Posted by : Killer Jun 24, 2018

Páginas em Branco


Os moradores da Cidade de Viridian tiveram uma ótima noite de sono, até mesmo os cidadãos mais estressados e que costumavam sofrer de insônia. Coincidentemente, todos eles tiveram o mesmo sonho comum, em que encaravam um grande relógio de pendulo dentro de uma grande mansão que estava sendo esvaziada.

Estranhamente, ninguém se lembraria desse sonho quando acordasse pela manhã.

Já Red quase não conseguiu pregar o olho naquela noite.

Após a breve conversa que tivera com o Professor Carvalho, seu vizinho e maior autoridade em pesquisas sobre Pokémon na região de Kanto, ele finalmente estava animado com alguma coisa como há muito não estivera.

Passou a noite deitado e custou a conseguir dormir, pensando nas rotas que exploraria e no que ele ajudaria o cientista a descobrir. Pensara também no que sua mãe acharia sobre aquilo. Talvez aquele fosse o maior desafio. Só ao chegar ao nível basal de energia em seu corpo, o cérebro do garoto decidiu entrar em estado de sono, que não durou muito.

Sua mãe gritava do andar inferior da pequena casa quando os raios de sol já brilhavam forte, atravessando os vidros da janela da cozinha e procurando passagem nas frestas das cortinas do quarto pequeno de Red. Aquele estímulo sonoro foi o que faltava para que o garoto voltasse ao estado de vigília.

— O café está pronto, Red!

Ele sentou na cama e coçou de leve os olhos à medida que aos poucos os abria, permitindo a luz natural entrar. Apesar de desperto, ainda não estava totalmente ativo, até lembrar da noite anterior:

***
— Eu poderia descobrir coisas novas também? Explorar e trazer coisas para o senhor pesquisar?
— Por que não? Meu neto sairá amanhã cedo em jornada, mas nada impede que você não possa sair também. Converse com sua mãe e venha me ver.

***

Ele saltou da cama rapidamente e desceu as escadas como se nela tivesse apenas um único degrau. Joana, sua mãe, não gostava quando ele fazia aquilo, mas sabia que devia estar animado com algo.

— O que houve? — Questionou a mãe.
— Então... Sabe o que é mãe...? — Começou o filho meio sem graça. — Eu conversei com o Professor Carvalho ontem à noite.
— Ontem? O que estava fazendo acordado tão tarde? Já te disse que ainda não tem idade para assistir TV nesse horário! — Repreendeu a mulher, servindo o café de forma generosa em duas xícaras na mesa, ao mesmo tempo em que retirava alguns pães de um saco de papel.
— Não, não! É que eu não consegui dormir, então fui tomar um ar na varanda — mentiu o garoto preferindo não preocupar sua mãe falando que caiu do telhado. — E por coincidência o Senhor Carvalho estava tomando um ar na rua.
— Ah, sim. Ele é sempre muito simpático. Sobre o que conversaram? — Indagou a mulher, agora colocando fatias apetitosas de presunto dentro dos pães e colocando em um prato, na frente da cadeira em que Red se encontrava sentado.
— Ele comentou que o Gary — por algum tipo de ritual particular, Red teve que pausar a frase para revirar os olhos após pronunciar o nome do vizinho — vai sair em uma jornada hoje.
— Eu estou sabendo — respondeu colocando duas colheres de açúcar no café do filho. — É o assunto mais falado na padaria hoje! Acho que o menino tem potencial.
— A questão não é essa, mãe — disse Red tentando desviar o assunto do tão odiado rival enquanto bebericava o café tentando não queimar a língua. — O senhor Carvalho ofereceu um Pokémon para que eu também saísse em jornada — terminou de contar abaixando a cabeça tentando esconder o rosto, como se acabasse de contar o segredo mais constrangedor que existisse.
— Isso é maravilhoso! — Exclamou a mãe — Você vai aceitar?
— Então você concorda? É só isso?!
— Ora, se o governo acha que a partir dos 10 anos crianças já estão prontas para ter um Pokémon e viajar, quem sou eu para dizer que meu filho não é capaz de fazer o mesmo? — Respondeu dando um sorriso encantador que deixou o menino feliz.
— Eu preparei meus argumentos a noite toda!
— Eu quero que meu filho tome o melhor café da manhã, tome o melhor banho e escove bem os dentes, e vá encontrar o Senhor Carvalho, para sair com o seu Pokémon!
— Valeu mãe! A senhora é a melhor! — Exclamou Red enfiando o pão inteiro na boca enquanto sua mãe ria e dizia para se manter educado de qualquer forma.

