bem. Independentemente de como você esteja meu garoto, eu tenho coisas para comentar. Tá louquinho, guri?! Um Thunder Shock contra um tipo Terrestre?! Eu concordo que o Brock pegou pesadão lá com a parada do Onix, mas não saber as vantagens de tipo foi mancada! Meu pai me ensinou isso desde antes de eu dar meu primeiro salto mortal.
— Falando do seu pai, o Professor Carvalho pareceu interessado ontem quando...
— Não estamos falando de mim agora, Red! — interrompeu Janine — Estamos falando que você desafiou um líder de ginásio sem ao menos saber o básico das batalhas! Olha só — a ninja se aproximou do garoto e começou a gesticular com as mãos, fazendo movimentos circulares — Desde que o mundo é mundo e Arceus criou tudo que existe, os Pokémon tem uns tipos, tá ligado?
— Já ouvi falar.
— Então, esses “tipos” nada mais são que as energias do Tao.
— Tao?
— É, bobão! É como aprendi quando estudei com os monges da Torre Brotinho em Johto, é como funciona a coisa toda — Janine virou-se de costas e juntou as palmas das mãos como se estivesse para iniciar um rito de oração. O tom de sua voz mudou e agora a garota falava forçando uma rouquidão para enfatizar as coisas que diria a seguir. — O Tao é a energia original de tudo e que dá origem a todas as outras. Está em todo o lugar e os Pokémon conseguem manipular e filtrar parte do Tao em partes menores para realizar seus movimentos. Os humanos é que não conseguem fazer isso, a gente categoriza essas partes e chamamos de “tipos”. Cada energia domina ou é dominada fora do Tao, o que chamamos de vantagens ou desvantagens de tipo. Seu trabalho agora é aprender sobre isso, Red.

O garoto refletiu em silêncio sobre o que a Janine o ensinara por alguns segundos até a encarar novamente.

— Quais os tipos que eu posso usar para derrotar o Brock? —questionou.
— Essa é a pergunta certa! — elogiou a garota. — Lutador, Grama, Terrestre, Aço e Água são as melhores opções para dar dano dobrado em Pokémon do tipo Pedra, e eu estive conversando com a Yellow lá embaixo e já soube que você tem um Mankey. Você nem nos contou nada, seu danadinho!

O garoto hesitou mais uma vez ao ouvir o nome do seu Pokémon. Ele olhou para a mochila que estava ali na entrada do quarto e imaginou dentro dela a Pokébola do primata.

Sem chances de usar ele numa batalha de ginásio. Ele não o obedeceria.

Mas nem mesmo Pikachu o obedecia. Ele não usou o Thunder Shock ordenado por seu treinador durante a batalha.

— Janine, movimentos elétricos tem desvantagens contra os Pokémon Terrestres?
— Aí guri entramos em um novo departamento chamado imunidades. Geodude e Onix não tomam dano algum do Thunder Shock. Pikachu sabia disso, Brock sabia disso, eu sabia disso, e se duvidar, o pirralho cuspido e escarrado versão mais nova do Brock sabia disso, só você que não.

Red abaixou a cabeça e encarou o chão. O próprio Brock dissera para a batalha terminar, mas ele insistira pela continuação da mesma. Ele não soube equilibrar o que se passava em sua mente, e isso foi o que lhe trouxe a derrota.

— Vamos relaxar a cabeça pelo resto do dia, pivete — disse a ninja interrompendo os pensamentos do menino. — Vamos almoçar e então iremos ao museu para ver umas coisas bem bacanudas. Amanhã você pode ter sua revanche se estiver mais calmo.

Ele acenou com a cabeça, concordando com a sugestão, e então Janine mandou que ele se lavasse, afinal, ainda estava sujo da poeira das rochas quebradas do campo de batalha.

***

Após o banho, Red levou suas roupas para lavar e foi encontrar suas parceiras na recepção. Outros treinadores no local, incluindo Janine, riam de sua camiseta com a estampa de uma paleta de cores que dizia: “Pallet – A Princesinha do Interior”.

— Até você Janine? — reclamou o garoto, visivelmente constrangido.
— Você é um caipirão de verdade, hein?! — perturbou a ninja.

Red deu um sorriso torto e se dirigiu até o balcão para pegar de volta seus Pokémon devidamente recuperados. Janine então deu a sugestão de que eles fossem almoçar em alguma lanchonete local para não ficar sempre comendo a mesma comida de Centro Pokémon e todos toparam.

Ali perto encontraram uma pequena hamburgueria onde puderam passar algum tempo conversando. Red tentava fingir uma conversa, mas na verdade ele só repassava cada detalhe da batalha do ginásio em sua mente. Janine falava empolgada sobre as maravilhas que talvez pudessem encontrar no museu.

— Finalmente vou conhecer o famoso Museu de Pewter! — gritava animada.

Após a refeição, os três se apressaram para chegar até o Museu. Achar o local não foi difícil, já que quase todas as placas na cidade apontavam para o seu principal ponto turístico. A grande estrutura de granito se erguia frente aos jovens. Ocupava muitos quarteirões e subia por muitos andares. A faixada exibia em alto relevo com orgulho o seu nome: “Mouseio de Pewter”.

Janine agarrou as mãos de seus companheiros e correu para dentro. Yellow e Red foram pegos de surpresa, mas tentaram acompanhar o ritmo que durou até um segurança do local os barrar e reclamar por estarem correndo.

Red logo tratou de se desculpar pelos três e a ninja aproveitou a situação para perguntar onde poderiam comprar os ingressos. O segurança apontou a direção da bilheteria e a garota guiou novamente os companheiros de forma animada, dessa vez se segurando para não correr.

Turistas com camisas de estampas floridas estavam na fila para conseguir seus bilhetes, mas outras pessoas fardadas entravam apresentando um distintivo e se posicionavam perto de algumas peças expostas. Outras mais velhas, com trajes formais e maletas, apresentavam os seus crachás e sumiam pelos corredores.

— Os das maletas são cientistas. Certeza — comentou Janine. — A gente não vai nem ver eles, ficaremos com os fardados que são os guias.
— Janine, eu sei como funciona um museu — reclamou Red — Eu já vi nos filmes.