***

Depois do café tomado, pratos lavados, corpo banhado e dentes escovados, Red estava com sua habitual camiseta preta, calça jeans surrada e seus tênis gastos. Correu para casa ao lado e bateu três vezes na porta. Foi atendido por uma bela moça poucos anos mais velha que ele, que ao vê-lo, sorriu simpaticamente. Trajava um vestido verde de alças finas que ia até metade de suas coxas, e seus cabelos castanhos ondulavam suavemente até seus ombros. Ela puxou a conversa.

— Bom dia, Red! É uma surpresa você vir até aqui.
— D-Daisy! — Gaguejou o garoto, corando as bochechas involuntariamente. — Seu avô está ai?
— Ele saiu mais cedo com o Gary. Eles devem estar no laboratório. Quer que eu faça um chá enquanto espera?
— N-Não precisa, obrigado, eu vou até lá. Até mais Daisy! — O garoto saiu correndo pela calçada da pequena cidade na direção do laboratório, o prédio mais desenvolvido naquele interior de Kanto.
— Apareça mais vezes, Red! É sempre um prazer te receber! — Gritou a moça acenando sem obter respostas.

Red achou que a corrida até o laboratório acalmaria sua ansiedade, mas na verdade só o deixava mais animado. Cada segundo em que sentia seus músculos na perna se contraindo e relaxando em um ritmo coordenado, fazendo com que cada passo fosse dado, a grama em sua frente amassada e o vento ao sul soprasse em seu rosto, esvoaçando seu cabelo, fazia seu coração bater mais forte. Seu cérebro estava dopado de substancias químicas que faziam o garoto sorrir sem parar. Ele só queria chegar logo ao laboratório.

Até que ele chegou. E não conseguiu parar a tempo.

Ele bateu com tudo nas portas translúcidas do laboratório. Para sua sorte, o material era revestido, e por conta disso não quebrou, ou teria sido um péssimo início de jornada. Algum aluno do renomado professor abriu a porta para o menino que havia caído de bunda no chão e o ajudou a levantar.

— Tudo bem com você, garoto? — Perguntou o jovem assistente.
— Tudo sim. O Professor Carvalho está aí? — Indagou Red esfregando a anca para amenizar a dor da queda, enquanto tentava espiar o fundo do laboratório.
— Está sim, ele avisou da sua chegada. Me acompanhe.

O aspirante a cientista guiou Red pelo laboratório até os fundos. Ele passou pelas bancadas de mármore branco observando as vidrarias com líquidos multicoloridos em seus interiores. Muitos microscópios estavam posicionados com pequenas placas de vidro sob suas lentes, prontos para serem analisadas, Red imaginou o que estaria ali, prestes a ser revelado. Alguns Mr. Mime organizavam os itens com ajuda de outros assistentes. No fundo do laboratório, ao lado de uma grande janela para um jardim aberto, com uma grande variedade de Pokémon correndo e brincando, estava o escritório do renomado cientista, que lia alguns relatórios. Com a batida que seu assistente deu a porta entreaberta, ele viu pelo vidro da porta que Red havia chegado.

— Red! Finalmente chegou! Que bom te ver, quer dizer que sua mãe aceitou, hein? — Comentou o cientista, dispensando seu assistente com um sorriso — Obrigado, Charles.
— Sim, senhor. E eu estou ansioso para poder sair em viagem e te ajudar! — Exclamou o garoto.
— Sim, sim. Isso será de grande ajuda. Venha aqui — disse o pesquisador guiando Red até uma mesa mais baixa em seu enorme escritório.

Até agora Red não havia entrado no escritório — na verdade nunca tinha entrado no laboratório, já que desde bebê nunca tinha se dado bem com Gary, o que o deixou assustado. Era muito grande, com uma mesa escura ao fundo, onde repousava um computador branco. A mesa era grande o suficiente para que o professor utilizasse o computador e fizesse anotações em mais três cadernos ao mesmo tempo, e tinha espaço para muitas gavetas. De frente para a mesa, dois sofás com dois lugares cada de frente a uma mesa de centro que os separava por pouco mais de um metro. Ao fundo havia uma estátua de algo que a primeira vista parecia ser um coqueiro, mas ao olhar duas vezes, era perceptível que na verdade era um Pokémon, bípede, meio gorducho, com três cabeças e com folhas no lugar de cabelos. Nas paredes, quadros enormes preenchiam o espaço vazio mostrando dos mais comuns aos mais raros Pokémon. Aquele escritório inteiro poderia muito bem ser um apartamento de uma família pobre na grande cidade de Saffron.

— Sente-se — pediu o velho cientista. — Aqui está o grande segredo.

Os dois sentaram-se nos sofás, encarando-se. Carvalho pegou um objeto avermelhado e levantou na altura dos olhos de Red.

— Isso aqui é uma Pokédex. Ela é capaz de registrar os dados dos Pokémon ao seu redor e armazená-los num servidor compartilhado com meu laboratório.
— Então se eu carregar isso comigo e capturar muitos Pokémon, eu vou te ajudar a ter muitos dados?
— Isso. Parece que você é bem inteligente no final das contas. O Gary exagerou bastante ao seu respeito.
— Claro que ele exagerou! Ele se acha tão melhor que os outros! — Red fez uma pausa na sua reclamação e olhou para os lados. — O Gary não ia pegar o Pokémon hoje? Achei que ele estaria aqui.
— Você chegou um pouco atrasado, Red — comentou o senhor. — Meu neto já partiu daqui a algum tempo...
— É O QUÊ?! — gritou o garoto. — Eu não posso ficar para trás daquele mimado! Professor, eu vou te ajudar mais que ele, passa o Pokémon que eu já tô indo!
— Vamos com calma — disse o pesquisador enquanto ria disfarçadamente — Aqui estão dez PokéBolas para que possa capturar outros Pokémon.

Red olhou para as esferas vermelhas e lembrou que estava sem mochila. Ficou sem graça de olhar novamente para o professor que percebeu que o garoto não sabia onde enfiar tanto equipamento.

— Bem, você pode levar a Pokédex no seu bolso, ela também já vem com sua licença de treinador, caso tenha algum encontro com a polícia. Quando ligá-la pela primeira vez, vai ser mostrado um tutorial de como usá-la. Vou colocar as PokéBolas num saco para você.

Red olhou para outra PokéBola que estava afastada das dez primeiras que Carvalho não havia guardado junto com as outras.

— Esse aqui é o seu Pokémon — disse o pesquisador pegando a esfera isolada e voltando sua atenção à Red.

O senhor apertou o botão central da PokéBola e um raio de luz emanou dela, materializando um pequeno roedor em cima da mesa de centro. Ele tinha pelos amarelos chamativos, com exceção das bochechas que eram vermelhas, de duas faixas de pelos marrons em suas costas e das pontas de duas longas orelhas que eram pretas. Sua cauda se assemelhava a um raio e estava todo encolhido, talvez por timidez. A criatura trocava seu foco rapidamente entre o professor e Red, como se perguntasse quem era aquele garoto.





— Esse é o Pikachu, um Pokémon elétrico com capacidade de armazenar energia em suas bochechas.
— Olá Pikachu, eu sou o Red.

O garoto afagou a cabeça da criaturinha com sua mão. O pequeno roedor se encolheu como se aquilo o assustasse e encarou o pesquisador que costumava ser seu treinador com um olhar de dúvida.

— A partir de agora vocês irão viajar juntos, Pikachu. Espero que possam se entender para me ajudar — disse o cientista explicando a situação para o monstrinho — Ele é um garoto confiável e garanto que não te fará nenhum mal.

O Pikachu cheirou as pontas dos dedos da mão de Red que permanecia estendida e se virou para o cientista acenando positivamente com a cabeça.