Mas Yellow é quem olhava impressionada. Enquanto esperavam na fila, ela aproveitava a visão que tinha para as peças da primeira ala do museu. Um grande globo de granito estava suspenso no centro da grande sala que estava dividida da bilheteria apenas por um pequeno balcão de pedra lapidada.

O globo mostrava o planeta e seus continentes. A região de Kanto estava destacada em alto relevo, feita de um granito mais escuro. Era ali que eles estavam, naquele vasto mundo. Yellow estava deslumbrada e não percebeu que chegaram ao início da fila. Janine pediu os ingressos e pagou pelos três. Red pediu para que dessa vez ela andasse devagar.

Os três atravessaram o balcão que dividia a bilheteria do grande salão, onde os visitantes se reuniam e formavam grupos liderados por guias que seriam levados até as exposições. Atrás do globo eles enxergaram uma enorme variedade de rochas retiradas das pedreiras de Pewter. Em frente a cada uma, havia uma placa de bronze identificando-as e descrevendo o que as diferenciava umas das outras. De cada lado do salão um arco indicava a entrada para um corredor, e ao fundo, uma grande escada com acabamento em mármore levava ao segundo andar.

O trio se juntou a um grupo de turistas. Um rapaz com uma camisa polo branca com o bordado da insígnia do ginásio local em seu peito e a palavra “GUIA” estampada em suas costas estava ao lado do grupo, esperando por mais pessoas. Após mais uma família composta por um casal e duas crianças se aproximar, ele iniciou um discurso que claramente era repetido inúmeras vezes todos os dias.

— Bem-vindos ao Museu da Cidade de Pewter, o nosso orgulho municipal. Meu nome é Gabbro, e hoje eu serei o seu guia. Este museu foi construído durante a época em que a Madame Boss estava na Elite 4. Ela investiu na construção desta instituição como um meio de desenvolver a pesquisa cientifica na região e hoje somos um dos maiores centros de referência em estudos geológicos, arqueológicos e astronômicos na região de Kanto. Em nossa visita hoje, visitaremos duas exposições, a primeira sendo a exposição “Era Pré-histórica: O início de tudo”; e em seguida a exposição “Espaço: O que há acima”. Por favor, me sigam.

O guia indicou que o grupo o seguisse rumo ao corredor da esquerda e todos obedeceram. Caminharam pelo corredor até chegarem a uma sala com vários ossos antigos, montados em esqueletos humanos em posições ainda curvadas, e diversos objetos, como cuias, machados de pedra lascada e pontas de lanças, além de placas com desenhos antigos que o trio não conseguia identificar. Acima das peças, uma placa vermelha dizia “NÃO TOQUE”.

  Esses são esqueletos de seres humanos que viveram há aproximadamente trezentos milhões de anos atrás. Eles usavam ferramentas básicas criadas a partir de madeira, barro e pedra lascada. O primeiro Pokémon que se tem registros desse período é chamado de Mew, e aqui vocês podem ver uma réplica da pintura que foi feita dele pelos primeiros humanos na caverna de Cerulean. Esse Pokémon nunca foi visto pela ciência moderna, então ainda há muita discussão entre os acadêmicos se ele realmente é o antecessor de todos os Pokémon, ou apenas um mito.

Arte feita por Diego Chinatsu

O guia deixou que os visitantes apreciassem as peças da sala por alguns minutos, tirando a dúvida de cada um que o chamasse perguntando sobre algo específico. O homem parecia conhecer profundamente cada um daqueles artefatos. Após o tempo que julgou necessário, chamou para que o grupo o seguisse por outra passagem para que prosseguissem para outra sala e apreciarem outro conjunto de peças. Ele hesitou por um segundo ao perceber que um dos turistas ainda estava parado observando uma das ferramentas dos antigos humanos.

— Senhor, poderia nos acompanhar? — pediu Gabbro.
— Oh, me desculpe — comentou o turista. — É que fiquei tão fascinado por estes objetos!

O homem se aproximou do grupo, mas antes que pudessem começar a avançar, Janine retornou até a coleção e pegou uma PokéBola caída no chão, próxima ao local que o senhor estava. Retornou ao turista e entregou o objeto.
— É sua? Acho que deixou cair — disse a ninja sorrindo de forma exageradamente empolgada.
— Oh, obrigado garota. Acho que sou mesmo desastrado — disse o senhor pegando sua PokéBola de volta com um sorriso sem graça.

A visita avançou pelo andar térreo do museu onde o grupo era apresentado pelo guia a fosseis de Pokémon e de plantas que existiram há muito tempo. As salas eram separadas por temas e regiões em que os fosseis haviam sido encontrados. Em uma das salas, que representava o habitat pré-histórico da região de Kanto, eles viram um objeto chamado Fóssil Domo, que para Red mais parecia uma pedra que lembrava uma carapaça de um grande inseto.

— Uma grande colaboração está sendo feita entre cientistas daqui do Museu de Pewter, o Centro Paleontológico de Cinnabar, a Universidade Kantoniana de Celadon e o grande professor Carvalho para tentarmos recriar tanto o Pokémon que originou o Fóssil Domo, tanto o que originou o Fóssil Helix.


Os olhos de Red brilharam. Aquele era mais um sinal do reconhecimento que o mundo tinha pelo Professor Carvalho. Aquele senhor que não teve medo de dizer que a ciência não tinha todas as respostas e que por isso que ele continuava seguindo em frente, buscando-as. Ele estava envolvido com um projeto de tamanha magnitude daqueles. Era por essa e outras razões que seu nome causava tanto impacto. Era aquele homem que confiou a Red uma missão.

Eles continuaram a ver pedras retiradas das entranhas de montanhas. Algumas delas, segundo o guia, poderiam evoluir alguns Pokémon que não evoluíram naturalmente, outras valeriam uma fortuna para emoldurar o rosto de algum socialite da região.

Ao final da primeira exposição, o grupo saiu por um arco que dava de volta no hall principal do museu, exatamente oposta ao corredor em que eles entraram. Gabbro os levou em direção à escada e então de volta ao primeiro andar, onde de cara eles se depararam com uma seção mais escura, com pequenos pontos luminosos nas paredes. O cômodo simulava o espaço, e no centro, um modelo representando o sistema solar. Algumas pequenas bolas passavam rápido por uma esfera maior que deveria representar o planeta em que eles viviam. O guia explicou que aquelas eram representações de asteroides que estavam próximos do planeta.