— Ótimo Pikachu! Tenho certeza que seremos bons amigos! — exclamou o garoto que partiu para um abraço aconchegante, mas o tímido roedor agilmente pulou e apertou o botão de sua própria PokéBola, que o sugou para dentro num raio rubro, fazendo o humano chocar-se contra a mesa de centro.

— Ai, ai, ai... — Choramingava o garoto massageando a testa.
— Desculpe Red, mas esse é o Pokémon mais apropriado para iniciantes que eu tenho em mãos agora.
— Tudo bem, Professor. Tenho certeza que com o tempo a gente vai se conhecendo melhor.
— Aqui está a PokéBola do Pikachu. — disse entregando a esfera — Isso é tudo que você precisa para iniciar sua jornada.
— Obrigado, Professor! Vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para te ajudar!

Red pegou a esfera e voltou para sua casa.

***

— Red, eu arrumei sua mochila — avisou a mãe do garoto quando este atravessou a porta eufórico.
— Serio?! Obrigado, mãe! — Agradeceu Red. — A senhora é a melhor mãe do mundo!
— Coloquei alguns sanduíches para você. E cuecas. Acho que produtos de higiene tem nos Centros Pokémon, mas coloquei sua escova de dentes nesse bolso...
— Pode deixar, mãe, eu vou achar tudo quando precisar! — interrompeu o filho, surpreendendo sua mãe, deixando-a com um semblante de preocupação por um segundo, mas que logo se desfez — Tenho que ir pegar alguns Pokémon agora! Volto em alguns meses. Eu te amo mãe!

Red abraçou a mãe que por um tempo, hesitou em soltar o seu filho, mas decidiu deixá-lo ir, antes que suas ações o influenciassem a desistir de viajar e o prendesse de novo na vida sem interesse que ele tinha anteriormente.

— Boa sorte, querido. Me ligue regularmente.
— Pode deixar.

Red fechou a porta e partiu para a Rota 1. Joana sentou-se na mesa e pegou um velho porta-retratos que guardava uma foto de quando Red acabara de nascer, em seu colo, e o pai do garoto sorrindo ao lado dos dois, olhando para o bebê. Ela permaneceu ali, chorando alguns minutos.


***

Red explorava eufórico a Rota 1. Corria atrás de vários Pidgeys e Rattatas sem sucesso, já que todos eram mais rápidos e conseguiam fugir e se esconder antes de serem pegos pelas mãos do garoto. Após algum tempo de falhas, o menino decidiu sentar-se à sombra de uma árvore e comer um dos sanduíches de sua mãe, enquanto aprendia a usar a Pokédex. Tirou da mochila também um punhado de ração Pokémon que sua mãe colocara e liberara o Pikachu de sua PokéBola.

O roedor olhou ao seu redor e com brilho nos olhos deu algumas voltas em torno de si mesmo. Red estendeu sua mão com um pouco da ração. O Pikachu pegou alguns dos pedaços e se afastou novamente. Começou a roer feliz seu alimento, enquanto seu treinador mastigava seu sanduíche contente em começar a criar laços com seu Pokémon. Decidiu descansar ali mais um pouco, visto que o rato elétrico também parecia gostar do ar livre e dos arbustos verdes. Ao terminar o lanche, Pikachu resolveu explorar, pedindo permissão com o olhar e o humano acenou com a cabeça.

O menino percebeu no laboratório que Pikachu não estava acostumado com outros humanos que não o Professor Carvalho, e que não seria uma tarefa fácil fazer amizade com a criatura, então tentaria ser permissivo quando pudesse. Enquanto seu Pokémon de divertia, ele poderia descansar, e resolveu deitar na grama. Apoiou sua cabeça em sua mochila e ela guinchou e tremeu. O roedor amarelo saiu de dentro de um arbusto para olhar o que tinha acontecido e Red levantou em um pulo. De dentro da mochila um rato de pelos roxos e olhos vermelhos encarou o garoto e fugiu assustado.





— É um Rattata tentando me roubar! — Exclamou ele, pegando sua mochila no chão e correndo atrás do Pokémon.

Pikachu sabia, graças ao seu tempo no laboratório, que deveria ajudar o humano. Com uma bufada e um revirar de olhos, correu atrás do seu treinador.

O Rattata era ágil. Red estava quase o perdendo de vista, mas algo o ultrapassou. Era Pikachu que corria sobre suas quatro patas, e com um salto, carregou de suas bochechas um raio elétrico, mirando na direção do roedor púrpura. Os pelos do Rattata se arrepiaram. Os elétrons no ar rapidamente se organizaram. Todos os músculos do rato da campina se contraíram simultaneamente e ele caiu no chão ainda sem conseguir esticar suas pernas.

— Caramba, Pikachu, isso foi incrível! — elogiou Red sacando a Pokédex e vendo que aquele era o movimento chamado Thunder Shock.

Não é que o roedor elétrico não gostasse de elogios, mas ele já sabia que ele era bom. O Professor Carvalho já disse isso para ele outras vezes antes. Ao invés de elogiá-lo, o garoto humano deveria perceber que o oponente havia se levantado e estava vindo para o ataque.

— Pikachu, eu tenho uma ideia! Você pode desviar e usar outro Thunder Shock?

Claro que ele podia, mas Rattata não era um oponente tão fácil assim. O Quick Attack do oponente causou dor no corpo de Pikachu antes que o rato elétrico pensasse para qual dos lados ele se jogaria para se desviar do ataque. Pikachu cambaleou para trás, mas numa cambalhota parou apoiado novamente nas quatro patas e carregou outro raio elétrico, mirando em Rattata. O oponente se tremeu lembrando o que iria acontecer. Seus pelos arrepiaram novamente. Choque elétrico disparado. Músculos contraídos e corpo no chão.

Red também preparou seu movimento. Enfiara a mão na mochila e sacara de lá de dentro uma das esferas vazias que o Professor Carvalho lhe dera de presente. Com o Rattata caído e sem se mexer no chão, ele jogou a PokéBola, acertando o pequeno rato nas costelas. O raio de luz o envolveu, sugando-o para dentro. A esfera tremeu uma, duas, três vezes antes de estabilizar.

— Conseguimos! — Gritou Red. — É isso aí, Pikachu! Graças a você, conseguimos ajudar o Professor Carvalho na pesquisa pegando esse Rattata! Além de termos um novo companheiro também!

Red abraçou Pikachu, que estava distraído. O humano estava super contente e feliz e berrava coisas sobre avanços científicos e indagava qual seria a próxima descoberta, mas Pikachu apenas se esforçava para empurrar para longe o rosto do treinador e se libertar dos seus braços. Demorou um pouco para o garoto perceber e colocar Pikachu novamente no chão, que assustado e chateado, se afastou um pouco de seu treinador e ficou encarando. Red se agachou para tentar conversar com o Pokémon mais ou menos na mesma altura.

— Desculpe, Pikachu. Não foi por querer.

O Pokémon o ignorou.

— Olha, você pode ficar fora da PokéBola se quiser... Eu vi que você gosta de explorar as coisas, e acho que no laboratório não dava muito pra fazer isso.

A criatura inclinou a cabeça, curioso.

— No final das contas a gente tem a mesma missão e tem que se aguentar até terminar, né? Então eu sugiro uma trégua.

Red estendeu a mão em um gesto de paz. Pikachu estendeu sua pata também. Apesar de desproporcionais, aquele era um símbolo de que eles eram aliados naquela jornada. O garoto sorriu, o Pokémon acenou com a cabeça e calmamente acionou a própria PokéBola que estava no cinto do rapaz, sendo sugado pelo raio de luz rubra. Red deu um suspiro e olhou para o horizonte, vendo a cidade de Viridian ao longe. Toda essa correria havia boa afinal, o próximo destino estava logo ali.

***

Ela saiu de algum prédio de Viridian. Olhou para trás para buscar abrigo, mas já não se lembrava de qual deles havia saído. Todos aqueles galpões pareciam abandonados. Sua visão embaçada não ajudava muito, nem as pernas bambas, que faziam cada passo ser mais difícil que o anterior. Mesmo tendo apenas 11 anos de idade, andava como se estivesse embriagada.