— O próprio Monte Lua, aqui próximo a Pewter, recebeu um asteroide há algumas centenas de anos. Muitas das Pedras da Lua que são mineradas até hoje em Kanto são vindouras desse asteroide —completou.

Mais algumas salas a frente, Gabbro mostrou uma pedra completamente branca. Uma maquete de uma cidade em uma depressão rochosa estava logo atrás da pedra. A placa de bronze indicava que era uma representação de uma cidade marítima chamada Sootopolis, na região de Hoenn. A história contava que um asteroide caiu na região e na cratera causada por seu impacto, formou-se a pequena cidade no meio do mar, protegida de todos os lados pelos enormes muros brancos da pedra espacial, que agora, o trio podia ver ali. Os olhos de Yellow brilhavam. Nenhuma pedra já vista na Terra alcançavam tamanha avidez.

— Janine, olha só que linda! — comentou a loira sobre o pedaço de rocha espacial. Ela e Red olharam para trás, mas perceberam que a companheira não estava mais com eles. Ela não estava mais entre o grupo de visitantes e turistas.

No térreo, Janine havia voltado para a primeira exposição. Ela retornou cuidadosamente até a sala onde havia a réplica da pintura rupestre do Mew e, como suspeitava, ali estava uma PokéBola ao chão. Ela se aproximou e pegou a esfera, mas não teve muito tempo para analisar, pois o objeto tremeu e liberou uma forte luminosidade que logo tomou forma. Qualquer treinador iniciante ficaria confuso naquela situação, mas Janine não era iniciante, ela conhecia aquele Pokémon. Uma esfera maior, das mesmas cores da PokéBola — vermelho e branco. Seus olhos demonstravam fúria e confusão. Ela sabia a principal habilidade daquele Pokémon, ele ter sido deixado em um museu tão famoso não podia ser coincidência. Ela sacou uma outra esfera bicolor de sua mochila e lançou contra seu oponente.


Mais uma vez a sala foi tomada por uma luz branca que não demorou a tomar a forma de um pequeno broto com a cabeça em formato de sino amarelado, pequenos olhos negros e lábios bem marcados em vermelho. Folhas ocupavam o lugar dos membros superiores e no lugar dos pés, raízes rastejavam em busca de sustentação. Bellsprout encarou o oponente com ferocidade e esperou o comando de sua mestra.

— B, cuide desse aqui. Eu vou alertar os responsáveis pela segurança do museu. Volto assim que puder.

O broto acenou com a cabeça de forma afirmativa e a ninja rapidamente partiu pela saída que levava à entrada. O Pokémon esférico tentou segui-la, mas foi impedido por um cipó verde que saia por entre as folhas do Bellsprout chicoteando seu caminho.

A planta emitiu um guincho agudo para alertar o inimigo que ele não pegaria leve.

Janine chegou correndo até o hall de entrada do museu, um segurança se aproximou dela e gentilmente pediu que ela não corresse dentro daquelas instalações. Ela não hesitou em gritar.

— Bomba! Terroristas!
— Calma garota, o que...?

O segurança não pôde nem ao menos completar sua pergunta quando um som repentino de uma explosão tomou conta do ambiente. O homem falou algo em seu walkie-talkie enquanto jogava uma PokéBola que materializava um pequeno Pokémon rochoso, sem pernas e com dois braços saindo de corpo-cabeça. Geodude, como um dos que haviam derrotado Red naquela manhã.

Janine imediatamente se pôs a correr na direção da sala onde havia deixado seu Pokémon, mas outras explosões começaram a ocorrer ao redor do museu. A equipe se segurança começou a chamar seus Pokémon para fora de suas PokéBolas. Grupos de Growlithe, Machop e Geodude começaram a se formar para investigar o que estava acontecendo. Ao chegar à sala, Janine viu seu Bellsprout segurando duas serpentes purpuras com suas vinhas. O Pokémon esférico que vira anteriormente estava desacordado em um canto, próximo a uma abertura enorme que se encontrava onde anteriormente era uma sólida parede e por onde agora podia-se ver o lado externo do museu.


Dois homens completamente vestidos de preto com máscaras de gás estavam entrando pela recém-formada abertura da parede. Eles perceberam que as serpentes tentavam avançar pelo prédio, mas eram impedidas por um inimigo inesperado. Um deles jogou uma nova PokéBola para o centro do cômodo que liberou um Pokémon roxo e esférico com várias protuberâncias com orifícios em sua superfície. Perto de seu rosto, um padrão que se assemelhava a uma caveira. Janine adorava aquela espécie de Pokémon, um até mesmo estampava uma de suas camisetas. O treinador não tardou em ordenar:

— Koffing, Smokescreen!


A criatura então tremeu e se encolheu. Dos orifícios de suas protuberâncias começou a emanar um gás escuro, como fumaça de borracha sendo queimada. Janine também mandou um Pokémon. Mais um clarão surgiu, mas dessa vez foi ofuscado pela fumaça, materializando a Pokémon morcego, Zubat.

—Anzu, afaste a fumaça, por favor!

A morcego bateu suas asas de forma veloz para afastar e diluir a fumaça, mas quando Janine começou a ver através dela, os dois homens de preto já haviam sumido.

— B, nos encontramos depois. Conto com você. Anzu, vem comigo.

Janine voltou correndo para o hall de entrada sendo seguida por sua parceira Anzu e confiando no potencial de Bellsprout para lidar com os dois Ekans. Mais explosões foram ouvidas. Os pilares começaram a ceder.

Ao chegar na entrada, a garota percebeu que o grupo de visitantes do primeiro andar estava descendo as escadas, mas pedaços da estrutura caiam por todos os lugares, antecipando o que em poucos instantes se transformaria em tragédia. Mais homens de preto chegavam ao salão acompanhados com vários Rattata e Raticate.