A rua estava deserta. Ninguém estava vendo a garota de cabelos loiros que contrastavam com a roupa de pano gasto marrom que usava, e quem visse, possivelmente não prestaria ajuda.

Suas pálpebras pesavam. Ela fechava uma de cada vez para se manter acordada, mas era muito cansativo. O pescoço estava cansado de manter a cabeça no lugar. Parecia que o corpo estava lutando contra si mesmo, cada pequena parte queria fazer uma coisa diferente, inclusive suas pernas que pareciam ir para lados diferentes. E por que ela estava andando mesmo? Alguém a tinha mandado correr? Fugir? Andar? Treinar? Ela não conseguia nem pensar direito.

Ah. Tudo bem. Não tinha ninguém na rua ali mesmo. Que tal... Se ela deitasse ali no chão? Do jeito que seu cérebro estava entorpecido, não faria diferença entre aquele asfalto gasto e um colchão novinho. Ela se deitou em posição fetal e apoiou a cabeça sobre as mãos. É. Estava muito confortável. Dava pra dormir ali por algum tempo. Por muito tempo.

Algo quentinho se aproximou de seu rosto. O Algo estava preocupado e lambeu o rosto da garota para acordá-la. Fez cócegas em suas bochechas e a incomodou. Ela só queria dormir. Em um movimento rápido, ela o abraçou e prendeu-o em um abraço. Ele se assustou, mas decidiu ficar e proteger a garota solitária, então se aninhou ali, e descansou com ela.

 

{ 20 comments... read them below or Comment }

  1. Killer ótimo capítulo, um início de jornada bem parecido a um que já conhecemos, tirando o fato de que Red capturou um dos meus Pokémon favoritos, o ratata. (por algum motivo lembrei de Era um Garoto...)

    Mas cara, o Pikachu eu sou meio pé atrás com ele, é sério, não faz ele ser pra sempre um Pikachota... Evolui ele pra Rancho, po**a!

    Mas bem, tirando isso, estou gostando muito até aqui, e eu queria que desse algo entre Red e Daisy, mas sei que você não faria isso, pois te conhecemos cara, você é sacana!

    Bem, é só isso é falou!

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    1. Valeu, Napo!! O Red é um cara bem comum no final das contas, e ele tá louco pra pegar qualquer pokémon kkkkk.

      Cara! O Pikachu é o mascote da franquia! Capa de um jogo! Ele é fofinho e legal!! É bem capaz dele evoluir sim, mas a Thunder Stone é rara também.

      A Daisy é aquela menina mais velha que os garotos da escola ficam babando por ela sabe? E aí ela decide ser gentil logo com o inimigo do irmão? KKKKKKK Mas o Red estava com pressoa e não podia aceitar uma xícara de chá.

      É isso cara! Espero você aqui no próximo capitulo!

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  2. MEU DEUSS, sua escrita sempre foi boa, mas mds, ela tá muito pft agora! Nesse capítulo consegui visualizar cada momento, cada ação e cada ambiente a cada palavra que eu lia. Tá muito bom mesmo! Quanto ao Pikachu, achei interessante a escolha, se pararmos pra pensar, ele meio que é o "Pokémon principal" do Red nos jogos, então super acho justo ele também ser aqui. Também gostei dessa personalidade tímida do Pikachu e o relacionamento com o Red que vai se moldando com o passar do tempo. Quanto a captura, RATATTA VAI MATAR TD MUNDO E VAI SER ZIKA. Já sobre a garota do final, eu tava achando que seria a Blue e tal, mas ai vc flou que ela era loira, é a Yellow?? Pf diz que sim! Yellow é uma das melhores personagens s2 Tô aguardando ansioso já p o próximo capítulo!

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    1. MDS SAIKO! Assim eu fico sem graça!

      Foi por isso mesmo que eu escolhi o Pikachu! E a pista já tava ali na imagem em baixo do blog, hehe.

      THIS RATTATA IS DA BAST! Ou seria o Rattata do Joey?

      Eu não vou falar ainda sobre essa menina, hehe, vocês vão ter que esperar!

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  3. Escrita perfeita, muito legal as suas dicas wlw pelo apoio

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  4. Gostei bastante da forma como argumentou a história dos pokemons.

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    1. Opa! Obrigado!! Sempre bom ter gente nova por aqui! Espero te ver com frequência!

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  5. Primeiros passos dados, e o Red não perde tempo! Já temos um novo membro no time, prova de que o garoto está bastante dedicado ao projeto da PokéDex!

    E esse trecho final da menina loira, lembro de você ter me contado algumas coisas sobre. É legal ver que ainda estamos no capítulo 2 e você já está colocando as coisas em prática. Dessa forma teremos sempre algo inesperado acontecendo em Kanto.

    Até a próxima, Killer! õ/

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    1. Não posso prometer nada, mas acho possivel que Kanto seja bem frenética, kkkkkkk (Não tanto a frequência de postagem dos capítulos aushauhusa, mas aos poucos a gente chega lá!)

      Obrigado pela força cara! Espero ansiosamente para te ver em Hoenn também!

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  6. Yooo Kira-Kun

    Comentário com alguns meses de atraso,mas como o diz aquele velho ditado,antes TARDIS DukeNukem né? :v

    Cara esse capítulo foi muito bom,ele passou bem a sensação de início de jornada e começou um bom desenvolvimento do relacionamento do Red e do Pikachu

    Gostei dessa sensação de ansiedade do Red pré jornada,e foi sensacional a resposta da Joana,se o governo tá de boas com crianças de 10 anos saindo em jornadas quem sou eu pra contrariar né?

    O Red tem uma personalidade bem simples,ele não é nenhum herói ou alguém com planos mirabolantes,ele é só um garoto normal e eu gosto disso

    Cara,qual a necessidade dessa cena da Joana chorando?Sério?VOCÊ COLOCOU AQUELA CENA SÓ PRA PARTIR NOSSOS CORAÇÕES ;-;

    Quem será essa garota do final?E o que ela está abraçando?Qual a razão de todo mundo sonhar com a mesma coisa?O Red vai tentar pegar todos os mons ou ele só vai capturar os que vai usar no time?QUAL VAI SER O SHIPP DA FIC?Tantas dúvidas

    See Ya :y

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    1. Chegar fazendo referencia de Doctor Who já chega como VIP.

      AÍ CARA! ESSA ERA A MINHA SENSAÇÃO DE ANSIEDADE QUANDO MEU PAI FALAVA "Amanhã vamos na loja comprar seu jogo." E EU NÃO CONSEGUIA DORMIR! Eu imagino que muitas crianças antes do Natal também ficavam assim esperando receber o jogo de Pokémon.
      Ah cara, A cena da Joana foi inspirada na minha despedida com minha mãe, quando eu fui morar sozinho por 2 meses AUSHAUHSUAHS

      DARKY! PARA DE DAR PREDICT! SÓ TÊM 2 CAPS!!!!!

      SMELL YA LATTER

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  7. Voltei!
    Como eu já disse anteriormente, a fluidez da sua escrita é algo que me agrada muito e tive a confirmação que vai ser uma boa história em todos os quesitos após a breve batalha desse capítulo. Acho batalhas Pokémon algo sempre complicado já que tem a função de fazer o leitor imaginar ao mesmo tempo que lê. Mas digo uma coisa: você conseguiu!

    Também gostaria de falar que gostei do jeito que foi retratado a relação entre os dois: sem amizade ou ódio instantâneo. Apenas uma relação de amizade comum como acontece. Vai ser bonito assistir a relação deles evoluir!

    E por fim quero dizer que a garota (eu saquei quem é, mas sem spoiler para os amiguinhos, rs) me representa saindo de algumas festas. Quero muito ver o que o passado dela vai trazer pra história.

    Continua com o trabalho maravilhoso!

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    1. OPA! COMO ANDAS?!

      Fico muito feliz que esteja tendo essa impressão da história, espero que eu consiga te fazer sentir isso e muito mais nos próximos capítulos!

      Não tenho feito muitas batalhas aqui em Kanto, mas tenho me esforçado muito nas que tem acontecido, principalmente agora no inicio, já que os Pokémon acabam não tendo uma variedade muito grande de ataques! Que bom que ficou do agrado dos leitores!