— Fica todo mundo pianinho aí, se não o segundo andar vai desabar —ameaçou um dos invasores. Janine hesitou e virou o olhar parar a escada. Red e Yellow estavam lá entre o grupo de turistas.
— Podemos negociar uma saída segura para todos — tentou um dos seguranças do museu.
— Eu disse quieto! — gritou o invasor e seu Raticate rosnou acompanhando.

Mais explosões. A luz apagou. O ar-condicionado desligou e as luzes de emergência acenderam. Grandes pedras caíram do teto no chão do primeiro andar. Os civis correram para não serem esmagadas e acabaram se separando. A escada se partiu e o grupo de visitantes começou a cair.

— Red, Weedle! — gritou Janine.

O garoto hesitou por um momento sem entender o que a garota quis dizer. Já Yellow, abriu o zíper da mochila do companheiro e pegou suas quatro PokéBolas, entregando-as para o garoto. Ele então lança a que abriga o Pokémon inseto, chamando por sua Weedle.

Red então ordenou pelo String Shot. A pequena lagarta então começou a disparar fios de seda em várias direções tentando desacelerar a queda da grande escada de mármore. Algumas pessoas ali pulavam nos fios para ir o mais longe possível do que viria a se formar escombros. Nenhum deles, no entanto, pousou confortavelmente no chão, machucando a perna ou o tornozelo.

— Yellow?! — gritou Red preocupado.
— Guris! — gritou a ninja se aproximando — Como estão?
— Eu mandei vocês ficarem parados! — gritou outro dos homens de preto antes de um Rattata pular na direção de Janine pronto para atacar com seus dentes.

Weedle pulou do colo de Red pronta para defender o grupo da ameaça, mas Anzu foi mais rápida e veio por cima do roedor, colidindo com seu corpo contra o do inimigo e o derrubando no chão. A pequena Weedle olhou para a colega de equipe de maneira admirada.

 Yellow também retirou sua PokéBola e liberou sua Pichu para a batalha. Mais um Rattata se posicionou e ambos se atacaram simultaneamente.

Três jovens estavam lutando contra os invasores enquanto uma confusão generalizada acontecia, com civis correndo por todos os lados enquanto peças do museu eram destruídas. A polícia ordenou o ataque por parte de seus Pokémon e os invasores focaram em um contra-ataque. Estrondos eram ouvidos de outras áreas do local, mas não havia contingente suficiente para dar conta de tudo ao mesmo tempo.

Os Rattata associados aos homens de preto que enfrentavam o trio adolescente focavam em sua agilidade. Apesar de não serem páreos para Anzu nesse quesito, eles superavam facilmente Weedle e Pichu. A estratégia da lagarta era embolar as patas dos seus inimigos com fios de seda originados do seu String Shot, fazendo que eles tivessem dificuldades para se mover, dando oportunidade para que ela e sua companheira elétrica agissem antes.

Pichu fez força e conseguiu fazer o arco voltaico do ThunderShock, o guiando até um Rattata inimigo, que contraiu seus músculos devido ao impulso elétrico. Anzu esperou o momento certo de atacar, esperando a eletricidade dissipar para usar do Absorb, emitindo um feixe de luz de sua boca que sugou parte da energia do roedor.

Weedle focou no outro Rattata e avançou com seu ferrão, era o clássico Poison Sting. O oponente tentou desviar, mas enrolou seus pés nos fios de seda e tropeçou. Weedle acertou o ataque e as veias de Rattata ao redor da ferida começaram a inchar. Algo naquele ataque não foi comum. Red havia sentido aquilo em seu próprio braço.

Os roedores tentaram revidar usando golpes como Bite e Quick Attack. Anzu recebeu os golpes para proteger a Pichu. Yellow se preocupou com Anzu recebendo o dano para proteger seu Pokémon, mas a ninja a mandou relaxar. Zubat era muito bem treinada e não era qualquer golpe que a faria cair. Ordenou mais uma vez o Absorb para recuperar a energia perdida, e a loira pediu mais uma vez o ThunderShock. Red pediu uma repetição do Poison Sting, que raspou na pata dianteira direita de um dos oponentes.

Os homens que instruíam os roedores, já sem paciência, ordenaram que os próximos golpes fossem nos humanos. Red e Yellow institivamente deram um passo para trás, mas Janine se manteve no lugar. Anzu prontamente recebeu o ataque sem titubear, Pichu se assustou e admirou ao mesmo tempo com a bravura da Pokémon morcego. Janine sabia que a companheira o faria, mas estava pronta caso o ato falhasse. Seu treinamento não era em vão.

Weedle por outro lado pulou em parafuso tecendo seus fios de seda para interceptar o caminho do roedor que mirava seu mestre. Os fios de seda da lagarta envolviam a ela mesma, como se formassem um casulo. Aos poucos os fios tomavam uma nova forma e pareciam mais resistentes e muito menos maleáveis que antes. Agora Weedle havia se tornado um casulo amarelado de olhos visivelmente negros. Mantinha-se de pé com duas partes móveis de sua carapaça e fazia um zunido ameaçador para seu adversário. Red animadamente abriu sua Pokédex que identificou o Pokémon como Pokémon Casulo Kakuna, um Pokémon praticamente imóvel, mas que ainda conseguia envenenar inimigos com seu ferrão.

Kakuna pareceu se tensionar. A Pokédex apontou aquele movimento como Harden, um movimento que aumentava a defesa física do usuário. Kakuna havia usado quando evoluíra e estava repetindo para proteger seu treinador. O Rattata agora ofegava mais e parecia fraquejar em ficar em pé mesmo se apoiando em suas quatro patas. As veias próximas a picada que havia recebido da Weedle agora estavam muito inchadas e roxas. A feição do roedor era de dor e ele parecia fazer esforço para ver.

— NOSSA WEEDLE, QUE INCRÍVEL! — Gritou Red — Você evoluiu? Isso é demais!
— Parabéns Red, Weedle é um dos Pokémon mais fáceis de evoluir, mas para você acho que é uma grande conquista — parabenizou Janine.

O garoto sorriu sem graça e se voltou para a batalha.

Sem mais opções de ataque, Kakuna se manteve com o Poison Sting, mas teve que esperar o oponente se aproximar com um Bite devido à falta de mobilidade. A nova carapaça com a adição de dois Harden anteriormente usados fez com que o dano fosse amenizado.

O combo de ThunderShock seguido de vários golpes Bite de Anzu no flanco do inimigo fez o oponente guinchar de dor e desmaiar em seguida. O homem de preto que o comandava o resgatou para a PokéBola. Anzu então derrubou o Rattata restante com um Absorb e sugou as energias que sobravam do roedor que desfaleceu sem maior resistência.

Algum superior dos homens de preto quis tomar a frente e enviou seu Raticate, que rapidamente cruzou o campo de batalha improvisado cheio de escombros e prendeu Kakuna entre os dentes.

— Red, nossa conversa sobre o Tao, você pode aplicar aqui! O Mankey, use ele! — gritou a ninja ao mesmo tempo em que mais dois Rattata vieram ao encontro de Anzu para ameaçá-la.

Ela não podia estar falando sério. Usar aquele Pokémon rebelde numa situação como essa? O Mankey só traria mais confusão e caos ao que já estava acontecendo. Mas não houve muito tempo para Red pensar. Um estrondo veio da entrada do museu chamando a atenção de todos os presentes.

Uma enorme serpente pedra passou pela entrada, quase raspando o granito do arco, e encarou fixamente os invasores antes de levantar seu enorme corpo. Red então reconheceu o Onix que havia enfrentado aquela manhã, domado por Brock e o mesmo que derrotara seu Pikachu. Do topo da cabeça da enorme cobra de pedra, estava o Líder de Ginásio de Pewter, que, deixou cair cinco PokéBolas ao chão. Uma luz ofuscante tomou conta do salão por um breve momento trazendo seres de pedra. Três deles Red já conhecia a espécie: Geodude. Os outros dois eram de uma espécie maior, de uma pedra enrugada com quatro braços saindo diretamente do seu tronco, que também era onde ficava sua face. A Pokédex indicou que seu nome era Graveler, o Pokémon Rocha, a forma evoluída do Geodude. Red se sentiu um inútil imaginando que se o Brock tinha aquele poder, ele pegou leve na luta, e mesmo assim o garoto havia perdido daquela maneira.


Red então pegou a PokéBola de Mankey de dentro de sua mochila e a jogou para o campo de batalha. O brilho ainda não havia se dissipado quando o guincho do Pokémon macaco foi ouvido pelos presentes. Todos observaram o novo lutador que logo fitou seu treinador com fúria. Se não fosse o inimigo iminente, o Pokémon provavelmente engajaria numa peleja contra seu mestre. Mas ele não era um Pokémon mimado da cidade, ele sabia quando outro Pokémon tinha intenções perversas contra ele, logo virou para Raticate e olhou profundamente em seus olhos, com toda provocação que seu olhar podia passar.

Raticate não esperava a fúria de um Pokémon assim entre os humanos. Ele abriu a guarda. Red não percebeu, mas Janine sabia que o Mankey estava usando Leer, um movimento para diminuir a defesa do oponente. O pequeno macaco-porco espertamente aproveitou a oportunidade para se aproximar do inimigo e dar um Low Kick. O rato caiu no chão e Mankey pulou em cima de seu inimigo numa sequência de Fury Swipes. Ele era o chefe, o líder de todos os Pokémon da região de Kanto, ele mostraria sua força.

Red por outro lado só olhava perdido aquela cena. Ele não comandava nenhuma das ações e encarava Brock no topo de seu Onix comandando um esquadrão de cinco Pokémon sem perder a sintonia enquanto a serpente de pedra defendia a si mesma e a seu treinador com sua cauda. Ele precisava fazer algo. Brock era o primeiro obstáculo para ele alcançar Gary. Se ele não progredisse, como ele iria avançar em sua jornada e preencher as informações na Pokédex para o Professor Carvalho em Pallet?

Ele falhou nos seus primeiros testes. Essa seria sua terceira chance. Não podia mais falhar.

Ele viu que apesar de não estar nas melhores condições, Kakuna ainda estava no campo de batalha. Raticate estava preocupado demais com um oponente mais perigoso para se importar com ela. Logo o garoto pediu que usasse o String Shot e pediu ao Mankey que utilizasse Focus Energy. Este virou para olhar o humano, mas por um instante percebeu o roedor inimigo com a mobilidade debilitada entre fios de seda, então ele sentiu a segurança para tentar focar o próximo ataque. Respirou fundo esperando o momento para atacar, e Red pediu por mais um Low Kick, mas o próprio Pokémon optou por usar mais uma sequência de Fury Swipes muito mais fortes que o normal. Raticate guinchou de dor. Enquanto Mankey gritava com glória, Red se apressou em ordenar um Poison Sting da Kakuna, que apesar em demorar para se aproximar de seu oponente, se apressou em mover seu ferrão para fora do casulo e picar o roedor que se debatia perante aos arranhões vindos do Mankey.

O garoto balbuciou confuso. Logo antes o Pokémon havia obedecido, mas agora tinha decidido agir sozinho. O Raticate conseguiu se desvencilhar do macaco que estava por cima de si e o atacou com um Super Fang. Mankey rapidamente saltou sobre o oponente e escuta o grito de Red sobre utilizar um Low Kick. Dessa vez ele acata a ordem e acerta a lombar do oponente que cai de bruços no chão.

Mais estrondos são ouvidos enquanto o primeiro andar tremia. Os homens de preto levam a mão ao ouvido e pareciam prestar atenção. De supetão, todos os bandidos começaram a recolher os seus Pokémon e a correr em direção à porta de saída.

O Onix de Brock se abaixou para tentar cercar os fugitivos, mas uma fumaça negra espessa começou surgir na sala espantando a todos.

Aqueles que como Janine possuíam algum Pokémon com asas, pediram para que tentassem dissipar a fumaça, mas foram necessários alguns minutos até que isso fosse possível, tempo suficiente para que os invasores já tivessem desaparecido.

Mankey pegou Kakuna gentilmente no chão e levou até Red. O treinador retornou o inseto para a PokéBola e encarou com receio a reação do outro Pokémon. O macaco deu um forte soco na barriga do humano que fez com que este caísse para trás sentado no chão. O garoto encarou seu Pokémon com expressão mista entre dor e confusão enquanto segurava a boca do estomago com as mãos tentando aliviar a dor. Mankey o encarava guinchando e fazendo poses de vitória. O garoto pegou a PokéBola e o retornou antes que apanhasse novamente.