      Ah! O Pikachu! Eu quis deixar a relação dos dois o mais natural possível, e me inspirei um pouco no jogo do Yellow (vide o Red jogando Yellow lá em baixo no blog auhusauhsauhs). Acho que evoluir uma relação neutra acaba sendo mais difícil, porém achei mais real, e o desafio foi aceito!

      Então você sai assim das festas? ( ͡° ͜ʖ ͡°)
      Sim! Vamos lá! Quero teorias! ASUHASUHASUHASUHASHUS
      Logo logo você vai descobrir quem é ela, mas fico empolgado quando os leitores começam a borbulhar os pensamentos e pensar quem são os personagens que malmente apareceram.

      Pode ter certeza que continuarei!!

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  8. Coitado do Red, só tinha o pikachu mesmo, eu senti a decepção do pequeno treinador, eu estou com você Red eu também iria chorar se o cara que eu admiro me desse um rato.

    Mas tu também num tem jeito garoto, mal ganhou um rato amarelo e pegou um rato roxo???

    oh apareceu um personagem misterioso, sera que é a garota yellow que eu vi na pagina de personagen? Auto spoiler aqui :/

    Até o próximo cap.

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    1. ASUAHSUAHSUHSUAHSUAHSUAHSUAHSUAHSUAHHS CARA, EU RACHEI DE RIR COM SUA INTERPRETAÇÃO! AUSHAUSHAUHSAUHSUAHSUAHUAH

      SIM! RED JÁ SAI PEGANDO TUDO QUE VÊ NA FRENTE, ou quase!

      EITA CARA, JÁ SAI SE DANDO SPOILER A SI MESMO! AUSHAUUSHAUHS CUIDADO AE!

      SEE YA!

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  9. Hey!

    Red dá início à sua jornada e agora não há tempo a perder! Ter o Pikachu como inicial é sempre uma curiosidade engraçada e que remete inevitavelmente para a história de Ash no anime. Até mesmo a relação entre Red e Pikachu é muito parecida àquele que Ash tinha com o seu... não tarde aparecem uns Spearow para meter tudo em ordem! AHAHAHAH
    Curti essa primeira captura, mostra a determinação que Red tem em, de facto, ajudar o Professor Oak.

    Fiquei curioso para saber quem é essa garota do final do capítulo e onde anda Gary? Qual foi o pokémon que ele pegou do seu avô?

    See ya :)

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    1. Bom, já tínhamos a dica do inicial pelo Red jogando Pokémon Yellow no emulador lá embaixo no blog! Acho que isso é uma dica do inicial de seu rival asuhaushaush

      Essa garota misteriosa ainda será de grande importância, acho que já sabe quem é, devido à minha demora em responder!

      Mas sim, o Red tem o Professor e o Mewtwo como motivadores iniciais, então ele vai ajudar o Professor como puder!

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  10. Yooo Killer

    E finalmente temos o inicio da fantastica jornada de Red pela maravilhosa Kanto. E eu entendi a referencia ao Pikachu fora da Pokéball de Pokémon Yellow. Na verdade, acho que todo jogo de POkémon deveria poder deixar o treinador escolher se ele quer deixar um Pokémon fora para te acompanhar, mas enfim.

    Um Rattata? É pra fazer concorrência pro Rattata do Joey, já quero essa rinha e pago para assistir.
    Toda sorte do mundo pro Red <3

    Ooooh, uma garota misteriosa. Uma nova companheira?
    Excelente capítulo, Kill <3

    Até a próxima

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    1. Já passou do tempo dos jogos de Pokémon fazerem isso! E sobre Pokémon Yellow, eu sempre comento que esse jogo é a principal inspiração pra fic, tanto que o Red tá jogando esse jogo ali embaixo no rodapé do blog aushaushauhuahs

      Eu quis dar pro Red uns pokémon que todo mundo reijeita no inicio, já que ele tá rumo a completar a Pokédex, então nada melhor do que o Rattata, já que todo mundo busca um PIDGEY!

      OOOOH A GAROTA MISTERIOSA!!! ESPERO QUE GOSTE DELA!

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