Brock pediu que seu Onix abaixasse seu corpo ao nível do chão para que ele descesse. Os seguranças do museu que ainda estavam por ali vieram se reunir com ele. Red havia se encolhido, ali mesmo no chão, perante a presença de Brock.

Após terminar de parabenizar a Pichu pela performance na batalha, a loira estendeu a mão para o companheiro que estava sentado no chão. Ele usou a mão dela para alavancar sua subida e ficar de pé novamente.

Brock se dirigiu até o trio, enquanto seus Geodude e Graveler se reuniam atrás dele em feições preocupadas. Ele acenou para os três e sorriu para Red. O garoto não soube como reagir e apenas disse um tímido “Oi”.

— Houve uma grande confusão aqui, mas que bom que vocês estavam presentes. Ajudaram os turistas e ainda lutaram contra alguns dos invasores... Eu pretendo dar uma bronca em vocês por serem inconsequentes e enfrentarem bandidos perigosos, mas... Reconheço e admito que vocês têm fibra. — comentou O Líder de Ginásio dando um leve soco no peito de Red em sinal de respeito.
— É... — Começou o garoto sem jeito. — Eles começaram a bagunça, a gente tava em risco... A gente tinha que fazer alguma coisa...
— E não foi só isso! Tinha um cara se passando de turista deixando PokéBolas com Voltorbs por aí! Isso não foi por acaso! Foi premeditado, muito bem planejado! — informou Janine agitada, balançando os braços acima da cabeça.
— Eu vou me unir a Força Policial de Pewter para ajudar nas investigações e combate se necessário. Acho que qualquer pista agora é de grande ajuda.
BELL!

Todos olharam para o lado e deram de cara com o Bellsprout de Janine, que havia emitido o guincho e fora deixado na primeira sessão da exposição dos fósseis. Ele voltava mancando, mas com uma expressão vitoriosa. Arrastava com suas vinhas duas Ekans.

— Johnsonzinho do meu coração! — gritou a ninja correndo para abraçar o velho companheiro. — Você está bem e ainda manteve dois dos inimigos de refém! — ela desviou o olhar para Brock. — Isso serve de pista para você?
— Nossa, que Pokémon forte. Ele fez isso longe do seu comando? Vejo que foi muito bem treinado. Você não busca pelas insígnias?

Janine engoliu em seco e coçou a parte de trás da cabeça enquanto ria sem graça.

— Não... Não me interesso muito pela Liga Pokémon, sabe? Eu quero mesmo é investigar o que a natureza nos dá...
— Entendo. Eu mesmo não me interesso pela Liga em si, apesar de querer me manter no posto de Líder do Ginásio de Pewter — comentou o moreno enquanto passava o olhar pelo nada, com o pensamento distante. Demorou alguns segundos antes que seu raciocínio voltasse à realidade. — Bem, eu acho que eu tenho que ir agora.

Brock pediu para que Johnson “The B.” soltasse as Ekans, agora desacordadas, e ele assim o fez. O Líder então pegou as duas serpentes e as carregou em seus ombros como se elas fossem dois sacos de pluma.

— Vou levar isso até os policiais e me atualizar do caso com eles. Como disse, vou tentar ajudar no que eu puder. — Brock desviou o olhar para Red por um momento. — Você provou hoje que pode evoluir rápido, garoto. Tem potencial. Volte no meu ginásio amanhã à tarde. Podemos ter uma revanche pela insígnia.

Red não soube o que falar enquanto observava o moreno se afastar em direção à saída. Brock já estava longe quando ele finalmente conseguiu responder tão baixo para si mesmo que nem suas companheiras de viagem conseguiram ouvir.

— Estarei lá.



  

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  1. KILL, EU VIM COMENTAR!

    Well, nesse capítulo eu vi muito do que eu já esperava do Red, como tu bem sabe. E inclusive vi duas das melhores cenas de AeK até o momento, ambas protagonizadass por Janine, sendo uma a dela ensinado os sobre os tipos (eu até achei engraçado tu falar de tao , porque é um conceito daoísta/taoísta algo bem mais comum àquela região da China do que ao Japão, pais no qual muitas regiões de Pokémon se baseia), a outra cena foi o equivalente da Janine do "parabéns, seu cocô!".

    Nesse capítulo tivemos o Red caindo, tomando coragem e se reerguendo, e essa chegada dos criminosos foi muito bem vinda na situação, e mostrou pra ele, eu acho, que Pokémon são bem mais do que os olhos podem ver.

    Fora isso vimos de novo o habitual, que é o Brock sendo foda, a Janine salvando o dia e o Red sendo caipira. Gostaria de finalizar dizendo que achei interessante que a tal Madame Boss já tenha sido da Elite dos quatro.

    É isso Kill, desculpa o comentário curto, e até a próxima,

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    1. EU VIM RESPONDER!

      Janine melhor protagonista, pq o Red ainda quer dizer ser o principal?! AUSHAUHSUAHSUAHSUHASUHAS

      E sobre o Tao, eu quis trazer outras inspirações para a Janine, e sim, o conceito foi bem Chinês mesmo, inclusive TUDO desse cap eu aprendi da minha aula de Medicina Tradicional Chinesa asuhaushaushauhsauhs

      Red é o maior caipira que existe e a camisa dele sobre Pallet não nos deixa mentir!

      Comentário é comentário cara! Smell Ya Latter!



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  2. Olá

    Kanto, que coisa, eu gosto de Kanto.
    Bom, depois de ser humilhado, nosso protagonista descobre que é um merda, mas com potencial, de acordo com Brock.

    Entoces, depois da Janine conversar com o Red (inclusive gostei muito como ela consolou, mas também falou como ele fez cagada) eles vão pro museu.
    Estava tudo indo bem quando BAM uma invasão da equipe foguete! Bom, era de se suspeitar pela capa do capítulo.
    Nessa parte quem com certeza brilhou foi nossa ninja. Coordenando seus Pokémon com maestria ela conseguiu lidar muito bem com a situação. Show de bola, minha filha.

    O Red e a Yellow conseguiram fazer alguma coisa, parabéns. Isso inclusive lhe deu auto-estima para continuar. OU SEJA, se os Rockets não tivessem invadido o Red TALVEZ não vencesse o Brock e não desmantela-se com toda a organização depois :\

    Ah, tem a coisa da Madame boss ali. Pois bem, vamos ver como você vai trabalhar com essa personagem, mas já é muito legal de saber que ela existe nessa fic, bem interessante mesmo.

    E acho que é isso. Ótimo capítulo e espero que o próximo não demore tantos meses...

    ATÉ MAIS!

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    1. JANINE É A MELHOR PESSOA CARA AUSHAUSHAUHSAUSHAUSHAUSH

      OPA, SERIA ISSO UM PARADOXO?! ASIJAISJAISJIASJIASJIASJAISJ

      Brock sempre ensinando os novatinhos, Red sempre tendo que ser ensinado por alguem...

      Opa, alguem disse Madame Boss? Eu não disse nada... Não estive aqui hein... ASUHAUSHAUSHAUHSAUHSAUSH
      Mas como vcs já sabem, a timelime existe e as pistas estão aí

      Sobre a demora... SORRY! ASUHASUHAS

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  3. Hello! Eu sou mto distraída, vc tinha publicado esse capítulo há tempos e eu só vi esses dias kkk
    Eu morro de rir com as falas da Janine kkkk "Achei ele meio covardezinho, confesso. Um verdadeiro ninja resolve seus próprios problemas". Eu estava perto do povo aqui e tive que sair para não me acharem uma retardada olhando para o celular e rindo. Ela foi a estrela desse capítulo, com certeza. Além de se mostrar muito madura e paciente para lidar com o Red, ainda se revelou uma excelente treinadora com pokémons poderosos. Eu amei ela nesse capítulo. É impressão minha ou o Brock ficou com uma pequena quedinha por ela?
    Red como sempre lerdo como uma lesma. Até a Yellow entendeu o que ele tinha q fazer e ele não. A pobre da Weedle teve de lutar praticamente sozinha, que bom que a Anzu e a Pichu estavam com ela. Fiquei feliz por você ter dado importancia aos outros pokemons da equipe, já que Pikachu e Rattata tiveram seus momentos de glória antes.Eu SABIA que o Mankey não iria sem dar uma boa porrada no Red, o mais engraçado é que tinha sido super gentil com a Kakuna antes. Obs: discordo do Brock, eu ainda não acho que o Red tem potencial e muito menos pode vencê-lo de um dia para o outro, mas ok.
    A descrição do museu ficou maravilhosa. Deu pra ver todo trabalho e esforço que você colocou ali para deixá-lo dessa maneira. Deve ter lhe rendido boas horas de pesquisa e o resultado ficou incrível. Parabéns!
    É isso! Vê se não enrola a gente por meses e posta o próximo logo!
    Abração, Kill!

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    1. AUSHAUSHAUHSAUHSUAHSUAHSUHASUHASUHASUHSAUSHA
      Não imaginei que ia conseguir fazer alguém rir assim! QUE BOM QUE CONSEGUI!
      JANINE É A ESTRELA DE TODOS OS CAPS!
      Será que ficou? Os shipps estão livres!
      Red sempre tendo que ser ensinado e apoiado pelos outros! Weedle teve que LITERALMENTE proteger ele!
      O Brock tem o trabalho de incentivar os novatos né? Ele tinha que dar um up na auto-estima do red asuhaushaushas
      E SIM! O Museu foi bem trabalhoso aushasuhaush Obrigado Carol-sama!

      Ops, acho que já enrolei AUSHAUSHAUSHAUSH
      Smell ya latter!

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  4. E aí, mano Kill! Pô, se sentiu em casa com esse capítulo do museu, hein? Seu conhecimento na sua área certamente te ajudou a elaborar muitas dessas descrições, o que estou adorando e Kanto é justamente poder enxergar a sua identidade nesses trechos, e até nas conversas. As descrições estavam muito caprichadas, obrigado por fazer jus a um dos locais que mais adoro em todos os jogos Pokémon. Isso porque você não resumiu a um parágrafo de descrição genérica, houve todo um cuidado para falar dos fósseis, as pinturas do Mew, tudo de uma maneira que ainda faça sentido para a forma como o capítulo é conduzido.

    Outra coisa que brilhou aqui foram os Pokémon cara, que sincronia! Fazia tempo que eu não via um grupo tão bacana trabalhando em conjunto, principalmente no começo na fic quando não há muito tempo para explorar a personalidade deles e, mesmo assim, todos estão tão bem caracterizados. Esse Mankey é foda, Weedle/Kakuna é uma fofa, é como aquele arco de anime onde cada integrante do time tem seu momento de brilhar.

    E tem mais, Janine é foda. Janine é foda PRA CARALHO! A explicação dela sobre Tao foi uma das melhores maneiras que vi de alguém explicar os tipos, sem parecer grosseiro ou aquela coisa de: "Elétrico não acerta terra porque é assim nos jogos, isso não tava óbvio?" Ela consegue ser divertida e ainda atuar como mentora, mesmo que esteja constantemente aprendendo também. A cena inicial deles no quarto foi muito fofa, e também diz muito sobre como o Red não sabe controlar seus sentimentos tão bem. Estou muito orgulhoso desse capítulo cara, todo o tempo de preparo valeu a pena e certamente lembrarei da estadia em Pewter como um momento muito marcante!

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    1. Pô cara! Valeu mesmo! Eu me esforcei bastante no museu! Fiquei olhando O museu do LGP/LGE, os dos outros jogos de Kanto também, fui em um museu aqui, olhei fotos de museus que fui no passado, perguntei ao Shads o que eu podia mostrar do espaço trazido de Hoenn, pedi ao Chinatsu uma arte do Mew só pra colocar aqui, fora o tempo que passei pesquisando pedras pra decorar o museu asuhaushaushaush

      Eu não fui tão bom aluno nas minhas aulas de Medicina Tradicional Chinesa na faculdade, mas usei tudo que aprendi aqui na Janine agora, eu e o Dento já tínhamos conversado sobre crenças no mundo da Aliança e achamos legal colocar essa diversidade nela agora, acho que ela vai ser uma incrível mentora pro Red!

      Eu acho que a Yellow está meio apagada, mas eu quero mesmo que eles três funcionem bem como um trio, não só pela fic, mas pq eu acho que eles funcionam como amigos de verdade!

      Dos três a Janine tem um backstory, então ela não pode ser ingenua, então acho que ela tem que botar pra quebrar mesmo, ela é amiga do Red, mas tem que dar sermão também. Um dia esse passado dela vai ser revelado!

      E receber esse elogio de um cara que eu lia ha tantos anos e admirava e admiro é incrível! valeu mesmo mano!

      Smell ya latter, Canotas!

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  5. Oi amigo Killer!

    Lembro-me de você me vir pedir ajuda para escrever este capítulo, mas agora que o li pergunto: "Ajuda para quê?" O capítulo ficou muito bom!

    Olha só essa primeira cena, onde vemos Red a lidar com os seus sentimentos e libertar a fúria do seu corpo, dando socos na parede. Estupidez à parte, este momento mostra-nos o quão sentimental e emotivo ele é. Isso pode ser algo bom, ou mau. Iremos descobrir mais sobre isso no futuro, espero eu.

    E essa visita ao museu? Ficou tão informativa e emocionante ao mesmo tempo! Notei grande à vontade para escrever sobre este tema, não faltou nenhum pormenor, de todo. E quando os Rockets entraram em ação, começou o grande confronto. Gostei de toda a tensão e dos combates descritos, no entanto, esperava que alguma personalidade da Team vilã se revelasse. Para a próxima, talvez? Adorei essa evolução do Weedle e o comeback do Mankey! Acredito que, ao longo do tempo, Red consiga, de facto, controlar todo o poder desse Pokémon. Até porque é essencial para que ele ultrapasse o seu desafio: Brock.

    Como costume, a Janine a continua a roubar a cena. Quer naquela cena do quarto, onde, habilmente, descobriu o que Red fizera enquanto estava sozinho, como no museu, percebendo o que se passava antes de qualquer outra pessoa. R A I N H A!

    Mal posso esperar para ver o reencontro com o líder do tipo pedra! Só vem!

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    1. JANINE RAINHA, O RESTO NADINHA!

      Red é sim muito emotivo, não consegue se controlar e fica socando a parede... E como você disse, isso pode causar algo no futuro...

      SIM! Eu me esforcei muito na visita ao museu! Eu adoro museus de história natural! Investi muito tempo de pesquisa pra fazer essa parte, alem de reescrever umas 3 vezes aushaushauhsuahsauhs
      A equipe rocked por enquanto só tá na espreita, essa é só a primeira vez que vocês vão ver eles! Mas serviu pra ver que eles não se importam de EXPLODIR um museu, e serviu pra ver a Janine e o Brock em ação, alem de evoluir a Weedle FOFISSIMA em Kakuna e sim, o COMEBACK DO MANKEY MARAVILHOSO AUSHASUHAUSHAUSHAUHS
      SÓ VEM GYM!

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  6. Eu gostei muito da forma como você trabalhou a percepção da Janine nesse capítulo. Tanto no começo, quando ela notou a instabilidade emocional do Red, quanto na hora de detectar o risco de atentado terrorista no museu. As habilidades ninja dela já começam a ganhar destaque.

    Assim como a parte emocional do Red também. Mesmo durante todo aquele caos no museu você não deixou de trabalhar o psicológico dele, demonstrando toda a insegurança e medo que o garoto tem de fracassar de novo. Mesmo assim você deu as brechas para que ele pudesse tomar decisões acertadas para que ele ganhasse um pouco mais de confiança. O reconhecimento do Brock ao final também foi importante pra isso, caso contrário era possível que ele nem mesmo voltasse tão cedo para uma revanche.

    Mas será que ele está preparado? O Mankey ter obedecido alguns comandos dele na batalha no museu parece ter sido mera casualidade. E sendo ele o único Pokémon na equipe de Red que pode fazer frente aos Pokémons do Brock, eu tenho lá minhas dúvidas se ele realmente terá uma segunda batalha mais tranquila.

    Até a próxima! õ/

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    1. YO SHADOWLINO! Eu queria ter um Gym Leader no grupo de protags, e aí eu pensei que ter a Janine seria incrível, que ela podia ser uma Ninja muito bem treinada, mas que se empolga muito e pode causar tretas. A piada foi levada muito a sério e deu nisso. Eu particularmente estou adorando. Ela ainda vai errar muito na vida, não esperem que ela seja perfeita, mas ela é a mais forte do grupo.

      O Red é um personagem que eu quero trabalhar muito a questão do quão transtornado ele pode ser e como saúde mental é importante. E que ninguém precisa resolver as coisas sozinho. Amigos estão aí para ajudar. VAMOS SHOUNEN DE PODER DA AMIZADE (Só as vezes)

      O Mankey é um grande problema, ele nem fez tudo que o Red pediu ainda assim aushaushauhsuahs, só algumas coisas. Vamos ver como isso vai se resolver!

      Smell ya latter!

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  7. Kill bateu um peso na consciência agora, falei para tu ler a minha história sem eu estar atualizado na sua, mas assim não dá!

    Então estou aqui para trazer justiça!
    Caraca quanta coisa aconteceu neste capítulo kkkk pensei que o Brock ia ficar bravo com o Fire-kun no final, tipo: controle esse macaco kkkkk

    The B é muito foda mano, deve ser o mestre da torre brotinho e já transendeu o Tao. Janine muito observadora, previu tô esquema.

    Será que os roket conseguiram o que queriam? Só o tempo dirá!

    Até o próximo!

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    1. Que nada! Até hoje eu tô atrasado lá!
      O que será que vai acontecer com o macaquito do Red?
      TRANSCENDEU O TAO AUSHASUHAUSHAUSHAUSHAUHSAUSHAUHSAUSH
      Mas não tem como negar que The B e Janine são MUITO FORTES!
      Será? Será?! SERÁ?! AGUARDE POR RESPOSTAS NOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS DE AVENTURAS EM KANTO!

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